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“Dupla Explosiva” se sustenta em inusitada parceria

“Dupla Explosiva” se sustenta em inusitada parceria

Depois que se redimiu com os fãs o ator Ryan Reynolds tem conseguido atrair público para seus filmes. Todos estão aptos a dar outra e outra chance a ele. Ainda mais nesta inusitada parceria com ninguém menos que Samuel L. Jackson. Mas, será que deu certo?

Dupla Explosiva que tem dedo da Netflix chegou ao cinemas nesta última quinta-feira e mistura ação com comédia. Só que não é qualquer tipo de comédia, e sim aquele humor mais ácido e costumeiro de figuras como Reynolds e Jackson.

Darius Kincaid (Jackson) um mercenário que faz um acordo com a justiça para testemunhar contra o ditador Vladislav Dukhovich, papel de Gary Oldman. Só que Dukhovich não quer passar nem um segundo sequer atrás das grades. E vai fazer de tudo para que Kincaid não chegue nem perto do tribunal. O que inclui subornar membros da Interpol e, assim, dificultar o trabalho dos agentes em campo. A solução encontrada pela agente Roussel (Elodie Yung) é pedir ajuda para alguém de fora e contacta seu ex Bryce (Reynolds).

Acontece que Darius e Bryce possuem um passado juntos. E não é dos melhores. Logo, vão ter que aprender a se virar juntos se quiserem cumprir o prazo e ajudar na condenação de Dukhovich.

O longa usa dessa parceria para sustentar as suas piadas e funciona bem. Jackson e Reynolds são divertidos juntos, convencem o espectador, mas, não parece que estão atuando. Ambos estão nesta zona de conforto criada pela dinâmica dos personagens e ainda que um seja mercenário e o outro ex-agente, continua parecendo que são eles. Os atores. Sem qualquer auxílio de construção de personagem. O outro lado é que isso acaba enaltecendo o fator comédia que é o ponto alto e principal de Dupla Explosiva. E não as cenas de ação.

Elas até existem e são bem elaboradas, mas, em diversos momentos, é possível notar falhas. Seja na execução das cenas de perseguição com dublês ou no uso de computação gráfica. Deixando claro que os personagens não estão naquele exato cenário, e sim, num fundo verde em um estúdio qualquer. Falhas são até aceitáveis, desde que não comprometa a experiência do espectador. O que infelizmente não é o caso aqui. Existe toda uma sequência com o personagem do Reynolds onde é possível notar o uso de um telão para compor o que não deu certo ao vivo. E isso é feito num pedaço crucial da trama.

Fica parecendo que Dupla Explosiva apostou tanto no peso dos atores em tela, que esqueceu de refinar o longa no pós-produção. Afinal estamos falando de Samuel L. Jackson, Ryan Reynolds, Gary Oldman e Salma Hayek. Felizmente, as falhas acontecem perto da conclusão do filme e pode ser que não não incomodem tanto o espectador.

No final, resta uma experiência divertida e a certeza de que o que funciona no filme é a dupla Jackson e Reynolds, mais do que a própria história.