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A hegemonia de Chicago na televisão americana!

A hegemonia de Chicago na televisão americana!

Para aqueles que não sabem atualmente na televisão americana existe uma disputa indireta entre os criadores de séries Shonda Rhimes e Dick Wolf para ver quem consegue emplacar mais séries novas e interessantes no horário nobre.

Ambos possuem projetos bem famosos e que com certeza vocês já ouviram antes como Grey’s Anatomy, Scandal, How to Get Away With Murder na terra da Shondaland, porém, Dick Wolf se concentrou em um projeto por vez e tudo começou com a cidade de Chicago em Chicago Fire lá em 2012.

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Wolf decidiu começar com o corpo de bombeiros e mostrar toda a luta de um regimento dentro e fora do departamento para conseguir salvar suas vítimas e também lidar com a vida pessoal deles. Contudo, ao passo que as histórias iam se desenvolvendo e a trama ficando cada vez mais tensa e necessitando que outras forças se envolvessem, chegou a hora de aliar o Corpo de Bombeiros com um Departamento de Polícia, também em Chicago é óbvio, mas como fazer isso da forma correta? E qual seria essa maneira? Foi então que Wolf decidiu apresentar o Sargento Hank Voight que ficou no pé do Tenente Casey após um acidente de carro envolvendo o filho alcoolizado do Sargento e que acabou deixando uma vítima paralítica. Depois de muitas brigas e do Sargento ter tentando limpar a participação do filho no acidente, ele vai preso e sai da cadeia com o primeiro spin-off de Chicago em mãos e líder da equipe tática da inteligência.

Porque há um limite sobre o que os Bombeiros podem fazer e para tal precisam da ajuda da Polícia. O personagem do ator Jason Beghe teve uma participação tão marcante no final da primeira temporada que acabou conseguindo emplacar a sua própria série e descobrimos que ele estava apenas fingindo ser um policial corrupto para desmascarar outros da corporação. Boa jogada Wolf!

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Em Chicago P.D. vemos a equipe liderada por Hank Voight enfrentar tanto crimes do dia a dia como outros mais sérios envolvendo o crime organizado, como tráfico de drogas e até criminosos perigosos como assassinos impiedosos. Há uma química muito boa entre a equipe e a série procura focar muito mais nos casos a cada episódio do que nos problemas pessoais dos personagens que aparecem vez ou outra, em episódios espaçados, porém, não atrapalham o caminhar do seriado e nem obrigam o espectador a acompanhar a série com regularidade, ficando a critério de cada um. Todavia, perde-se a evolução dos personagens e as mudanças que ocorrem caso um ou outro venha a mudar de posição ou até mesmo falecer, afinal, ninguém é insubstituível com exceção do próprio Voight.

Bombeiros enfrentam situações de risco, prédios pegando fogo, acidentes sérios, assim como Policiais que estão sempre perigando levar um tiro e quando eles se machucam o que fazem? Isso mesmo, correm para o hospital e assim Dick Wolf emplaca sua terceira série situada na cidade de Chicago e que de início seria apenas um mid-season para preencher o espaço na programação, mas que acabou conquistando o público e também uma audiência sólida e com isso garantindo uma primeira temporada com renovação para a próxima. Bem vindos ao Gaffney Chicago Medical Center.

Sobre essa série consigo escrever com mais propriedade porque é a que acompanho desde o começo. Seriados com temática de hospital sempre me cativaram desde ER e depois com House M.D. e não parei mais. Contudo, não tenho esse mesmo apreço por Grey’s Anatomy, vai entender.

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O que mais me chamou a atenção em Chicago MED foi a dinâmica dos personagens e a forma que os cargos hierárquicos foram distribuídos pensando numa maior diversidade do próprio elenco. Diferente das duas séries mencionadas acima que possuem homens em papéis de liderança, o hospital é chefiado por uma mulher afro-americana e que não faz disso uma arma para se fazer ouvir ou ter suas ordens acatadas. Não. Sharon Goodwin vivida pela atriz Sharon Epatha Merkerson só precisa olhar e falar com um tom de voz ameaçador para ser obedecida. Conforme vamos acompanhando os episódios da primeira temporada, descobrimos que ela começou como Enfermeira-Chefe e conseguiu galgar os degraus até o cargo máximo dentro do hospital e justamente por isso ela trata todos da sua equipe com a maior diplomacia, sem favorecer a ninguém. Além dela há outras mulheres em papéis de destaque e cargos importantes, mas nada disso é usado como artifício de roteiro dentro do show e por isso mesmo a série é tão interessante.

No mais, os dilemas apresentados em cada episódio, tal qual os diagnósticos médicos e evolução dos personagens naquele ambiente tornam Chicago MED um deleite principalmente se você curte seriados do gênero. Claro que na vida real não é nem de longe assim que os tratamentos funcionam, mas assistimos seriados justamente para fugir da realidade, então nesse quesito não chega a importar tanto. Ainda assim, a dedicação para com cada caso e a maneira como exemplificam a rotina de um hospital, torna tudo mais interessante. Fora que não são apenas histórias de emergências, temos casos de pediatria, psiquiatria, cirurgia e outras modalidades que contribuem na dinâmica da série e também dos personagens. E qual a ligação dessa com as demais séries de Chicago? Pois bem, temos um Dr. William Halstead que vem a ser irmão do Detetive Jay Halstead que trabalha na Divisão de Inteligência de Chicago P.D. Will se mete numa confusão ideológica logo na primeira temporada e que nos deixa pensando sobre o papel do médico na vida do paciente e o quanto ele tira de humanidade na hora de lidar com casos mais sensíveis.

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E, por último, mas não menos importante e que nem está na imagem de capa desse post teremos o Chicago Justice. É isso mesmo! Depois dos Bombeiros, Policiais e Médicos, agora Dick Wolf surge com os Advogados e Procuradores e tudo mais o que englobar leis e tribunais na cidade. Todavia, antes mesmo do piloto ser aprovado o Dick Wolf jogou os personagens num episódio de Chicago P.D e eles conseguiram sua própria série que começa em 05 de Março, mas antes vão concluir um crossover entre as séries e que vai resultar num episódio especial que vai ao ar em 01º de Março.

A série vai ser obviamente baseada em Chicago só que mais focada na parte da politicagem da cidade, como funciona o caminhar dos processos e até mesmo o envolvimento com a mídia e como influencia de modo positivo ou negativo nos casos que o escritório vai comandar e a opinião pública.

Com essas quatro séries de Dick Wolf, dou por encerrado o artigo e com tantas opções, só escolher aquela que mais lhe agradar e vai na fé!