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É tudo culpa do Kevin Feige!

É tudo culpa do Kevin Feige!

Prestes a completar 10 anos de existência, a Marvel Studios pode pôr a culpa em uma pessoa por todo seu sucesso: Kevin Feige.

O atual presidente do estúdio acreditou nesse projeto mesmo quando ele sequer pensava em existir. Apaixonado por cinema desde criança, Kevin sabia que tudo o que queria na vida era trabalhar com filmes. E batalhou bastante para isso sendo recusado não uma, mas seis vezes por um prestigiada faculdade de cinema até que finalmente foi aceito.

O COMEÇO

Foi quando conseguiu um estágio com o diretor Richard Donner e sua esposa a produtora Lauren Shuler Donner. Para quem não sabe Donner é mais conhecido por dirigir filmes como Superman (1978) e Os Goonies (1985). Logo, Feige teve bons mentores, mas quando surgiu a oportunidade de escolher de quem queria ser assistente, preferiu ficar com Lauren Shuler Donner. Lauren estava sempre mais ocupada que o marido e assim Kevin começou a galgar uma carreira de produtor. Foi onde também aprendeu a correr riscos o que lhe colocou no caminho para a Marvel Studios.

O diretor Richard Donner

Shuler Donner era produtora em X-Men (2000) um dos primeiros filmes no qual Kevin participou com personagens da Marvel. Um dia, no set de filmagens, Lauren e Avi Arad – na época o presidente da então Marvel Studios – assistiram no mínimo uma cena engraçada ao deparar com Kevin e a estilista debatendo sobre a altura do cabelo do Wolverine. Ao passo que a moça afirmava que aquele penteado era ridículo, Kevin dizia que tinha que ficar mais e mais alto, pois era algo do personagem. Por fim a estilista desistiu e fez o que Feige estava pedindo. Para Kevin é o medo do ridículo que impede as pessoas de arriscarem mais. “Tudo dentro de uma revista em quadrinhos é potencialmente ridículo. O que não quer dizer que não se deve tentar fazer com que parece legal.”

Toda essa devoção de Kevin acabou chamando a atenção de Arad que o contrata para trabalhar diretamente dentro do Marvel Studios. Ele fica responsável por monitorar a propriedade intelectual da companhia (que está nas mãos de outros estúdios), auxiliar com dicas úteis e servir quase como um embaixador. Kevin acompanhou o trabalho de diretores como Sam Raimi com fascinação e outros que lhe causaram certa frustração como em Demolidor, o Hulk de Ang Lee e The Punisher. De acordo com Jon Favreau muitas das dicas e orientações de Feige foram sumariamente ignoradas e não a toa esses filmes fracassaram.

“As respostas, como diz Kevin, para explicar porquê algumas adaptações de quadrinhos dão errado, continua nas páginas dos quadrinhos.”

Foi então que Arad montou um plano que iria possibilitar a Marvel – até então um estúdio independente – de financiar seus próprios filmes. Mas aí era um pouco tarde, pois Hollywood havia virado suas costas para os filmes de super heróis. Até mesmo o personagem mais popular, o Homem-Aranha, havia tido um final desapontador em sua trilogia de 2007.

Dessa forma, o Marvel Studios apostou todas as suas fichas nesse primeiro projeto. Pegaram dinheiro emprestado ao oferecer algumas regalias caso o filme não desse certo. Além de abordar investidores internacionais que de início estavam meio céticos. E finalmente tinham dinheiro suficiente para contratar três diretores: Favreau para Homem de Ferro, Louis Leterrier para O Incrível Hulk e Edgar Wright para Homem-Formiga. E como conta a história, apenas Favreau tornou-se parte permanente desse legado. “As pessoas esquecem que Homem de Ferro é um filme independente”.

Fundador da Marvel Studios Avi Arad

No final, as apostas deram certo e Homem de Ferro estreou com uma bilheteria assustadora em 2008, dando a Marvel a garantia financeira necessária para seguir com a estratégia. E mesmo em meio a um grande sucesso e potencial de mais, Avi Arad decide deixar a presidência do estúdio por não querer lidar com a mega infraestrutura que estava se armando diante de seus olhos. Mas não saiu antes de apontar um sucessor e, com apenas 33 anos, Kevin Feige tornava-se oficialmente o presidente desse estúdio independente.

Bem, daqui para frente sabemos bem como as coisas funcionaram. Kevin Feige realizou um acordo multimilionário com The Walt Disney Company em 2009 de $4 bilhões de dólares. Ainda assim, mesmo com alguns filmes lançados, Kevin Feige continuava tendo o mesmo escritório abafado e que ficava em cima de uma concessionária Mercedes em Beverly Hills. Tem apenas quatro anos que abriu mão desse escritório e mudou-se para outro.

O VISIONÁRIO

Em grande parte o que diferencia o Marvel Studios dos demais que apostam no mesmo gênero se chama Kevin Feige. Sempre acreditou na capacidade que o estúdio tinha de contar uma história complexa e que envolvesse tantos heróis num mesmo universo. Pensamento que foi consolidado graças à bilheteria de $98 milhões de dólares de Homem de Ferro.

