Share
“CAM” – Muito mais que um “Black Mirror”

“CAM” – Muito mais que um “Black Mirror”

A tecnologia está bastante presente no mundo atual, e não dar pra escaparmos dela. Cultura, política e sociedade estão presentes na internet e não tem como discordar disso. E pela necessidade humana do consumo constante por essas informações, o meio virtual pode nos causar uma prejudicial dependência.  Nisso, Cam, novo lançamento da Netflix, chega como um terror bastante aclamado nos principais festivais, por explorar as piores consequências possíveis na manipulação desse vício.

A história foca em Alice (Madeline Brewer), uma garota que se exibe na internet, por meio de uma Webcam. Ela utiliza de um planejamento intensivo para conseguir alcançar o topo de visualizações nesse mundo enigmático e desconhecido da Internet. Mas tudo isso, mantendo regras bem fixas como: manter separada sua vida pessoal da profissional, não iludir os espectadores e muito menos se relacionar fisicamente com eles.

Entretanto, algo dá muito errado na jornada de Alice. Ela, simplesmente, acaba perdendo o acesso de sua conta. E assim começa a viver um terror psicológico dentro dela por começar a ver que sua plataforma foi dominada por uma réplica perfeita dela, que começa a desrespeitar todas as regras estipuladas, anteriormente, por Alice, colocando a mesma em perigo.

A partir disso temos o maior acerto do longa, pois ele consegue criar tensão e medo, misturado com a incerteza e o desconhecido que o mundo da Web nos proporciona. É algo parecido com um episódio qualquer de Black Mirror. Porém aqui não há uma busca em mostrar o lado negativo da tecnologia. Mas sim expor a ansiedade que ela nos desperta. Seja com suas violações de privacidade, manipulação de dados e ataques virtuais.

A roteirista Isa Mazzei consegue nos trazer um argumento extremamente plausível de que quanto maior a nossa dependência da internet, maior pode ser nossa futura queda. Pois ali temos um lugar exposto a ataques maldosos, sem nenhum motivo aparente.

Outro fator, que merece elogio, é a atuação de Madeleine Brewer (a Janine de The Handmaid’s Tale) no papel da protagonista. Vemos que a atriz consegue interpretar de maneira sincera as duas versões, completamente diferentes, da protagonista. A ambiciosa Alice, uma menina que quer por que quer alcançar suas metas, sendo reservada ao extremo; e a Lola, seu alter-ego virtual que possui um carisma gigante e que consegue hipnotizar o público.

Pelo lado técnico, é importante ressaltar a fotografia. O filme é idealizado de uma forma extremamente fechada e sufocante. O que condiz bem com a jornada da protagonista. Somado ao excelente uso de cores, que nos transporta para um ambiente surreal.

Resumindo, Cam possui a função de mostrar ao expectador os malefícios de um ambiente online que é perigoso e tóxico, ressaltando que isso não deve mudar tão cedo. Assim, todos nós acabamos sendo vítimas desse sistema perverso.

Ficha Técnica
Diretor: Daniel Goldhaber
Roteiro: Isa Mazzei, Daniel Goldhaber 
Elenco: Madeline Brewer, Patch Darragh, Melora Walters, Devin Druid, Imani Hakim, Michael Dempsey, Flora Diaz, Samantha Robinson, Jessica Parker Kennedy, Quei Tann, Linda Griffin, Clint Jung, Carl Donelson, Brayden Skoglund, Elijah Stevenson
Duração: 1h34min
Serviço: Netflix