Share
“Aquaman” é puro entretenimento

“Aquaman” é puro entretenimento

Aquaman é um filme de origem sem ser um e que procura se distanciar do gênero super herói. Mas só um pouco mesmo, já que o personagem principal é metade humano.

Logo no início temos a narração do próprio que explica como seus pais se conheceram. Somos apresentados à rainha Atlana (Nicole Kidman) que estava foragida e acaba esbarrando em um simples faroleiro. Os dois se apaixonam e o resto dá para imaginar. Infelizmente, esse começo com cara de final feliz não termina bem. A rainha é localizada e obrigada a retornar para Atlântida como traidora. Arthur cresce sabendo que é filho de dois mundos e lidando com isso da melhor forma possível. O que significa resgatar navios, barcos e outros que estejam perdidos no mar. Todavia, ainda se ressente com o fato de não ter podido crescer ao lado da mãe.

O roteiro não é um dos pontos fortes de Aquaman que procura redirecionar seus esforços para as cenas de aventura e a construção desse novo mundo subaquático. O que acaba por se tornar o grande chamariz do longa. James Wan se dedica a construir esse mundo como nunca imaginado antes. Divide bem os elementos que fazem parte do universo do personagem e apresenta-os para o público sem necessitar de muitos diálogos. Afinal, mesmo que Aquaman seja um personagem conhecido, poucos de fato sabem ou mesmo se interessam pela sua origem.

É com essa ideia em mente que o diretor decide meio que desconstruir o personagem dos quadrinhos e criar uma mistura mais atual, usando a origem do ator Jason Momoa. Por isso, ao invés de um Arthur Curry mais diplomático, temos um Arthur mais cômico, que se esconde atrás de piadas e usa de elementos maori em suas lutas. Uma mistura que funciona bem ao passo que o longa se desenvolve. O que garante a Momoa uma atuação mais crível do que a que vimos em Liga da Justiça.

Os demais atores são bem aproveitados em cena, mas nenhum tem tanto destaque quanto o protagonista. Amber Heard como Mera quase chega lá. Suas cenas com Arthur são divertidas, inusitadas e sua personagem tem força. Por outro lado, Yahya Abdul-Mateen II fica em segundo plano com o Arraia Negra e o gancho deixado pode nem ser utilizado no futuro. Ou seja, um bom personagem que talvez fique pelo meio do caminho.

Aquaman abusa dos elementos visuais aquáticos e acaba por conquistar o espectador. As cores utilizadas, a fotografia, tal qual o uso de computação gráfica, foram precisos e essenciais. Dessa forma, é possível abstrair outras falhas como problemas no uso do CGI e o roteiro raso, como mencionado anteriormente. Contudo, nada disso tira o mérito de James Wan que consegue entregar um filme ousado e diferente dos outros que fazem parte do DCEU.

Sem dúvida Aquaman mesmo com um roteiro raso e falhas consegue levantar a barra da moral da Warner Bros. e DC para com o público.

OBS: Tem uma cena no meio dos créditos. Não saia do cinema antes de assistir!
Ficha Técnica
Diretor: James Wan 
Roteiro: David Leslie Johnson-McGoldrick, Will Beal 
Elenco: Jason Momoa, Amber Heard, Nicole Kidman, Willem Dafoe, Patrick Wilson, Dolph Lundgren, Yahya Abdul-Mateen II, Temuera Morrison, Ludi Lin, Michael Beach, Randall Park, Graham McTavish, Leigh Whnanell, Tainui Kirkwood, Tamor Kirkwood
Duração: 2h23min 
Estreia: 13 de dezembro