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A experiência humana de “I Am Mother”

A experiência humana de “I Am Mother”

A maternidade é uma experiência humana única, dizem. Não importa se a criança foi gerada por você ou não. Quando esse instinto bate ele muda as pessoas. E até as máquinas. I Am Mother é um filme original da Netflix de ficção científica que brinca com a percepção e empatia do espectador.

Houve um caos no planeta Terra. A população foi reduzida a zero. Dentro dessa estação uma criança é gerada. Para cuidar dela um droide criado especialmente para executar a tarefa. Por anos tudo o que essa criança conhece e entende por afeto é esse droide a quem chama de mãe. Ela é educada, alimentada, entretida e protegida. Ali, dentro daquela estação enorme, outros embriões esperam a sua vez para nascer. Contudo, cabe a Filha atender as expectativas que Mãe espera dela. A um passo de seu teste, uma espécie de prova, as luzes apagam. Filha vai investigar e encontra um camundongo. Mas, a vida do lado de fora é inexistente. Como pode esse animal sobreviver? Intrigada com a nova descoberta Filha vai contrariar as ordens de Mãe e abrir a porta para o mundo exterior. É quando ela entra e tudo muda.

I Am Mother - Hilary Swank - Media Geek

I Am Mother propõe ao espectador uma experiência única a qual mexe com a nossa percepção acerca da maternidade. Com uma trama enigmática e personagens bem construídos, ficamos na dúvida no que ou em quem acreditar. Se na Mãe, um droide, que sempre esteve ali para Filha, educando-a e cuidando como uma mãe humana faria ou na estranha que surgiu do nada e alega que os droides são os responsáveis pela destruição do planeta. É nesse momento que os instintos do espectador despertam para o desenrolar do filme. Todas as dúvidas giram em torno da questão da maternidade.

Num local inteiramente equipado para tal, é possível questionar que algo ficou de fora na criação da Filha. Mas o que é essa lacuna? O lado humano na relação com a Mãe que não existiu por ela ser um droide? E o que seria esse lado humano exatamente? A Mãe não fez um trabalho bom o suficiente a ponto de Filha desenvolver raciocínio lógico e tomar decisões por si? Então, qual é o problema?

I Am Mother - Media Geek

I Am Mother propõe ao espectador uma reflexão sobre as questões da maternidade quando coloca um Droide responsável por repopular o planeta. Designa uma máquina para uma função que não é nem um pouco mecânica. Contudo, é assim que é mostrada no filme dirigido por Grant Sputore e roteiro de Michael Lloyd Green. Mas não de forma zombeteira, e sim muito cuidadosa graças a dublagem de Rose Byrne que dá voz a droide. A atriz incute doçura em seu tom de voz para lidar com a filha, o que nos faz acreditar em suas intenções e ordens. Seja a de comer todo o almoço, tomar banho ou até estudar mais. A voz nos desvia a atenção da figura robótica que a emprega. O que acaba sendo um feito e tanto em I Am Mother. Ainda que em alguns momentos, essa mesma figura nos imponha medo, como uma mãe.

Por brincar com a nossa percepção, criar muitas dúvidas no meio desse clima pós-apocalíptico, I Am Mother surpreende por entregar um desfecho inesperado e que vai levantar uma série de perguntas. Porém, se prestou bastante atenção no que assistia, vai encontrar todas as respostas.


SPOILER – EXPLICAÇÃO

A personagem da Hilary Swank é a primeira criança que aparece no filme. Depois se passam 38 anos. Tudo não passou de um plano da Mãe colocá-la no mundo exterior, sendo criada por humanos, para depois voltar e servir ao propósito de ‘libertar’ Filha dessa ligação com a droide. A intenção aqui é repovoar o planeta com humanos considerados perfeitos e que não possuam falhas de caráter e sejam melhores do que os anteriores. Logo, a Filha foi a ‘espécime’ que obteve sucesso ao ser criada pela droide e que provavelmente vai dar continuidade ao projeto. Talvez não da mesma maneira que antes.

FICHA TÉCNICA
Diretor: Grant Sputore
Roteiro: Michael Lloyd Green 
Elenco: Luke Hawker, Rose Byrne, Maddie Lenton, Hazel Sandery, Tahlia Sturzaker, Clara Rugaard, Hilary Swank, Jacob Nolan
Duração: 1h53min