Share
Coletiva com Andy Serkis – “Planeta dos Macacos: A Guerra”

Coletiva com Andy Serkis – “Planeta dos Macacos: A Guerra”

Em uma sala de cinema estruturada tematicamente; com plantas, pedras, e decoração remetendo a uma grande floresta, para que todos ali entrassem no clima desde o início. Andy Serkis, nosso eterno “Gollum” das franquias: Senhor dos Anéis e o Hobbit, veio a São Paulo em uma coletiva de divulgação do terceiro filme da atual série Planeta dos Macacos.

Andy Serkis é o primeiro nome que nos vem à cabeça quando pensamos em personagens com captura de movimentos no cinema. Encarando pela terceira vez o papel de César no esperado Planeta dos Macacos: A Guerra. O ator conversou descontraidamente e respondeu algumas perguntas sobre o seu processo de trabalho e sobre a trama em si.

Uma das questões mais abordadas nesse encontro foi sobre como interpretar um animal que aos poucos ia se tornando cada vez mais humano e talvez superando a própria humanidade.
A resposta de Andy foi simples: “Eu sempre interpretei César como se fosse um humano desde o começo. Como uma criança especial.”

A evolução do personagem é mostrada com clareza nas sequências dos filmes. O líder dos macacos, quebra seus próprios votos e convicções, começa a ter ódio por suas escolhas, desejo de vingança, amor, e sentimentos conflitantes e tão complexos que a proximidade de sua mente e o brilho dos seus olhos o coloca no mesmo nível da existência paradoxal humana.

andy-serkis-caesar-planeta-dos-macacos
Andy Serkis em captura de movimento para César.

Quando a conversa parte para um rumo mais técnico de como foi interpretar o grande líder, o ator deixou bem claro que o processo de captura de movimento não é um ato de atuação e sim de tecnologia. É necessário estudar as ferramentas e utilizá-las com precisão, como qualquer tecnologia. Respeitando isso, o processo se torna mais fluido, porem ainda assim, muito cansativo e estressante “Muito mais dias ruins do que bons, nas gravações” diz o ator que confessa que o momento mais difícil desses três filmes foi o começo.

Agir como um jovem animal, um adolescente que está se descobrindo, exigiu muito do profissional fisicamente, pois, tinha que se movimentar o tempo todo, andar em quatro patas, e forçar seus músculos de forma que eram exaustivas ao final do dia. Com o passar dos anos, César vai envelhecendo e se tornando mais semelhante aos humanos. Em grande parte do tempo, anda ereto, faz quantidades menores de movimentos bruscos, o que foi tornando o personagem em questões de desgaste físico para o ator, muito menos problemático.

A tecnologia de captura de movimento evoluiu muito desde o seu primeiro trabalho, e hoje pode ser feita simultaneamente com mais de um ator, assim ajudando e facilitando cenas que a interação precise parecer o mais natural possível. Questionado sobre onde essa tecnologia vai parar, Andy Serkis acredita que daqui a dez, quinze anos, os filmes tarão imersão completa, onde o público terá um poder de observação de uma cena imensa, graças a evolução que a captura de movimento e a experiência será como em alguns casos, em jogos de videogame.

Segundo Serkis, a história deve continuar, e tem grandes hipóteses de acontecer. Quando perguntam se ele voltaria para um filme da série se convidado futuramente, caso ela siga, ele responde que adoraria. Amou trabalhar na franquia e também ama a captura de movimento, pois, ele pode ser qualquer coisa em qualquer filme e isso é maravilhoso.

Planeta dos Macacos: A Guerra chega aos cinemas brasileiros no dia 03 de agosto e encerra a trilogia em que acompanhamos a origem/reboot de uma saga clássica tão amada pelos fãs de ficção científica de todas as gerações.

Poderemos ver mais de Andy Serkis ainda esse ano, porém, como diretor, com Breathe que estreia em 13 de outubro nos Estados Unidos, e provavelmente chega aqui nas terras tupiniquins em novembro, protagonizado por Andrew Garfield e Claire Foy no elenco.

Também podemos aguardar outra direção dele em 18 de outubro de 2018 com Jungle Book: Origins. Em que o próprio Serkis comenta: “Se vocês acham difícil colocar emoções humanas em macacos, imaginem em panteras, cobras e outros animais. Isso sim é um desafio.”

fotos: agência febre