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“Colossal” não é o que aparenta

“Colossal” não é o que aparenta

Os kaijus são criaturas míticas e que fazem parte do folclore japonês. Não a toa Godzilla é um dos mais populares. Todavia, o diretor e roteirista Nacho Vigalondo trouxe essas criaturas para um outro contexto em Colossal.

Para quem conhece os monstros que foram apresentados em filmes como Pacific Rim, por exemplo, sabe que eles não podem ser controlados. Na verdade, costumam agir por instinto e essas ações independem de interferência humana, ainda que nós tenhamos que defender o planeta de seus ataques vez ou outra.

Entretanto, em Colossal, Vigalondo propõe um exercício mais amplo onde essas criaturas seriam na verdade a representação do que nós temos de ruim. Uma espécie de projeção física diante de situações adversas e que necessitam de atitudes mais drásticas. Só que tudo isso fica descrito nas entrelinhas do filme enquanto acompanhamos a alcoólatra Gloria, interpretada pela oscarizada Anne Hathaway, tentar resgatar o controle da sua vida ao voltar para cidade onde morava na infância depois que o namorado (Dan Stevens) termina o relacionamento e a convida a sair de seu apartamento.

Lá ela reencontra Oscar (Jason Sudeikis), ex amigo de escola e que a ajuda a reerguer sua vida oferecendo móveis para a casa vazia e até mesmo um emprego em seu bar. Tudo isso seria, talvez, o começo de um bom título dramático se não fosse o fato que um monstro tem aparecido ocasionalmente na cidade de Seul e causado destruição e mortes. E não demora para que Gloria faça a conexão entre as aparições do monstro, seu estado alcoolizado e um parque. Com isso, entra numa espiral de desespero para tentar consertar a situação e evitar mais casualidades, enquanto Oscar vê seu bar cada vez mais cheio com as pessoas curiosas sobre o Kaiju. Logo, quando Gloria propõe acabar com tudo, é óbvio que ele iria se opor.

É inegável que Colossal é um filme diferente. A proposta do diretor e roteirista é inusitada e entretém até o último arco do filme onde as respostas para perguntas como “Por que a Gloria se transforma num monstro de muitos metros?” ou “Por que apenas a cidade de Seul é atacada?” são respondidas, porém, não esclarecidas… Exatamente.

Ainda que o longa seja tecnicamente correto, incluindo os efeitos de computação gráfica, pode não ser suficiente para satisfazer alguns espectadores que certamente, diante do proposto, esperavam um outro estilo de filme mais voltado para a sátira e absurdo ao utilizar Kaijus controlados por humanos. Sendo que na verdade, a ideia de Vigalondo era oferecer uma reflexão interna bem mais profunda.

Por que quem iria adivinhar que os monstros gigantes eram na verdade uma alusão para os conflitos internos dos personagens principais do filme?