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“A Primeira Noite de Crime” escorrega no tema

“A Primeira Noite de Crime” escorrega no tema

Uma das principais funções de um filme é se ater a premissa e caminhar com ela até o final. Então, como pode A Primeira Noite de Crime escorregar dentro do próprio tema?

Lá em 2013 quando o primeiro longa dessa franquia foi lançado, o público se viu dentro de uma trama em andamento. Uma família, morando numa casa muito bem equipada, se vê ameaçada por um grupo de estranhos. Nem todos os equipamentos de segurança foram suficiente para deixar os baderneiros do lado de fora. E durante 1h25min vemos Ethan Hawke tentar proteger a sua família na noite nacional de expurgo (o purge do título original).

Com base nessa noite na qual durante 12 horas todos os crimes estão liberados, mais dois filmes foram lançados, incluindo até uma série para a televisão. Todavia, a pergunta permaneceu na mente de todos: como surgiu esse tal “dia do expurgo”?

E é assim que surge A Primeira Noite de Crime a fim de explicar a origem desse fatídico dia.

O FILME

Um dos grandes problemas da franquia é a constante troca de personagens, algo que enfraquece a continuidade dos filmes.

Em Uma Noite de Crime nós tivemos a presença de Ethan Hawke, para chamar a atenção do público. No filme seguinte temos Frank Grillo e Carmen Ejogo, no papel principal. Então Grillo retorna para o terceiro filme da franquia, mas num outro papel e agora temos Marisa Tomei. Só que diferente de seus colegas ela ocupa um papel secundário e dispensável. O que deixa os demais personagens com a função de chamar a atenção do espectador e prendê-la a eles do começo ao final do filme.

Um grupo de desconhecidos, sem muito carisma, com diálogos rasos e que ficam espalhados durante grande parte do tempo. Possuem espaço limitado para desenvolvimento e isso acaba por prejudicar qualquer empatia que possa surgir por parte do público.

A escolha desse grupo é até compreensível, dentro do que A Primeira Noite de Crime tenta propor, mas, como mencionado lá em cima, tropeçam dentro do próprio tema, misturando política, com crítica social e moral, o que atrapalha a evolução do longa e compreensão da história como um todo.

CRÍTICA SOCIAL

Desde o primeiro filme há uma crítica social latente e que foi bastante reforçada aqui. Em especial quando posicionam o local do teste do dia do expurgo numa ilha onde a criminalidade é alta e a maioria dos habitantes são negros e de baixa renda.

Tal decisão vem de um grupo político composto principalmente de homens brancos e que vão utilizar de quaisquer meios necessários para fazer valer a sua vontade. Quanto os habitantes, vão se ver obrigados a aderir ao tal dia por mera questão de sobrevivência. É literalmente matar ou morrer.

Tanto descaso, o que inclui até mesmo campanhas promocionais do filme, estão diretamente ligadas a situação atual dos americanos que se encaixam no perfil dos personagens. Fica claro que é uma crítica social direta ao governo americano e a forma como os negros vem sendo tratados. Não apenas isso. Como o discurso de que é preciso começar “limpando por baixo” faz todo sentido dentro do cenário político deles.

E por isso o A Primeira Noite de Crime escorrega no próprio tema. Pois não sabe se continua na premissa distópica que foi estabelecida pela franquia, com mortes exageradas ou se aproveita a oportunidade e usa o momento para tecer uma crítica social. No fim, não consegue nem uma coisa e nem outra.

Ficha Técnica
Diretor: Gerrard McMurray
Roteiro: James DeMonaco 
Elenco: Y'lan Noel, Lex Scott Davis, Mugga, Joivan Wade, Patch Darragh, Marisa Tomei, Luna Lauren Velez, Kristen Solis, Rotimi Paul, Mo McRae, Jermel Howard, Siya, Christian Robinson, Steve Harris, Derek Basco
Duração: 1h38min 
Lançamento: 27 de setembro