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Daniela Vega e outras mulheres fantásticas!

Daniela Vega e outras mulheres fantásticas!

Ainda em meio ao burburinho do Oscar que ocorreu nesse último domingo, algo chamou a atenção da internet, mas não de forma positiva.

Foi a presença da atriz chilena Daniela Vega, cujo filme Una Mujer Fantastica levou a estatueta de Melhor Filme Estrangeiro. Vega é a primeira atriz trans a pisar no Oscar, como também apresentar a um prêmio. Foi ela a responsável por introduzir a performance de Mystery of Love que concorria na categoria de Melhor Canção Original para o filme Me Chame Pelo Seu Nome. Vega agradeceu pelo momento e convidou a todos a abrirem seus corações e sentir o amor.

Embora a canção seja muito bonita e ajude a narrar o amor de verão de Elio e Oliver, não conseguiu tocar o coração de todos como desejou a apresentadora. O crítico de cinema e comentarista da TNT Rubens Ewald Filho não teve nem tempo de ouvir o pedido da atriz e se prontificou a verbalizar algumas atrocidades que foram prontamente rebatidas pelo Twitterverse.

Ao fazer o seu trabalho e apresentar a atriz para o público que acompanhava a transmissão pelo canal a cabo, o crítico foi categórico ao tecer uma afirmação pessoal “essa atriz é na verdade um homem”. Tal frase gerou polêmica (com toda razão) na internet, onde usuários estavam indignados com o preconceito de Rubens Ewald Filho que falhou tanto em questão ética quanto profissional. Aliás, esse parecia ser o tom da cobertura do crítico que insistia em tecer comentários de cunho pessoal acerca de outras atrizes. Fossem eles estéticos, como o que fez sobre a ganhadora Frances McDormand chamando-a de feia e também para Alison Janey onde desatou a falar do decote da atriz e se questionava se ela havia injetado botox.

O que esse senhor falha em entender é que novos tempos estão chegando. É uma nova primavera. Sopram outros ventos de mudança. Aquele que nos deu Daniela Vega de presente, em todo seu talento e requinte, também nos proveu outras atrizes talentosas e que assim como Vega, são transsexuais e merecem destaque. Por isso decidi elencar outros nomes que devem chamar atenção daqui para frente.

DANIELA VEGA

Chilena, nascida em San Miguel, teve seu talento para o canto lírico reconhecido por uma de suas professoras aos 8 anos. Estreou nos palcos em 2011 com uma peça chamada La Mujer Mariposa, uma espécie de biodrama que narrava o seu processo de transformação e foi dirigida por Martin de la Parra. A peça fez tanto sucesso no Chile que ficou em cartaz por 8 anos, onde Vega tinha a oportunidade de cantar além de interpretar. Sua estreia nas telonas foi em 2015 com o drama La Visita onde interpretava uma mulher trans que aparecia no leito de morte de seu pai.

LAVERNE COX

A americana Laverne Cox se tornou conhecida por interpretar Sophia Burset na série da Netflix Orange is the New Black. Laverne se tornou a primeira mulher trans a ser indicada a um prêmio Emmy na categoria de atuação e também a primeira a ser indicada a um Emmy desde a compositora Angela Morley na década de 90. Em 2015 ela ganhou o Daytime Emmy por ter sido Produtora Executiva no documentário Laverne Cox Presents: The T Word. Tornando-a a primeira mulher trans a ganhar esse prêmio. E seus ‘primeiros’ não param por aí. Em 2017 ela tornou-se a primeira pessoa trans a interpretar um transgênero numa série de TV.

JAMIE CLAYTON

Jamie ganhou notoriedade após interpretar a Nomi em Sense8, uma série da Netflix que tornou-se querida pelos fãs em 2015. Porém, desde 2010 a atriz vem galgando uma carreira ao trabalhar em séries como Dirty Work e Are We There Yet?. Os trabalhos mais recentes dela incluem uma participação no longa Neon Demon em 2016 e O Boneco de Neve em 2017 ao lado de Rebeca Ferguson e Michael Fassbender.

ALEXANDRA GREY

Nascida em Chicago e criada em 7 lares adotivos diferentes, sempre esteve determinada a não se deixar levar por estereótipos e a seguir seus sonhos de atuar. Sua determinação rendeu ótimos frutos e aparições em séries como Glee, Chicago Med e Code Black onde vai entrar como personagem regular a partir do segundo semestre deste ano. Ela também vai aparecer em When We Rise que conta com direção do ganhador do Oscar Dustin Lance Black.

CANDIS CAYNE

Candis se tornou uma das atrizes trans mais populares dos Estados Unidos quando suas apresentações de dança tornaram-se famosas. Ela é a primeira atriz trans a garantir um papel regular numa série do horário nobre, onde interpretava o interesse amoroso de um personagem em Dirty Sexy Money. Também fez participações em Drop Dead Diva, Elementary e mais recentemente pode ser vista em Grey’s Anatomy.

ALEXANDRA BILLINGS

Alexandra é responsável por romper algumas barreiras na indústria como atriz, artista performática, diretora, ativista e roteirista. É uma das primeiras mulheres trans a aparecer na televisão atuando no papel de uma e desde então já figurou em outros shows como How to Get Away with Murder, Grey’s Anatomy, ER e Eli Stone. Sua aparição mais recente foi na série Transparent como Davina a amiga soro-positiva de Moira.

