Share
“The Birth of a Nation” e a determinação de um ator

“The Birth of a Nation” e a determinação de um ator

Estamos em meio ao rebuliço sobre a questão do #Oscarssowhite e como os artistas que são minoria em Hollywood devem ter o mesmo tipo de chance de brilhar em produções tanto quanto os demais atores. Muitas opiniões circulam na internet tem semanas. Algumas a favor do boicote à premiação. Algumas acham que apenas o boicote não é suficiente e que a questão é mais enraizada e problemática do que apenas os indicados da cerimônia. Outros acham que é questão de meritocracia, ganha indicação quem se sai melhor. Enfim, inúmeras e conturbadas opiniões que tem povoado a internet.

Antes mesmo da maior premiação do cinema ocorre o Festival de Sundance em Utah nos Estados Unidos. O festival, que foi criado pelo ator Robert Redford, tem como intuito promover o cinema independente e fazer com que eles ganhem mais espaço e consigam contratos com grandes estúdios. E um título em particular conseguiu bastante atenção da mídia americana: Birth of a Nation.

O longa é baseado no romance The Fall of a Nation escrito por Thomas Dixon Jr. e já teve sua adaptação cinematográfica em 1916, sendo sequência do clássico de D.W. Griffith. E agora volta nas mãos de Nate Parker que largou a carreira de ator por dois anos para se dedicar a juntar o dinheiro e financiar o projeto que ele dirigiu, escreveu, produziu e também atua. Parker levou sete anos para aperfeiçoar o roteiro e achar que estava pronto para ser transformado em filme. Mas, carregava a história consigo há muito mais tempo.

birth

“Tendo crescido como um homem negro no Sul, você é ensinado a respeitar as poucas histórias de heroísmo presente no lugar,” e mesmo tendo nascido na Virgínia o ator só foi descobrir a história de Nat Turner, o líder da rebelião de escravos ocorrida no século 19, ao fazer o curso de História Afro-Americana na faculdade. “Imagina a minha consternação ao descobrir que um dos grandes homens que andou por essa terra, cresceu e viveu e lutou a algumas milhas de onde eu cresci.” Parker se formou, estrelou em alguns filmes, porém, ficou frustrado com a maioria dos papéis que chegavam em suas mãos. “Poucos tinham integridade… Como homem negro, quando você sai dos testes não querendo ter conseguido aquele papel se pega imaginando como é que vai explicar para a sua família caso o tenha conseguido.”

birth_of_a_nation

Foi então que decidiu que era hora de Hollywood prestar atenção em algo mais substancial e com auxílio de alguns mentores passou a colocar sua ideia em prática. Entretanto, ouviu que a história que queria contar não seria ouvida. Que ninguém quer ver negros no papel principal e que seu produto não seria vendido para grandes estúdios. Afinal, o personagem em questão tem várias mortes de homens brancos nas costas durante os conflitos da época. Todavia, Parker não esmoreceu e investiu ele próprio os primeiros U$100.000 dólares para iniciar a produção. E então outros nomes entraram na jogada como Michael Finley, jogador de basquete aposentado que também investiu no filme de Lee Daniels, O Mordomo da Casa Branca.

Birth of a Nation ou O Nascimento de Uma Nação foi filmado em 27 dias e exigiu muito da equipe, mas não a toa se tornou o maior sucesso no Festival de Sundance conseguindo a aprovação do público que ovacionou o longa. Mas a história não para aqui. O filme teve seus direitos adquiridos pela FOX Searchlight, dias após a estréia em 25 de Janeiro, pela bagatela de U$17.5 milhões de dólares. Parker recusou outras ofertas milionárias da SonyNetflix, Universal Pictures, para citar alguns, e ficou com o mesmo estúdio que apostou em 12 Anos de Escravidão, mesmo que a oferta acordada tenha sido menor do que a proposta pelos outros estúdios de acordo com rumores.


Certamente o nome de Nate Parker entrou para a história não apenas pela quantia do dinheiro que ele conseguiu com seu projeto, mas por mostrar um exemplo de determinação ao pegar o touro pelo chifre e ser a diferença que por muito tempo esperou partir de terceiros.