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A complexidade em “A Esposa”

A complexidade em “A Esposa”

A esposa está mais para uma posição, um título, do que uma pessoa. É um papel delegado pela sociedade desde os primórdios e que coube a mulher moderna reajustar de acordo às suas necessidades. Todavia, ainda é um papel. Um lugar que pode ter ou não destaque dentro de uma relação.

No longa dirigido por Björn Runge – baseado no romance de mesmo nome de Meg Wolitzer – a esposa é a estoica Joan Castleman vivida de forma magistral por Glenn Close. Por anos essa mulher viveu para a família e se dedicou a construir uma bela carreira para o marido. Fez um trabalho tão bom que o mesmo foi laureado com um Nobel de Literatura. E é a partir de tal notícia que ela começa a repensar a própria vida.

A Esposa é um filme que entretém, mas que exige muita atenção por parte do espectador. Não é cheio de diálogos suntuosos e nem cenas grandiosas. Seu triunfo encontra-se nas entrelinhas, nas micro-expressões e no olhar determinado e distante de Glenn Close. Uma mulher um tanto amargurada que entregou de bandeja uma vida que poderia ser sua nas mãos do marido. Do outro lado temos Joe (Jonathan Pryce) que adora estar sob os holofotes e receber atenção, mas sem se preocupar com seus modos. O tempo todo A Esposa joga com essa complexidade que é a relação entre os dois personagens.

Nada é tão simples como parece. Certamente não um casamento de anos. Ao acompanha-los até Estocolmo para a cerimônia, aprendemos mais sobre esse casal em cenas que alternam entre presente e passado. Tal montagem é imprescindível para que o espectador veja vários lados da mesma história. No passado vemos que Joan foi uma aluna dedicada e Joe um professor universitário que gostava de seduzir as alunas. Mesmo sendo casado. Joan tinha potencial para se tornar uma grande escritora, mas optou em deixar isso de lado. De volta ao presente, a cada ação equivocada do marido, começa a questionar suas decisões.

A Esposa constrói não apenas um papel bem conhecido de todos, como também tenta desmembrá-lo à sua maneira. Apresenta ao espectador as idiossincrasias existentes dentro de um casamento tão longo e com personagens tão enigmáticos e reais ao mesmo tempo. Nada é simples demais nem leviano. É uma aula intensa de comportamento humano e arrependimentos tendo como professora a ilustre Glenn Close.

Glenn Close levou a estatueta de Melhor Atriz Drama no globo de ouro 2019 por seu papel em A Esposa.
Ficha Técnica
Diretor: Björn Runge 
Roteiro: Jane Anderson 
Elenco: Glenn Close, Jonathan Pryce, Max Irons, Christian Slater, Harry Lloyd, Annie Starke, Elizabeth McGovern, Johan Widerberg, Karin Franz Körlof, Richard Cordery, Jan Mybrand, Anna Azcárate, Peter Forbes, Fredric Gildea, Jane Garda 
Duração: 1h40min 
Estreia: 10 de janeiro