Share
Em “Rambo: Até o Fim” os brutos também amam

Em “Rambo: Até o Fim” os brutos também amam

Sylvester Stallone foi um ícone dos anos 80. Ao lado de Arnold Schwarzenegger eles foram os maiores heróis de ação, os brucutus, considerados “exércitos de um homem só”. E o maior de todos os personagens que representou essa época foi John Rambo.

Rambo começou como um veterano do Vietnã tendo que voltar para um país que não o queria. Um país que o via como um assassino lutando uma guerra desnecessária. Ele é tratado como vagabundo. Antes podia voar num helicóptero de ataque, dirigir um tanque, ser responsável por milhões de dólares em equipamentos. Porém, de volta nos Estados Unidos, não conseguia sequer um trabalho para estacionar carros.

O primeiro filme foi um drama de guerra. Já em Rambo II: A Missão é um filme de ação com alguns momentos de drama. Rambo volta ao Vietnã para uma missão de reconhecimento. Lá ele acaba encontrando prisioneiros de guerra e tem que travar um guerra sozinho para libertá-los.

Sylvester Stallone and Voyo Goric in Rambo: First Blood Part II (1985)

Enquanto no Rambo – Programado Para Matar temos apenas uma morte, no segundo, as mortes acontecem o tempo todo. Com uma grande contagem de corpos e diferentes mortes o filme é bastante violento, mas sem ser gore (presença gráfica de sangue, vísceras e restos mortais). Em Rambo III o protagonista vai para o Afeganistão, ajudar o país a lutar contra os Russos.  Vinte anos depois, em Rambo IV – que na verdade se passa 10 anos após o terceiro filme – John acaba se envolvendo com um grupo de missionários que vão para Mianmar (Burma). E, apesar de não querer voltar aos tempos de violência, se vê na situação de ser a única pessoa que pode salvar os missionários. O longa conta com uma classificação etária para maiores de 18 anos. Pois, esse já explora todo o lado gore que pode existir em um filme do Rambo.

Seguindo nessa mesma linha que Rambo: Até o Fim estreia. Onze anos após o quarto filme, de volta nos Estados Unidos, vive na fazendo que era de seu pai com uma caseira e sua neta, a quem considera como filha. Quando a menina se mete em problemas, é obrigado a recorrer à violência como única forma de solução. Tendo em vista que ela sempre o perseguiu todos esses anos.

Rambo: Até o Fim tem uma pegada que remete muito aos anos 80. O enredo deixa claro que não estamos vendo um filme politicamente correto. Opta por explorar muito mais o drama do protagonista, dando ênfase ao trauma vivido por ele na guerra. O que se aproxima bastante do que o primeiro filme fez. Até na fotografia o drama é bem forte, com closes e movimentos fechados. Stallone continua carismático dentro desse personagem. Assim como ele é com no papel do Rocky.  Vemos sua dor, sua amargura e que aquilo ali é a única coisa que o mantém são.

Rambo é um personagem perdido no tempo. Ele não é alguém que conseguiria se adaptar aos dias de hoje e isso fica claro no filme. Para ele é preto e branco, certo ou errado, e a violência o acompanha. São poucas cenas de ação, dando muito mais foco para o drama familiar. Me arrisco a dizer que o filme é no estilo de um Busca Implacável. Só que com mais anabolizantes e sangue.

Quem acompanha a trajetória de John Rambo desde os filmes anos 80 vai gostar de Rambo: Até o Fim. Esse longa não possui a mesma força do primeiro. Nem a ação mais desenfreada do segundo. Contudo, temos um Rambo que soube usar a idade a seu favor, de modo a equilibrar as coisas. O que vale muito mais para os fãs da franquia, do que para o público no geral.

Por fim, sem dar spoilers, posso afirmar que os brutos também amam.

FICHA TÉCNICA
Diretor: Adrian Grunberg
Roteiro: Matthew Cirulnick, Sylvester Stallone 
Elenco: Sylvester Stallone, Paz Vega, Yvette Monreal, Louis Mandylor, Joaquín Cosio, Sheila Shah, Óscar Jaenada, Jessica Madsen, Sergio Peris-Mencheta, Díana Bermudez, Adriana Barraza, Marco de La O, Dimitri Vegas Thivaios, Fenessa Pineda, Atanas Srebrev
Duração: 1h29min 
Estreia: 19 de setembro