CARMEN CARRERA

A atriz que também é uma personalidade conhecida no meio é natural de New Jersey e já apareceu em filme como Ricki and The Flash: De Volta Para Casa e na série Jane the Virgin. Carmen também participou de alguns reality shows como Cake Boss, Couples Therapy e RuPaul’s Drag Race.

Outros nomes que valem a pena ressaltar são: Mya Taylor (Tangerine 2015), Amiyah Scott, Trace Lysette, Jen Richards, Angelica Ross, Rain Valdez, Hari Nef, Isis King, Alexis Del Lago, Amanda Lepore, Gigi Gorgeous e outras 40 mulheres trans que é possível conhecer mais um pouco aqui no link.

E AS BRASILEIRAS?

Não fique achando que em terra onde canta o Sabiá não existem atrizes trans porque elas existem sim. E a luta para reconhecimento por aqui é tão árdua quanto no país do senhor do topete. Porém, de uma forma um tanto estranha, elas sempre estiveram entre nós, mas sem ter o mesmo reconhecimento de hoje em dia. Eram postas à margem da sociedade (ainda são) e tratadas de uma maneira desagradável. Quase como párias. Pessoas as quais se faziam chacota ou piadas de baixo calão. E com isso é possível lembrar de uma série de exemplos sem precisar enumerá-los.

Em parte, naquela época, não tínhamos noção dos problemas de preconceito enfrentado por elas. Fosse por ter conhecimento limitado desse mundo, fosse pela construção da sociedade como um todo. E em parte, elas não tinha voz o suficiente para se fazer ouvir e respeitar. Felizmente, ainda que a passos de formiga, os tempos estão mudando. Queira algumas pessoas ou não.

ROBERTA CLOSE

O nome mais famoso e que é o primeiro que nos vem à mente quando falamos de trans brasileiras é o dela. Lembro como se fosse hoje o famoso ensaio que a modelo fez para a revista Playboy onde na capa ela estava em uma pose bem sexual, com as pernas abertas, contendo um recorte quadrado lhe tapando as partes e quem comprasse a revista, poderia retirar o adesivo e visualizar como ficou depois da cirurgia. Participou de alguns editoriais da revista Vogue e também de desfiles para Thierry Mugler, Guy Laroche e Jean Paul Gaultier. Também fez novela na extinta Rede Manchete, em papel de cis e nenhum ator quis ser seu par romântico. Atualmente Roberta vive em Zurique na Suíça.

ROGÉRIA

Ah a Rogéria. Ela se intitulava a travesti da família brasileira. E era mesmo. Vê-la na televisão era algo normal e não via as pessoas se indagando. A Rogéria era respeitada e conviveu com inúmeros atores. Estreou em 1964 num famoso reduto gay em Copacabana a conhecida Galeria Alaska. Foi jurada em programas de auditório, coreógrafa de comissão de frente de escola de samba e fez participações em algumas novelas. Uma inclusive no papel de avó. Lançou sua biografia em 2016 e conta com uma carreira com mais de 30 personagens entre televisão e cinema.

MARIA CLARA SPINELLI

Trabalhando como atriz desde 2010, Maria Clara se destacou aos olhos do público quando participou do filme Quanto Dura o Amor? que lhe rendeu um prêmio no Festival Paulínia de Cinema, no Hollywood Brazilian Film Festival e também no Monaco Charity Film Festival. Anteriormente já havia feito peças de teatro como o monólogo O Ser Gritante que é baseado em textos da autora Clarice Lispector e desde 2013 vem figurando em novelas e séries da Rede Globo como Salve Jorge, Supermax e recentemente a Mira, a comparsa da Irene em A Força do Querer.

JANE DI CASTRO

Jane sofreu muita repressão em casa por ser trans. Trabalhou como cabeleireira na década de 60 e se apresentou em algumas casas noturnas na mesma época. Mesmo com a carreira artística nunca abandonou a profissão de cabeleireira até abrir o seu próprio salão em 2001. Participou do espetáculo Gay Fantasy que foi dirigido por ninguém menos que Bibi Ferreira onde se apresentou ao lado de outros nomes de peso como Rogéria, Marlene Casanova e Ney Latorraca. Jane já fez diversas apresentações no Brasil e no mundo, incluindo até mesmo uma no Lincoln Center em Nova York. Durante 10 anos esteve no espetáculo Divinas Divas do Teatro Rival e que mais tarde foi transformado em filme pela atriz Leandra Leal.

STELLA ROCHA

Nascida em Belém a artista deixou o país em meados de 1990 para ir viver em Paris onde estudou dramaturgia. Sua carreira teve início em 2001 com L’ex-Femme de ma Vie e também esteve a frente de programas de entrevista onde recebia celebridades e outras personalidades para conversar. Seu trabalho mais recente foi ter participado de Love do diretor Gaspar Noé e que deu muito o que falar desde o lançamento. Ela protagonizou uma cena de sexo ao lado do casal protagonista do filme.

CAROL MARRA

A atriz, produtora de moda, modelo e DJ fez a sua cirurgia de designação sexual no final de 2017. Foi descoberta por um editor da revista Vogue RG durante uma semana de fashion week e desde então despontou para o mundo. Participou do seriado da Multishow Segredos Médicos e também em filmes como Berenice Procura e essa semana apareceu no episódio da série de comédia Brasil a Bordo interpretando uma sósia da cantora Claudia Leitte.

Mas não existem só elas e outros nomes que valem ressaltar são: Claudia Celeste, Maitê Schneider, Glamour Garcia, Renata Carvalho, Nany People, Patrícia Araújo, Bianca Soares e muitas outras que você pode conhecer ao clicar nesse link