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“A Bela e a Fera” dá vida ao clássico Disney!

“A Bela e a Fera” dá vida ao clássico Disney!

Desde que a Walt Disney Pictures anunciou essa leva de live actions – adaptações em filme de suas clássicas animações – torci para que A Bela e a Fera entrasse na lista. A animação sempre teve um apelo maior para mim quando criança e poder assistir outra vez no cinema seria incrível. Porém, não foi como o esperado.

O roteiro original continua lá, salvo algumas adições a fim de que o filme pudesse ter mais tempo em tela do que a animação, o que era meio óbvio. Uma dessas alterações é o passado do príncipe Adam/Fera (Dan Stevens) o qual não tivemos a chance de ver na animação e que acaba dando mais contexto as suas ações quando amaldiçoado pela feiticeira. Outra mudança foi a inserção da casa de Bela (Emma Watson) e Maurice (Kevin Kline) no meio da cidade. Ao invés de colocá-los afastados, lá na colina, foram postos bem no meio da comunidade, em meio a outras casas a fim de mostrar que isso não altera em nada o comportamento dos demais habitantes que continuam tratando a ambos com estranheza e desdém. E Gaston (Luke Evans) tornou-se um nome mais ativo e a temer nessa comunidade, alguém a quem olham com admiração.

Todavia, a mudança mais notável foi no papel de Bela que transformou-se em uma mulher mais resistente e determinada do que sua contraparte animada. No longa é ela quem faz as vezes de inventora e também tenta ensinar outras meninas do vilarejo a ler, criando mais inimizade com seus vizinhos que não entendem como uma mulher pode querer ler, pois logo ela vai ter ideias e pensar, como dizia Gaston no desenho. A personagem certamente estava a frente do seu tempo, ainda mais morando num pequeno vilarejo no interior da França lá em meados do século 18. Não queria ser como as outras garotas, queria muito mais e se ressentia por isso.

O longa possui algumas falhas que podem vir a incomodar o espectador como, por exemplo, o CGI do rosto da Fera que ficou mais humanizado e não tão animalesco como era e justamente por isso fazia com que as crianças gostassem mais dele do que do príncipe. Sem mencionar que hora ele tem chifres, horas ele não tem os chifres. O mesmo problema ocorre com os demais moradores do castelo que ganharam ares cartunescos e salvo o Horloge (Ian McKellen) e Lumière (Ewan Mc Gregor) , os outros não são tão interessantes ou mesmo bem feitos. Não é apenas colocar olhos, nariz e boca num objeto; é torná-lo mágico usando características chaves do objeto em si como a Madame Samova (Emma Thompson) e o Chip (Nathan Mack) que se mesclam ao design de um bule e uma xícara ao ter os narizes como a alça e o bico, por exemplo. A montagem e edição também ficam estranhas em alguns momentos, com cortes bruscos e sem qualquer sentido.

Do outro lado, o fato de que a maldição afeta o castelo, levando-o a ruir aos poucos e seus moradores a tornarem-se objetos permanentemente conforme as pétalas da rosa caem, foi uma adição bem interessante na história, tal qual a relação de LeFou e Gaston. Josh Gad deu outra interpretação ao personagem e que fez total sentido dentro dessa nova concepção da história. Já Gaston teve sua maldade elevada a outro nível e se antes não possuía caráter ou escrúpulos, pode adicionar a palavra covarde na ficha dele também.

Entretanto, mesmo com as falhas, a trama de A Bela e a Fera continua com sua mensagem principal que é ensinar a todos a enxergar além do que conseguimos ver e não temer o diferente. Algo que continua latente nos dias de hoje.