Share
“Deadly Class” é uma mistura de estilos

“Deadly Class” é uma mistura de estilos

Grande partes dos fãs dos quadrinhos e aficionados pelo mundo da fantasia, já imaginaram serem convocados para uma escola onde pudessem viver em contato com o ‘fantástico’. Vide Harry Potter e Sky High. Deadly Class nos apresenta Marcus Lopez (Benjamin Wadsworth): um jovem órfão, morador de rua e com tendências suicidas.

Ambientada nos anos 80, especificamente em 1987, o menino após uma perseguição na ruas conhece Mestre Lin e seus alunos um tanto macabros. Lin oferece a Marcus, devido ao seu histórico (matar todos do orfanato em que estava num grande incêndio) uma vaga em sua academia, a Kings Dominion Atelier of the Deadly Arts, reconhecendo o seu ‘potencial destrutivo’.

Após tentar se suicidar, mas reconhecer que não tinha nada a perder, ele embarca nesta ‘oportunidade’ e se depara com um cenário diferente das escolas comuns. Dividida em um sistema de castas, a Kings Dominion abriga os filhos (ou jovens com alguma ligação) dos maiores grupos criminosos do mundo (Yakuza, gangue negra, máfia latina, nazistas), mas como toda ‘boa escola’ com um sentimento de caridade para com a sociedade, a KD abre uma espécie de sistema de cota para os que são intitulados ‘ratos’, ou seja, os que não possuem um legado vindo da sua família e ligações por trás.

É nesse ambiente que Marcus precisa agora viver. O que vai desde dormir inicialmente em um quarto minúsculo na dispensa a lidar com as intrigas realizadas pelos alunos de castas maiores, enquanto assiste um workshop de zarabatanas a aulas de teoria da psicopatia.

Deadly Class traz referências de toda cultura pop dos anos 80. Como os clássicos de terror (Freddy Krueger, Hellraiser para citar dois), tem menções a Robocop e Negócio Arriscado. Tem também a era punk e o movimento hippie, além é claro, dos psicopatas criminosos da época. Não esquecendo do famoso slogan “sexo, drogas e rock and roll” mencionados no filme.

Deadly Class mostra também mulheres empoderadas. Como Maria, que vive um relacionamento abusivo. Embora se mostre uma menina delicada, ela também é alguém forte que lutou por superar a morte dos pais e sobreviver na mão da máfia latina. E também tem a Saya. A garota é uma ótima espadachim que luta por sua própria sobrevivência. E mesmo que ela seja uma personagem bem misteriosa é a única que não tem sua história revelada, diferente dos demais. Acredita-se que isso seja melhor desenvolvido numa próxima temporada, já que o fim da série deixa esse gancho.

Com muita ação presente, a série tende a ter um ar de clichê adolescente. Sejam em cenas premeditadas, comuns em comédias românticas. Deadly Class também demonstrar ter uma presença da estética de quadrinho. Tendo em vista que a história é originada de um. E faz uma mesclagem entre as cenas do presente e outras cenas de flashback. É o famoso estilo anti herói, onde os “vilões” querem salvar o mundo, de alguma forma.

A trilha sonora é bem mainstream e tem muitos sucessos marcantes dos anos 80. A paleta de cores é escura, dando um ar mais dark punk para as cenas de ação. E a estética lembra bastante também os filmes clássicos da década.

E em questão de roteiro, é bem legal que uma série atual apresente assuntos ligados a transtornos psicológicos. Na verdade, o tema é quase que a parte central da série, tendo em vista que são usados como forma de motivar (ou justificar) os assassinatos presente na série. Há também um bom direcionamento de assuntos que envolvem amizade, amor, companheirismo e superação sem deixar que o enredo se torne enjoativo. São bons sentimentos a se absorver, e vale sofrer pela história de cada personagem.

Vale a pena conferir essa junção de culturas e estilos propostos em Deadly Class que pertence ao canal SyFy mas chegou no Brasil via streaming pelo serviço da GloboPlay.

*Essa crítica foi feita por Beatriz Menezes e Giullia Carvalho

Ficha Técnica
Criador: Mile Orion Feldsott, Rick Remender
Roteiro: Mile Orion Feldsott, Rick Remender, Wesley Craig
Elenco: Benedict Wong, Benjamin Wadsworth, Lana Condor, María Gabriela de Faria, Luke Tennie, Liam James, Taylor Hickson, Jack Gillett, Tom Stevens, Michel Duval, Sean Depner, Olivia Cheng, Siobhan Williams, Isaiah Lehtinen, Juan Grey, Brian Posehn, David Zayas
Duração: 10 episódios
Serviço: GloboPlay