Kevin Feige e Robert Downey Jr. na gravação de Homem de Ferro

A princípio a presença de Samuel L. Jackson como Nick Fury não seria nada além de um easter egg, mas a reação do público, fãs e não-fãs, foi tão grande que Kevin percebeu a oportunidade que tinha em mãos de expandir mais esse universo. A outra questão, era fazer com que os atores quisessem assinar com esse projeto visionário a longo prazo. Como grande fã de quadrinhos, Samuel L. Jackson não titubeou em assinar um contrato de aparição para nove filmes, mas Feige não teve a mesma sorte com Chris Evans, a quem queria como Capitão América, tendo em vista que o rapaz tinha interpretado o Tocha Humana previamente e não gostado da experiência. Evans pediu um prazo de uma semana para pensar e Feige afirma que os dias foram longos e angustiantes. Depois veio Chris Hemsworth como Thor e então Kevin decidiu enfim que sua visão de um universo Marvel iria funcionar.

Todavia, nem tudo são flores dentro do estúdio. Edgar Wright que tinha sido um dos primeiro a assinar para dirigir Homem-Formiga rompeu laços com o estúdio em 2014 e Joss Whedon que dirigiu o sucesso Os Vingadores também encerrou sua participação em 2016 alegando que teve que sacrificar muito de sua visão para cumprir com os interesses do estúdios para aquela produção.

Jon Favreau e Kevin Feige no Disney Expo 2017

Feige não nega que os diretores fiquem irritados por ter que jogar as regras da casa. Pensar e trabalhar dentro daquela bolha que foi armada para o universo cinematográfico e a união desses filmes. É de fato um sacrifício a se fazer para atingir um projeto maior. No fim, o quadro geral importa mais do que uma única visão.

Então, se Kevin Feige é assim tão visionário, qual a razão de estarmos vendo sempre o mesmo grupo de heróis e nenhuma novidade no quesito diversidade?

Parte dessa pergunta pode ser respondida utilizando o nome de Ike Perlmutter o presidente da Marvel Entertainment que de acordo com informações internas, só se importa com aquilo que vai lhe render dinheiro. Logo, o presidente achava que era mais fácil continuar apostando no time que estava ganhando do que mexer e mudar um pouco as coisas. Ainda assim, em 2014, Feige foi lá e anunciou que o Marvel Studios faria filmes solo do Pantera Negra e Capitã Marvel. Só que com o cronograma apertado do estúdio, tais filmes ficaram com datas de lançamento muito longe, dando à Warner Bros a oportunidade de lançar Mulher-Maravilha.

Quando questionado sobre não ter sido o primeiro a lançar um filme solo com uma super heroína Feige é categórico e diz que é sim muito bom ser o primeiro em algumas coisas, mas, ressalta o quão empolgado ficou ao assistir ao filme, em especial a agora icônica cena onde a amazona atravessa o campo de guerra. E continua sendo positivo ao afirmar que vai dar tudo certo e que Capitã Marvel vai ser um filme diferente.

E AGORA?

Com a chegada de Vingadores: Guerra Infinita e a sequência chamada apenas de Avengers 4, os atores sentem que é hora de deixar seus papéis. Para Scarlett Johansson que viveu a Viúva Negra/Natasha Romanov em 6 filmes “é uma sensação triste mas positiva ao mesmo tempo. Estou feliz com a próxima geração.”

E diz isso enquanto todos esperam pacientemente a sua vez na sessão de fotos da revista Vanity Fair que reuniu 83 dos personagens do estúdios. Enquanto esperam, jogam partidas de Word With Friends, algo que o fotógrafo não pode capturar.

O CEO da Disney Bob Iger afirma que ainda que se trate de uma despedida para alguns heróis é apenas o começo de um novo futuro para o Marvel Studios que possui os direitos de mais de 7 mil personagens. E esses universos podem andar juntos ou separados. Tudo vai depender dos planos futuros que estão sendo consolidados diretamente com James Gunn. E mesmo que Feige se recuse a revelar mais sobre esse novo universo de personagens, promete que a franquia que conhecemos vai ter seu final em Avengers 4.

“Teremos algo que quase não vemos em filmes de super heróis: um encerramento.”

O que para muitos significa a morte de alguns heróis pelas mãos do vilão Thanos que vem aparecendo aos poucos desde o início da construção desse universo. Ainda para Kevin, vão existir dois períodos distintos: antes e depois de Avengers 4. E que nem sempre vai ser o que as pessoas esperam.

Kevin Feige e Joe Russo na Disney Expo 2017

Para alguns é complicado entender porque outros estúdios falham em tentar fazer o que o Marvel Studios faz e nesse ponto o diretor Joe Russo é bem direto: “Eles não tem um Kevin”. Dando a entender que é a visão e a perseverança de Kevin Feige que faz funcionar este universo de filmes de heróis. No fim, é tudo culpa dele mesmo.

fonte: https://www.vanityfair.com/hollywood/2017/11/marvel-cover-story