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A crítica social de “Extinção”

A crítica social de “Extinção”

Por inúmeras vezes o planeta foi invadido por uma outra raça. Tenha ela vindo de Marte ou de outro lugar. Tenha ela forma humanoide ou mesmo um vírus. Não importa. Mas e quando a ameaça parte de dentro?

Extinção que entrou em cartaz no final de julho na Netflix aborda o tema, mas com outra perspectiva. O espectador segue os percalços de Peter (Michael Peña). Um trabalhador braçal que anda tendo problemas para dormir, o que tem afetado sua vida em família. A qualquer minuto ele pode vir a sonhar acordado e ter pesadelos muito reais. Seu apartamento explodindo, uma invasão interplanetária, corpos espalhados pelo chão e sangue, muito sangue. Só não sabe até que ponto isso é um pesadelo ou uma premonição.

Peter tenta lidar com a situação sozinho até o momento em que seus pesadelos se tornam reais. Agora precisa focar em se proteger e a sua família dos invasores. Mas a verdade não tarda em aparecer.

Mesmo sendo uma clara ficção científica misturada a uma quase distopia, Extinção propõe um exercício ao tecer uma crítica social que pode ser compreendida de algumas maneiras. A mais clara seria a do próprio ser humano como elemento nocivo a si.

A guerra tem início quando uma parte pensa estar sendo despida de seus privilégios, enquanto a outra continua evoluindo e convivendo de forma pacífica. Como a primeira não consegue ter a mesma visão ou atitude, entende que o outro está lhe roubando o espaço, as oportunidades e direitos. Ao invés de tentarem conviver, a primeira decide expulsar a outra parte do planeta e dá-se a guerra. Não há diálogos, reuniões, consensos… A única solução aparente é a eliminação. Um lado perde e se vê obrigado a sair do planeta, enquanto o vencedor permanece. Até o momento de mais uma invasão, anos depois, utilizando dos mesmos métodos ineficazes. Pelo visto não aprenderam nada.

O longa possui uma premissa instigante e na certa renderia um bom debate e reflexão só que isso não acontece. Extinção demora até chegar no ponto chave e perde tempo ao focar no desenvolvimento dos personagens, quando poderia fazer isso durante a própria invasão. Dessa forma, a resolução que traz também a mensagem do filme é rápida e frágil e ocorre por meio de artifícios como flashback. O final é dado através de uma mensagem nada motivacional feita através de narração. Um final clichê para um filme com uma proposta tão diferente. Que pena.

Ficha Técnica
Diretor: Ben Young
Roteiro: Spenser Cohen, Brad Kane 
Elenco: Michael Peña, Lizzy Caplan, Amelia Crouch, Erica Tremblay, Lex Shrapnel, Emma Booth, Lilly Aspell, Mike Colter, Israel Broussard, Sandra Teles, Tom Riley, Michael Absalom, Mina Obradovic, Joe Corrigall, Nick Kent
Duração: 1h35min