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”Diablero” não atinge todo o seu potencial

”Diablero” não atinge todo o seu potencial

Produzida pela Morena Films e baseada no livro El Diablo me Obligó do escritor mexicano Francisco Haghenbeck, Diablero é mais uma das novidades de dezembro da Netflix.

A história da série é centralizada no Padre Ramiro Ventura (Christopher Von Uckermann de Rebelde), que após uma descoberta, procura a ajuda do Diablero – um caçador de demônios – Elvis Infante (Horacio Garcia Rojas) para auxiliá-lo em sua busca.

A série não enrola para apresentar os outros personagens da trama. Desenvolve bem e sem pressa os pontos e características de cada personagem, que logo formam um time promissor de caçadores.

De início, temos uma imagem do Padre Ventura, que no decorrer dos episódios, mais detalhes do seu passado são revelados, ajudando a construir uma base para a continuação da história. Ventura se vê cercado entre o bem e o mal, torturado pelo seu passado e pelas novas descobertas, que apesar da sua fé e o de ter conhecimento bíblico, demonstra resistência ao perceber que o mal em forma materializada existe.

Diablero (Elvis) é apresentado na forma tradicional e conhecida de caçador. Seu comportamento e humor sarcástico são características que ficam em evidência logo nos primeiros minutos em cena. Elvis possui inimigos e dívidas, porém seu conhecimento e experiência com demônios parecem ser a chave para que o mistério seja solucionado.

Uma personagem importante para a formação do time é Nancy (Gisselle Kuri). Ela possui seus demônios internos e uma habilidade sobrenatural que permite que seu corpo possa ser usado como receptáculo desses seres sombrio. Assim como anjos, os demônios não conseguem se materializar na terra, então usam um corpo humano para andar entre nós.

Outra personagem que integra o quarteto é Keta (Fátima Molina), irmã do caçador Elvis. Keta é inicialmente a fonte para que Ventura consiga o contato do Diablero. Tenta convencendo-lo que o irmão será a única forma de descobrir o que aconteceu com a tal menina desaparecida e desvendar o mistério por trás do sumiço.

Em Diablero, os demônios não são apresentados como estamos acostumados a ver. Tem formas e poder inferiores, e são usados pelos humanos como uma espécie de ‘’cães de luta’’, sendo até negociados entre caçadores. Eles são mantidos presos dentro de algum recipiente para serem transportados, geralmente garrafas.

Cenas de possessão são o foco da série. O que faz o telespectador antecipar por momentos de tensão e terror ao longo dos primeiros minutos. Na série, os demônios são apresentados como fácil de serem controlados e  também de serem capturados pelos caçadores. O que pode desanimar um pouco os amantes de terror acostumados a associar a imagem dos demônios como seres complexos de lidar. O humor foi mau utilizado em algumas cenas. O que faz com que espectador perca o medo que deveria sentir por essas criaturas.

Apesar de uma proposta inicial bem elaborada e uma bela fotografia, a construção das cenas peca ao apresentar baixa qualidade nas partes de possessão e quando mostram o reflexo da real forma dos demônios, o que enfraquece o terror inicialmente esperado do gênero. São cenas essenciais para a construção do terror, porém são fracas e fáceis de serem notadas.

A tentativa mexicana de apresentar um terror de qualidade em forma de seriado poderia ter alcançado todo seu potencial com Diablero. Porém, falhou em alguns aspectos e deixou detalhes importantes para trás.

Ficha Técnica
Criadores: Pablo Tébar, José Manuel Cravioto
Roteiro: Gibrán Portela, Verónica Marzá
Elenco: Christopher von Uckermann, Gisselle Kuri, Fátima Molina, Horacio García Rojas, Dolores Heredia, Humberto Busto, Flavio Medina, Quetzalli Cortés, Edgar Clement
Duração: 8 episódios