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“Capitã Marvel” a primeira heroína do MCU

“Capitã Marvel” a primeira heroína do MCU

São 10 anos de MCU, com quase 20 filmes na lista (se contarmos De Volta Para Casa) e esperamos todo esse tempo para ter uma heroína. Por sorte Capitã Marvel valeu a espera.

Para começar, Carol Danvers não é uma típica heroína de quadrinhos e isso reflete no longa dirigido por Anna Boden e Ryan Fleck. O espectador tem tanta dúvida quanto a própria protagonista sobre quem ela é de verdade. Afinal, é uma das primeiras mulheres piloto de caça da Força Aérea Americana que precisou desde criança provar aos demais que era tão capaz quanto qualquer homem. Todavia, ela transita entre quem querem que ela seja e quem é de verdade. Essa última parte complica pelo fato de não possuir suas memórias. É quando a trama de Capitã Marvel dá início ao seu desenvolvimento.

Em Hala, planeta natal dos Kree, Vers (Brie Larson) tem que aprender diariamente a se encaixar no que lhe é pedido. Seu superior, Yon-Rogg (Jude Law), fala a mesma coisa sempre: controle suas emoções. Ela não pode ser humana, precisa fingir que é um deles e assim conseguir controlar os seus poderes. Só que a teoria é uma coisa e na prática é diferente. Após uma missão dar errado Vers se vê no planeta C-53, ou casa como nós a conhecemos. A oportunidade que ela não sabia que precisava para descobrir um pouco mais do seu passado.

A cronologia de Capitã Marvel não é linear, tal qual o nascer da heroína. Diferente de Diana que tinha alguma noção do que fazer, Vers (como é chamada pelos Kree) não tem ideia alguma de seus próximos passos. Seu instinto lhe manda numa direção contrária as suas diretrizes da missão e, conforme ela vai desvendando mais sobre o seu passado e seus companheiros, mais confusa parece ficar.

Brie Larson desponta bem no papel de uma Carol Danvers enigmática, sagaz e que não perde tempo com frivolidades. Para alguns ela pode parecer apática, quando na real faz parte da construção da personagem. Tudo o que ouve é que precisa suprimir suas emoções. Até estar num ambiente familiar e aí a situação muda a seu favor. O que muito condiz com a construção mais recente da personagem nos quadrinhos. Carol não é muito dada a partilhar sentimentos ou angústias. Uma oficial da Força Aérea, num posto de responsabilidade como comandante da agência que protege a Terra, não pode demonstrar fraqueza. E ainda que no longa a Carol não tenha conquistado a mesma posição que possui nos quadrinhos, ela certamente está se preparando para tal.

Ter uma ambientação nos anos 90 só agregou ao longa. Seja no quesito figurino, cenários, referências e até mesmo música. A trilha sonora tem um repertório quase que inteiramente de vocalistas ou bandas femininas e cheias de hits da época. Tal opção contribuiu também para a construção de outros personagens pertinentes a esse universo cinematográfico: Coulson, Fury e Ronan O Acusador. O artifício da computação gráfica nos dois primeiros é tão bem feita que o espectador até esquece que o longa se passa nos anos 90 e ambos são mais novos. Quanto a Ronan o que mudou foi apenas a pintura em seu rosto para criar um diferencial.

Samuel L. Jackson e Brie Larson formam uma dupla e tanto. Fury por ainda não ter o peso de gerenciar a S.H.I.E.L.D., nem possuir tantas informações assim, entrega uma atuação mais leve e descontraída. O que é bem diferente de como estamos acostumados a vê-lo nos demais filmes. Coulson não aparece tanto assim, mas o suficiente para que sua ligação tenha certo peso nesse universo.

No mais, sem soltar spoilers, Capitã Marvel é o primeiro filme de heroína da Marvel Studios necessário e muito aguardado. Não apenas porque Carol Danvers representa a salvação dos Vingadores na luta contra Thanos, mas também por ser um novo começo para o estúdio.

P.S.: O filme possui 2 cenas pós-créditos. Não saia do cinema antes de assisti-las.

Ficha Técnica
Diretores: Anna Boden, Ryan Fleck 
Roteiro: Anna Boden, Ryan Fleck, Geneva Robertson-Dworet 
Elenco: Brie Larson, Samuel L. Jackson, Jude Law, Annette Bening, Clark Gregg, Ben Mendelsohn, Lee Pace, Lashana Lynch, Rune Temte, Gemma Chan, Algeniz Perez Soto, Djimon Hounsou, Chuku Modo, Matthew Maher, Akira Akbar
Duração: 2h4min 
Estreia: 7 de março