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David Nicholls faz declarações marcantes na Feira do Livro de Londres

David Nicholls faz declarações marcantes na Feira do Livro de Londres

O autor de Um Dia David Nicholls declarou que uma cidade sem uma livraria não está completa, que parte da estatística de que pelo menos 57 livrarias independentes fecharam as portas no Reino Unido ano passado.

De acordo com a Associação Booksellers o número de livrarias independentes no Reino Unidos continua a cair. Dez ano atrás existiam 1,535, cinco anos atrás era 1,159 e no ano de 2014 passaram a ser 939, um número vergonhoso.

Convidado para palestrar na Feira de Londres na Conferência de Mentes Digitais nesta Segunda-Feira (13/04) o autor best-seller que nos últimos seis meses tem estado em turnê para promover seu livro mais recente Us, publicado no ano passado. Durante a turnê ele reparou nas lojas que estavam fechadas em Nova Iorque e Londres e destacou a perda de uma em particular. “Eu sinto uma tristeza familiar, acompanhada de uma culpa porque enquanto você lamenta pela loja que fechou, você também se dá conta que faz tempo que comprou qualquer coisa ali,” diz Nicholls para a platéia.

“Por toda a facilidade e conveniência de uma loja online e de download digital, ainda sinto que uma cidade sem livrarias não está completa. Cresci em uma e os únicos livros que você conseguia comprar eram os que vinham de outras lojas maiores, os esquecidos, alguns suspenses e só. Enquanto sempre amei James Herbert quanto qualquer garoto da minha idade, não era o suficiente, por isso que as bibliotecas públicas eram tão importantes para mim e também porquê quando uma livraria finalmente abriu na cidade pareceu o verdadeiro paraíso.”

De um lado, diz ele, temos “o livro como objeto, livrarias e lojas, editoras tradicionais e a literatura em páginas, no papel, e do outro, vendas online e um livro digital, novos modelos de publicação e mídia social. Parece a Guerra Civil Britânica, ou talvez, sendo mais preciso, para alguém da minha idade pelo menos, Betamax vs VHS, e apenas um pode sobreviver. Frequentemente é esse o tipo de debate que posso dizer possuir uma coleção considerável de Betamax.”

Nicholls segue dizendo que o apreço que as pessoas sentem por seus livros ninguém ainda conseguiu transpassar para a era digital. Que tem a ver com a maneira que você, enquanto leitor, vivencia essas experiências e transforma em algo querido e memorável. O que também reflete quando você entra numa livraria, desfila por fileiras e mais fileiras de livros, folheia-os e sai de lá com algo em uma sacola. Memórias que são deixadas para trás, pois não existe essa sensação de descoberta em uma loja online. Até tem, mas não da mesma maneira. Ele ainda diz que apesar de ler bastante em seu leitor digital, não quer interagir com ele, nem que tenha trilha sonora ou comentários do autor. Quer pura e simplesmente o livro e que fique por conta dele imaginar o restante.

Mas ele admite que recentemente essa pseudo guerra pareceu dar uma trégua e que as porcentagens de vendas entre ambos, digital e físico, está bem iguais, ainda que ele ache que você está roubando ao entrar numa livraria, folhear livros e depois correr online para comprá-los. Se você foi a loja, manuseou o livro e se interessou por ele, deveria comprá-lo. E ele apenas espera que as pessoas continuem lendo, seja em livros de papel ou em seus leitores. Apenas, que não deixem de ler.

fonte: the guardian