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Coletiva de Imprensa de “Mogli – O Menino Lobo” girou em torno da dublagem

Coletiva de Imprensa de “Mogli – O Menino Lobo” girou em torno da dublagem

Aconteceu ontem no Rio de Janeiro a coletiva de imprensa com os dubladores do mais novo filme dos Estúdios Disney: Mogli – O Menino Lobo.

Após uma sessão fechada do longa, os dubladores Júlia Lemmertz, Thiago Lacerda, Dan Stulbach, Marcos Palmeira e Alinne Moraes, sentaram-se com a imprensa para conversar sobre como foi participar de todo esse processo.

A atriz Júlia Lemmertz confessou estar bastante honrada em ter recebido o convite para dublar Raksha, Loba que faz papel de mãe do Mogli e que sempre acompanhou as animações e filmes do estúdio com seus filhos. Disse também que não imaginava que a arte de dublar fosse tão difícil e trabalhosa e que demorou até conseguir encontrar o tom certo para a personagem tendo como base a dublagem original de Lupita Nyong’o. Ela acredita que a mensagem que o filme passa é extremamente importante para todos nós e que condiz com o atual momento em que vivemos.

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Seu companheiro de trabalho e coletiva, Dan Stulbach também disse ter ficado honrado e que dentre todos os personagens, a pantera Baguera é de uma integridade tremenda e que receber o convite para interpretá-la o deixou lisonjeado. Mas, quando questionado sobre poder fazer a dublagem de outros personagens, foi bem simpático e divertido ao falar que queria ter feito todos eles. Porém, a majestosidade do Rei Louie, voz de Tiago Abravanel, foi o que o ator mais destacou. Júlia disse que se pudesse, gostaria de ter feito a cobra Kaa, dublada por sua colega Alinne Moraes. Ambos contaram que acompanham as dublagens originais dos filmes e animações e Dan salientou que é estranho quando nos acostumamos a ouvir uma voz e de repente ela muda ou mesmo quando ouvimos a original, no caso de assistirmos dublado, e que ele espera que consiga deixar essa impressão nas crianças e adultos que forem assistir ao filme. Criar essa memória auditiva nas pessoas, seria a conclusão de que realizou um bom trabalho.

O músico ProJota também esteve presente nessa parte da coletiva e é o responsável por desenvolver a trilha sonora do longa. Como seus colegas, afirmou ter ficado maravilhado ao receber o convite da Disney e que artista não gostaria de ter seu nome atrelado a um estúdio tão famoso? Contou também que procurou manter as raízes africanas originárias da antiga trilha sonora e que foram usados tanto instrumentos africanos como também vocalistas africanos e que trouxessem para as canções um pouco da cultura deles.

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Essa parte da coletiva foi encerrada ao som de muitas risadas por conta do bom humor de Dan Stulbach que decidiu imitar o Barney para responder a pergunta ‘qual personagem ele teria gostado de dublar?’. Júlia completou dizendo que ela então faria a Wilma.

Os dois ficaram felizes em saber que poderão retornar aos seus papéis, já que na data anterior a coletiva os Estúdios Disney informaram que o longa ganharia uma sequência, ainda sem data ou qualquer outra confirmação do gênero. A notícia foi recebida com espanto por todos, quando esta que vos escreve decidiu partilhá-la. Nem mesmo os representantes do estúdio que ali estavam possuíam tal informação.

Na segunda parte da coletiva, tivemos a presença de Thiago Lacerda, Marcos Palmeira e Alinne Moraes, que não pode ficar por muito tempo, por conta da première com convidados que se realizaria à noite. A atriz foi ligeira em suas respostas e para entrar no clima estava usando sapatos sociais com o anão Feliz fazendo as vezes de salto. Disse ter ficado feliz em interpretar a cobra Kaa, mas que não teria coragem de cantar como fez a dubladora no original, Scarlet Johanson.

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O papo com Thiago e Marcos girou em torno da profissão do dublador e como ele é pobremente reconhecido no meio, mesmo que as dublagens brasileiras seja tidas como as melhores mundialmente. Quando levantei a questão para os dois, dizendo que as pessoas reclamam porque os atores não possuem as mesma ferramentas que os dubladores, ambos concordaram e disseram que isso deveria ser incluso nos cursos de formação de atores. Thiago disse ainda que após seu primeiro trabalho com dublagem correu atrás de um curso para entender melhor como a mecânica funciona, pois é um trabalho inteiramente diferente do que ele como ator está acostumado a fazer. Eles não tem o corpo como recurso ou o rosto, apenas a própria voz. O ator disse também que fica bastante chateado por não ver mais os nomes dos dubladores em programas, filmes ou animações que assiste na televisão e que esses nomes deveriam constar nas contracapas de dvds e blu-rays. Marcos por sua vez disse que conversou com o primo Nizzo Neto, que também é dublador, para pegar algumas dicas do que fazer e que mesmo assim foi bem trabalhoso, pois não pode inovar muito na voz e teve que se alinhar ao que o dublador original de seu personagem havia feito, nesse caso o comediante Bill Murray que como ele dá voz ao urso Baloo.

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Thiago que empresta a voz ao vilão do longa, o tigre Shere Khan era só elogios ao seu personagem dizendo que diferente dos mocinhos que costuma dublar, esse exercia um certo fascínio sobre ele e que mesmo sendo o vilão, o personagem continuava sendo muito transparente em suas ações. Não chegava a ser ardiloso. Marcos adorou o fato de Baloo ser um glutão, o bon vivant do longa e dar esse alívio cômico a uma história que possui momentos tensos.

O elenco teve pouquíssimo tempo para fazer a dublagem, que alternou desde apenas 7 horas de gravação para uns, enquanto outros tiveram no máximo dois dias. O consenso entre eles é que foi muito pouco tempo para que pudessem aprender mais sobre o ofício e mesmo refazer algumas cenas que achavam que poderiam fazer melhor. No fim o veredito é unânime: todos amaram a oportunidade e se dedicaram com todo afinco em dublar seus personagens. E é apenas isso que nós espectadores queremos.

Fotos de Alexandre Bragança/Site Pipoca Gigante