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Crazy Rich Asians – A vez dos asiáticos em Hollywood

Crazy Rich Asians – A vez dos asiáticos em Hollywood

A chamada pode soar meio estranha, mas é a mais pura verdade. Com o lançamento de Crazy Rich Asians faz 25 anos que um filme com elenco majoritariamente composto de asiáticos não é produzido.

Para nós ocidentais pode não parecer muita coisa. Mas é porque a gente se vê representado no dia a dia. Sem termos que nos preocupar tanto com rótulos e piadas. Afinal, quem nunca ouviu ou falou coisas do tipo “ah mas todo japonês é igual”? Quem fala essas coisas, além de estar sendo preconceituoso, demonstra ter conhecimento nulo em geografia.

O problema (entre vários) é que desde cedo nós fomos massacrados com certos estereótipos e clichês dessa vasta cultura. Em especial a japonesa que chegou na década de 80 em forma de animes como Sailor Moon e Cavaleiros do Zodíaco. Com o passar dos anos, o consumo expandiu e além dos animes também vieram os doramas. As famosas novelas japonesas. Até a Netflix enxergou o potencial nesse mercado e incluiu no catálogo produções coreanas, chinesas e outros. Só que o estereótipo permanece. Algumas dessas produções insistem em perpetuar certos comportamentos que na vida real, não acontecem. Felizmente, nós temos aí a internet para nos mostrar que uma nação inteira não pode ser toda igual.

E HOLLYWOOD?

Tais produções nos são limitadas a tela pequena. A Netflix, como mencionado, ou outros serviços como Crunchyroll, por exemplo.

Embora possua um público cativo e interessado, raramente vemos uma boa representação de asiáticos nos cinemas. Quando não, são limitados a papéis específicos como o ninja, o sábio, o sensei, membro da yakuza, o estudioso, lutador de caratê, ou seja, basicamente qualquer comparação com artes marciais, estudos e comida, entram nessa lista. Não vamos esquecer do péssimo costume que nós brasileiros temos em falar “flango”. O que também configura como preconceito. Mas, vamos em frente.

E o que isso tem a ver com Hollywood? Bem, é simples. Nenhuma dessas produções teria qualquer chance em território hollywoodiano e a gente sabe. Apenas recentemente as produções estão procurando diversificar tanto o elenco quanto o enredo. Quando falo recente, me refiro a algo de dois anos para cá.

Filmes com mulheres protagonistas onde elas conversam sobre algo que não seja homens: A Chegada e Estrelas Além do Tempo.
Filme de super-heroína onde a mesma não é objetificada: Mulher-Maravilha
Filme com elenco majoritariamente negro e que tem outro cenário que não o gueto americano: Pantera Negra

Por que não pode ser a mesma coisa com asiáticos (coreanos, chineses, japoneses, israelenses, paquistaneses, libaneses…) onde essas pessoas estejam inseridas num outro contexto que não aquele rotulado por anos? Onde elas sejam donas de um negócio, se apaixonem, façam viagens, sejam policiais, detetives, professores, agentes secretos, avó de alguém, enfim, uma série de narrativas que vão além das comumente imaginadas. Parece que esse tempo finalmente chegou.

CRAZY RICH ASIANS

O longa que deve ser lançado em algum momento ainda esse ano, foi baseado no livro homônimo de Kevin Kwan publicado em 2013. O livro fez bastante sucesso, atingindo a marca de best seller e originando duas sequências: China Rich Girlfriend (2015) e Rich People Problems (2017).

A intenção do autor era desenvolver uma sátira em cima de conceituadas famílias, incluindo a dele, por ter passado boa parte da sua infância em Cingapura. Os personagens do livro, membros de importantes e reais clãs tanto em Cingapura quanto na China, se comportam de maneira exagerada e que contradiz com uma das personagens do livro, Rachel Wu. Que foi a maneira que Kwan encontrou de tecer uma comparação entre os ricos americanos e os ricos asiáticos. Algo que ele próprio nem sabia que era e só foi se dar conta quando sua família se mudou para os Estados Unidos quando ele tinha 11 anos.

Enquanto o livro conta a perspectiva de 5 personagens diferentes, o longa que vai ser distribuído pela Warner Bros. Pictures foca na personagem de Rachel. Ela é uma descendente de chineses, nascida nos Estados Unidos, e professora de economia que decide acompanhar seu namorado até Cingapura para um casamento. Lá ela vai ser jogada no meio da vida dos ricos e famosos e descobrir que o próprio namorado vem de uma família abastada. Uma que possui muitos segredos do passado escondidos. Se isso não fosse o suficiente, toda mulher que encontram quer ficar com ele.

Óbvio que se trata de uma comédia romântica e deve estar pensando que já assistiu várias outras, mas, pensa de novo. Realmente já viu uma comédia romântica, onde ambos os protagonistas são asiáticos (chinês e malasiano), se passando em Cingapura, com outras misturas étnicas e todos os personagens falam inglês?

25 ANOS ATRÁS

O longa é dirigido por John M. Chu e conta com um elenco inteiramente de atores asiáticos. Sendo a primeira vez em 25 anos que isso acontece depois de O Clube da Felicidade e da Sorte. Lançado por aqui em fevereiro de 1994, narra o drama de quatro mulheres chinesas e suas mães. Traçando um paralelo entre suas vidas atuais e as que as mães enfrentaram a china feudal. É considerado por muitos um clássico. Onde vemos bastante dessa relação mãe e filha tão presente em algumas culturas, como a chinesa do filme.

Alguns desses rostos são bem conhecidos dos cinéfilos como Ming-Na Wen a voz original da Mulan e também a agente May na série Agents of S.H.I.E.L.D. Lauren Tom fez Julie a namorada do Ross em Friends e hoje em dia trabalha com dublagem para animações como DC Super Hero Girls. Tamlyn Tomita é uma das cientistas em O Dia Depois de Amanhã e atualmente está na série The Good Doctor, onde é a diretora do hospital. Para citar as mais ativas.

Da esq. para dir. – Kieu Chinh, Ming-Na Wen, Tamlyn Tomita, Tsai Chin, France Nuyen, Lauren Tom, Lisa Lu e Rosalind Chao

Crazy Rich Asians está previsto para ser lançado em agosto deste ano nos Estados Unidos. Temos no elenco como Constance Wu, Henry Golding, Gemma Chan, Lisa Lu, Awkwafina, Ken Jeong e a veterana Michelle Yeoh.

São novos tempos chegando em Hollywood. Onde todos vão ter espaço e oportunidade para contar suas histórias. Até porque, os estereótipos já cansaram.