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“Black Lightning” é um herói atual e necessário!

“Black Lightning” é um herói atual e necessário!

Geralmente espero alguns episódios antes de tecer uma análise. Mas, com Black Lightning não consegui segurar. O episódio piloto lançado nesta terça-feira (16) fala da ressurreição do personagem. Mas, vamos voltar um pouco.

O personagem Black Lightning (Raio Negro no Brasil) foi criado pelo roteirista Tony Isabella e o artista Trevor Von Eeden e apareceu a primeira vez em abril de 1977. Na conhecida Era de Bronze dos quadrinhos. Nomeado Jefferson Pierce cresceu em Southside, uma área bem violenta de Metropolis. Dentro do universo da DC Comics ele é um humano que nasceu com habilidades e também são conhecidos como meta-humanos.

Retorna a sua cidade natal depois de um tempo fora devido a uma tragédia e se torna diretor da Garfield High School. Desde então vem reprimindo seus poderes, que utilizava para combater criminosos, líderes corruptos e quem mais ameaçar a paz na área em que mora. E também proteger aqueles que ama. Seus poderes consistem em manipular e gerar energia elétrica. É o primeiro super-herói negro da DC Comics e também a figurar em uma revista solo.

E Black Lightning (Cress Williams) embarca exatamente neste ponto de origem do personagem que não é tão jovem quanto seus colegas das outras séries do canal. Bom lembrar também que não faz parte do arrowverse, logo, nada de esperar que vá aparecer num crossover.

Os criadores Salim Akil e Mara Brock Akil atestam que a intenção sempre foi essa. Que ele estaria fora desse universo, vivendo em seu próprio mundo e com seus problemas. Lidando com vilões mais reais e sem poderes. Por isso que o personagem não pode fazer parte de um universo fictício de super-heróis. Porque mesmo que o dele também seja, as cenas retratadas são similares com o que muitos negros americanos passam diariamente. 

A série começa dentro de uma delegacia com Jefferson esperando uma de suas filhas ser liberada. Nesse ínterim, observa na televisão mais uma manifestação contra a gangue local e que acabou num confronto com a polícia. Por isso Anissa (Nafessa Williams) havia sido presa. No caminho para a escola, onde ele iria discursar num jantar beneficente, são parados pela polícia. Sem pestanejar o policial arranca Jefferson do carro, joga-o com a cara no porta-malas e lhe algema. Sem dar qualquer explicação enquanto o parceiro aponta uma arma para suas filhas no carro que protestam quando aquele absurdo. O policial encaminha Jefferson até a viatura da polícia e mostra-o a uma senhora sentada no banco de trás. Ela informa que não é ele quem procuram. Jefferson é liberado para seguir, mas questiona o policial que debocha dele. É então que algumas luzes começam a piscar. Mas logo voltam ao normal.

Em apenas alguns minutos de série é possível perceber o quão impactante vai ser. Não anuncia quando e nem de onde o preconceito vai surgir, porque bem, não é assim na vida real?

Só que as coisas complicam exponencialmente quando Jennifer (China Anne McClain) – a filha caçula – mente para o pai e a irmã e vai parar numa boate que pertence a gangue local: os 100. Ela acaba chamando a atenção de um dos asseclas do chefão sem saber com quem o rapaz está envolvido. Os dois ficam na mira de Lala (William Catlett) o chefe e é graças ao seu pai que a situação não piora. Daí para frente, com sua família em perigo, é hora do retorno de Black Lightning que há 9 anos deixou de patrulhar as ruas.

O episódio piloto inteiro é um soco na cara do espectador. Não apenas pela temática, mas os diálogos bem construídos, os atores, a ambientação, a trilha sonora… é tudo tão acertado que nem parece uma série da CW. As outras não são ruins, não é isso. Mas é que Black Lightning possui uma atmosfera mais adulta e séria, bem diferente de Arrow, The Flash e Supergirl, por exemplo. Realmente, não faria sentido pertencer a esse mesmo universo.

Os questionamentos de Jefferson, se deve voltar ou não a patrulhar a cidade, são pertinentes. Acha que como Diretor consegue ajudar as crianças e o bairro de uma outra forma. Mais presente e com supervisão constante. Ficar perto da família, não perder nenhum momento. Só que as coisas estão piorando do lado de fora e ele não pode mais fingir que não está vendo. Até porquê um antigo inimigo está de volta. Alguém responsável por ele ter vestido o manto do Black Lightning a princípio.

Black Lightning tem um episódio piloto que te deixa impactado e querendo mais. Principalmente com o gancho no final de que ele não vai ficar combatendo o crime sozinho por muito tempo. É uma série mais adulta, família de certa maneira, e que vai ter assuntos atuais. Embora o personagem vista um traje e solte raios pelas mãos. Impressionante como algumas coisas são atemporais. Black Lightning foi criado em 1977 e em 2018 continua tão revelante e combatendo as mesmas questões.

A série chega na Netflix em 23 de janeiro com um episódio por semana. Fica ligado!