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A relevância de “Arrow” para as séries de heróis

A relevância de “Arrow” para as séries de heróis

Quando todos pensavam que séries de heróis tinham acabado, Arrow surge não apenas para provar o contrário, como também renovar o gênero na televisão. Numa época em que uniformes eram proibidos e nem Clark Kent podia voar, o arqueiro esmeralda tomou como missão pessoal pavimentar esse caminho e assim abriu inúmeras portas.

Arrow é uma criação de Greg Berlanti, Marc Guggenheim e Andrew Kreisberg. Os dois primeiros amargaram o fracasso que foi Lanterna Verde nos cinemas. Sim, o famigerado filme com Ryan Reynolds. Berlanti e Guggenheim atribuem o fracasso ao fato de que perderam o controle criativo para os executivos da Warner Bros. Algo que já vimos por aí em outras produções do mesmo estúdio. Portanto, quando esses mesmos executivos lhes chamaram para ficar à frente de outro projeto eles foram categóricos, o controle criativo é todo nosso ou não vai funcionar. E assim, Arrow estreava na televisão em 10 de outubro de 2012.

Com uma tarefa complicada em mãos, a ideia era mudar a forma que séries do gênero se apresentavam ao público. Não podiam fazer igual então acrescentaram diversos elementos que ajudariam a moldar o caráter do personagem Arqueiro Verde na série que em nada se parece com aquele retratado nos quadrinhos.

ORIGEM DO HERÓI

O playboy e milionário Oliver Queen é dado como morto após naufragar durante uma tempestade. Ele acaba indo parar numa ilha onde passa cinco anos. Mas o público só descobre como foi a vida dele lá durante flashbacks. O que rende muitas piadas depois. Antes um garoto mimado, Oliver volta para Star City transformado. Decidido a se vingar pela morte do pai – que estava com ele no momento do naufrágio – veste o manto de arqueiro e dá início a sua caçada. Aos poucos ele descobre quem são os corruptos da cidade e os captura um a um. Nesse meio tempo vai adicionando membros à sua equipe. O ex-militar John Diggle, a divertida e genia da computação Felicity Smoak (com quem se envolve romanticamente) e a advogada e futura Canário Laurel Lance.

Juntos lutam contra os mais diversos tipos de inimigos que envolve desde pessoas com dinheiro e inescrupulosas, até membros da máfia, outros arqueiros e eventualmente meta-humanos. Durante um bom tempo o grande inimigo de Oliver foi Malcolm Merlyn. O milionário e antigo amigo da família que revelou ser o pai biológico de Thea, sua irmã. Merlin tinha planos mirabolantes para a cidade e queria destruir a parte onde sua esposa foi morta.

A primeira temporada termina com Tommy Merlyn se sacrificando para salvar Laurel. Metade do Glades explode enquanto Oliver está desolado pela perda do amigo. O sucesso de Arrow foi enorme. A série registrou picos de audiência que o canal CW não via desde Vampire Diaries. Era o momento de expandir esse universo que passou a ser chamado de arrowverse.

ARROWVERSE

No início uma das regras que Berlanti e Guggenheim impuseram foi: nada de super poderes e nada de viagem no tempo. Mas, conforme a temporada ia rolando, pensaram que talvez fosse bom ter outro herói para ajudar o Oliver. Afinal, isso acontece o tempo todo nos quadrinhos.

Mas os dois sabiam que criar um universo dá trabalho. Porque os heróis precisam funcionar em separado sem co-depender do outro para a história evoluir. E assim surgia Barry Allen no episódio 8 da segunda temporada de Arrow. Lá somos apresentados ao jovem Barry que é um CSI da polícia de Central City e vai até Star City investigar uma invasão as indústrias Queen. Oliver pensa que ele foi lá a mando da polícia, mas Barry está investigando por conta própria. No final do crossover vemos Barry ser atingido por um raio e o resto é história. The Flash estreia oficialmente em 7 de outubro de 2014 superando expectativas e quebrando os recordes de audiência do canal CW.

