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“Antes Que Eu Vá” abusa do clichê de tempo

“Antes Que Eu Vá” abusa do clichê de tempo

A sensação do tempo é algo único e inerente a cada um de nós. Complicado medir ou quantificar, o que muito tem se feito desde os primórdios do cinema e a adaptação Antes Que Eu Vá não faz diferente.

O conceito do ‘e se…’ permeia muito a vida de qualquer pessoa que deseja poder reviver algum dia e fazer diferente para saber quais seriam os resultados. Bem, para Samantha não foi bem um desejo, está mais para uma imposição do destino quando ela e mais três amigas sofrem um acidente de carro ao sair de uma festa e ela acorda naquela mesma manhã de sábado, em sua cama, revivendo as mesmas conversas e situações como se tudo não passasse de um enorme pesadelo.

Conforme encara o dia, Sam percebe que tudo aconteceu de verdade e que ela morreu naquele acidente. Então, por que viver tudo de novo? Qual é o sentido dessa brincadeira sem graça do universo? São as perguntas que se faz enquanto tenta entender o seu papel e o que deve fazer para seguir em frente.

Antes Que Eu Vá é baseado no best seller da autora mundialmente conhecida Lauren Oliver e que aparentemente passa um recado muito simples: viva cada dia como se fosse o último. Samantha é uma garota popular, linda, inteligente, com amigas populares como ela e um namorado perfeito, o que mais poderia querer? A intenção da autora e do filme dirigido por Ry Russo-Young é tentar romper essa barreira egoísta que parece rodear os adolescentes, em especial do famigerado high school americano, para que prestem mais atenção a quem está do lado e no impacto que possuem na vida dessas pessoas, sejam elas colegas de classe ou familiares.

No caso de Samantha ela é distante dos pais, destrata a irmã mais nova e não vê problema algum no comportamento agressivo que ela e as amigas tem em relação a outra estudante. Tudo vem à tona quando ganha a oportunidade de analisar essas pessoas e a si própria sob diferentes perspectivas e é aqui que o longa tenta passar algumas lições.

A questão é que a solução para a virada do destino de Samantha é frágil e apresentada quase que de imediato ao espectador, restando-nos apenas esperar e ver mais do crescimento pessoal da personagem do que a sua busca por redenção em si. O longa também encontra dificuldades em sua proposta ao entrar em conflito sobre se é possível ou não uma pessoa mudar por completo e mudar também aqueles ao seu redor, ainda mais num curto período de tempo, já que estamos lidando com menos de 24h no dia de uma pessoa. Tópico que acredito seja melhor desenvolvido nas paginas do livro do que foi em tela.

Zoey Deutch que interpreta a personagem principal é o que prende a nossa atenção durante todo o longa, pois consegue sustentar com sutis expressões faciais as questões que descobre cada vez que revive o mesmo dia. É como ver alguém amadurecendo, mas numa velocidade de tempo bem instantânea. O que também acontece ao personagem de Bill Murray no clássico Feitiço do Tempo, onde seu personagem fica preso em um único dia, numa cidadezinha remota e precisa encontrar formas criativas fazer tudo de novo e não enlouquecer ao passo que se desprende de um comportamento taciturno, mesquinho e amargo.

Antes Que Eu Vá não apresenta nada de novo, abusando dos familiares conceitos de tempo e promete surpreender com seu desfecho que é típico da literatura de Lauren Oliver.