Share
Em “Soundtrack” Selton Mello se perde na imensidão do Ártico

Em “Soundtrack” Selton Mello se perde na imensidão do Ártico

Não é de hoje que Selton Mello surpreende quando decide invadir as telas de cinema. O ator mineiro que já presenteou o país com icônicas atuações, como em o Auto da Compadecida (2000) e O Palhaço (2011) retorna agora no grandioso Soundtrack.

O filme que estreou nesta Sexta-feira conta a história do fotógrafo Cris (Mello) que se inscreve para passar uma temporada numa base cientifica no Ártico em busca de isolamento para poder criar em paz.

A trama começa quando o rapaz enfim embarca para a aventura. Sua intenção é criar um projeto autoral de selfies baseadas em canções que ele escolheu. Na imensidão gélida, ele passa a dividir um pequeno contêiner com o cientista inglês Mark, interpretado pelo genial Ralph Ineson (A Bruxa e Game of Thrones). Lá ele também conhece o botânico brasileiro Cao (Seu Jorge), com quem tem uma imediata ligação, além do biólogo chinês Huang (Thomas Chaanhing) e o pesquisador dinamarquês Rafnar (Lukas Loughran).

soundtrack_nacional_filme_selton_mello_media_geek_um

O cenário explora com exatidão a solidão em que os personagens são inseridos e a cumplicidade que é obrigatoriamente construída pelas figuras ali isoladas. Ao mesmo tempo em que busca se concentrar em sua produção artística visando uma futura exposição fotográfica, Cris precisa lidar com o relacionamento complicado entre os moradores da base.

Sountrack peca ao tentar criar um vilão a partir do personagem de Huang, que despreza de imediato a presença de Cris entre os estudiosos, mas não convence o espectador no que diz respeito a suposta rivalidade, ficando tudo pelo meio do caminho. Apesar disso, obtém sucesso ao expor a clara incompreensão tanto de Cris com relação ao trabalho cientifico, quanto dos cientistas com relação à criação artística e ao que mais estiver relacionado a ela.

soundtrack_filme_nacional_selton_mello_mediageek_dois

Todo o tempo o expectador é colocado em contato com situações sensoriais que elevam a experiência de apenas “assistir” o filme para de fato senti-lo.

Cenário gélido impressionante foi criado em estúdio na Barra da Tijuca

A história monótona que tem foco total em destrinchar a relação dos personagens em uma situação extrema, se torna impressionante quando considerado que o cenário no deserto gelado foi todo criado a partir de computação gráfica.

Dirigido pela dupla Manitou Felipe e Bernardo Dutra, conhecidos como 300 ml, e famosos pelo curta-metragem Tarantino´s Mind (2006), o filme eleva a produção brasileira à uma qualidade impressionante quando aposto em seus efeitos visuais.

Apesar de ser cansativo, e trazer alguns conflitos desnecessários, Soundtrack consegue causar uma sensação de isolamento e reflexão em quem assiste. E definitivamente, é um filme que dá frio.