Em 2015 a série da Supergirl estreia*, só que Kara Danvers pertence a outro universo. Mas era óbvio que em algum momento ela iria se juntar ao Flash e Arqueiro Verde abrindo assim o conceito de multiverso. No ano seguinte Legends of Tomorrow estreia com os heróis e heroínas cujos arcos originais haviam encerrado em Arrow e também The Flash. E em breve vai ser a vez da Batwoman.

*Inicialmente Supergirl estreou no canal CBS mas foi cancelada após uma única temporada sendo então salva pelo canal CW.

CROSSOVER

E como é preciso apresentar os personagens antes que eles ganhem sua própria série, usar o crossover foi a maneira mais perspicaz que os criadores encontraram. Não só por isso, mas também porque eles poderiam utilizar outras narrativas sem interferir diretamente na trama original de cada série.

  • Primeiro crossover é a disputa entre Flash e Arrow.
  • Segundo crossover foi chamado de Heroes Join Forces onde Arrow, The Flash e os Legends of Tomorrow se juntam para capturar Vandal Savage.
  • Terceiro crossover foi chamado de Invasion! e contou com a participação da Supergirl.
  • Quarto crossover foi chamado de Crisis on Earth-X e muito se assimilou a um longa metragem onde os personagens das séries encontraram suas metades de outra Terra.
  • Quinto crossover foi chamado de Elseworlds e o responsável por estabelecer a presença da Batwoman no universo das séries.

Por se tratar de eventos paralelos, não há obrigatoriedade de acompanhar as séries episódio por episódio. O que é uma ótima estratégia porque fica a cargo do espectador escolher ou mesmo se interessar em acompanhar a série.

ABRINDO PORTAS

A empreitada de Berlanti, Guggenheim e Kreisberg rendeu frutos para a “rival” Marvel que também abraçou a tela pequena. Em 2013 estreava Marvel Agents of SHIELD na ABC que também vai acabar com um total de 7 temporadas.

Logo depois vieram Agent Carter, Demolidor, Jessica Jones, Luke Cage, Punho de Ferro e Justiceiro. Essas cinco últimas uma parceria entre Marvel e Netflix. Outras emissoras e serviços de streaming também decidiram lançar suas próprias séries Marvel e a Hulu tem Runaways, Freeform tem Cloak & Dagger e a ABC tentou e fracassou com Inhumans.

Tantos títulos só provam que havia uma lacuna a ser preenchida nesse mercado consumidor de quadrinhos e super heróis. E que basta um único projeto para dar movimento na onda. Foi assim no cinema com os filmes dos X-Men e Homem de Ferro. Arrow é o equivalente para a televisão.

É HORA DO ADEUS

Após quase uma década no papel, o ator Stephen Amell sente que é hora de pendurar o manto verde do arqueiro. A ideia inicial era encerrar na sétima temporada, mas os criadores o convenceram a retornar para mais uma.

Na 8ª temporada que estreia em 15 de outubro vai ter apenas 10 episódios ao invés dos costumeiros 22 episódios. Diferente das outras vezes, o crossover vai ditar o tom para a temporada final de Arrow. Chamado de Crise nas Infinitas Terras, tal qual o quadrinho de mesmo nome, vai levar Oliver a percorrer o multiverso a fim de salvá-lo da completa destruição. Isso se a profecia do Monitor estiver realmente correta. O protagonista descobre que vai morrer, então, durante todos os episódios dessa última temporada, vamos vê-lo aceitar o seu destino passando por todos os estágios do luto.

O painel de Arrow na San Diego Comic Con foi bastante emotivo, assim como o depoimento de todos aqueles que são parte do arrowverse. Stephen Amell se emocionou algumas vezes no painel. Berlanti e Guggenheim creem que grande parte do sucesso da série se deve a dedicação de Amell ao papel. Ele é um super herói sem super poderes, mas que nos ajudou a construir com louvor esse universo. Se isso não é ter super poder, não sei mais.