Share
A angústia prevalece em “Um Lugar Silencioso”

A angústia prevalece em “Um Lugar Silencioso”

Produzir um filme não é algo fácil. E com Um Lugar Silencioso, John Krasinski mostra que sabe atingir o espectador no ponto certo. É angustiante do início ao fim.

O curioso é que para um ator mais dedicado as comédias, não era de se esperar que fosse optar por um longa de terror para estrear na direção. Porém, Krasinski é um homem de família e foi isso o que lhe chamou a atenção ao receber o roteiro.

Um Lugar Silencioso começa com essa pequena família de cinco pessoas em busca de mantimentos numa cidade deserta. Uma das crianças está doente e eles precisam de remédios. Nenhuma palavra é proferida. As crianças não riem, mesmo que uma delas fique correndo entre os setores da loja. O único barulho é o do vento. Toda a comunicação é feita por olhares e linguagem dos sinais. E de alguma maneira esse silêncio todo é alarmante. Descobrimos então que é a única forma de sobreviver em meio a criaturas desconhecidas. Só que não é uma tarefa fácil manter-se em silêncio por tanto tempo. Ainda mais com crianças.

O clima que permeia todo o longa é o de angústia. Porque o espectador teme que o menor dos barulhos possa atrair a criatura e, assim, adeus aos personagens. Também é o medo deles. E é essa ligação imediata que nos faz não desgrudar os olhos da tela em nenhum instante. Nem mesmo proferir algum som.

Não há uma explicação para os eventos que geraram essa situação. Não sabemos ao certo como essas criaturas foram parar ali e isso também não importa. A atenção recai inteiramente em cima dessa família e como eles lutam para sobreviver dia após dia. Como encontraram meios de abafar todo e qualquer som a fim de seguir com a vida. Os tapetes pela casa, as peças trocadas do tabuleiro, a toalha dentro da pia, comer com as mãos, os longos caminhos de areia, entre outros. Mesmo assim, não há uma garantia definitiva de nada.

Então como que um filme sobrevive quase que sem diálogo nos dias atuais? A resposta está na atuação. O elenco de Um Lugar Silencioso – que inclui a atriz Emily Blunt, esposa de Krasinski – aposta nos gestos e olhares. Os personagens vivem num constante estado de atenção e isso é visível seja através de um olhar ou na tensão corporal. Não tem um minuto de tranquilidade e, quando parece estar tudo bem, a mesa vira e é hora de se proteger. Blunt em especial mostra todo o seu potencial como atriz. Com destaque para a cena da banheira que figura em um dos trailers. Ali é possível sentir tudo o que a personagem está passando e não ter a certeza se ela vai sobreviver ou não.

O filme possui alguns pontos falhos, mas que não o comprometem. Não tenta ser perfeito e para um primeiro projeto de alguém, está até acima do esperado. Afinal, a proposta de Krasinski é que assim como ele ao receber o roteiro, o espectador se importe com o destino dessa família. E é só nisso que a gente consegue pensar do primeiro ao último minuto de Um Lugar Silencioso.

Ficha Técnica
Diretor: John Krasinski 
Roteiro: Bryan Woods, Scott Beck, John Krasinski 
Elenco: Emily Blunt, John Krasinski, Noah Jupe, Millicent Simmonds, Leon Russom, Cade Woodward 
Duração: 1h30min 
Estreia: 5 de abril