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Equilíbrio entre horror e aventura faz “Typewriter” valer a pena

Equilíbrio entre horror e aventura faz “Typewriter” valer a pena

A recente produção da Netflix idealizada por Sujoy Ghosh engrossa o caldo do conteúdo internacional disponibilizado pelo serviço de streaming. A série indiana conta com 5 episódios com duração média de 50 minutos. Isso é mais do que suficiente para mostrar ao público todos os desdobramentos da trama. Afinal, Typewriter funciona como um conto de horror clássico. Sem muitas inovações ou imprevisibilidades. Já no início, a série apresenta as linhas por onde o enredo se desenvolve.

A história é simples e certamente já foi narrada incontáveis vezes. Um mistério sobrenatural que atravessa gerações, um objeto amaldiçoado, uma casa mal-assombrada e um grupo de pessoas que voluntária ou involuntariamente se vê envolvido no meio disso tudo. Typewriter se inicia na década de 80, em uma casa chamada Bardez Villa, localizada em Goa, na Índia. Ali vivem Jenny, uma jovem garotinha e seu avô, o escritor Madhav Matthew (Kanwaljit Singh). É Madhav que assina Os Fantasmas de Sultapore, livro em que narra episódios de horror que naquela época, foram praticados por um homem conhecido como Faquir. O clima sombrio, uma máquina de escrever e alguns eventos sobrenaturais exibidos nestes primeiros minutos já antecipam o que seria abordado nos episódios seguintes.

Nos dias atuais, acompanhamos o retorno de Jenny (Palomi Ghosh) a Goa. Agora adulta, ela volta à sua cidade natal com a família, já que seu marido conseguiu um novo emprego no local. A Bardez Villa dos dias atuais é popularmente conhecida como uma casa mal-assombrada e é alvo de interesse de um grupo de crianças que se intitulam caçadoras de fantasmas. A líder do grupo é Sameera (Aarnaa Sharma). Filha de Ravi (Purab Kohli), um policial local, Sam é órfã de mãe, o que serve de motivação para seu interesse em fantasmas e assuntos sobrenaturais.

Tudo o que se segue daí em diante é bastante previsível. Para alguém que acompanha filmes de terror com alguma frequência, não há nada em Typewriter que não lembre algo que você já tenha visto antes. Isso não faz com que a série deixe no público um gosto amargo. Pelo contrário. Correndo pelo caminho oposto, Typewriter se mostra triunfante na simplicidade com que resolve alguns problemas e desenvolve alguns personagens. A trama é bem estruturada e muito pouco do que é apresentado é desperdiçado. Cenas exibidas no início da trama e aparentemente, sem muita razão, acabam sendo decisivas em algumas resoluções futuras. A unica exceção está numa subtrama construída para o marido da protagonista que não acrescenta em absolutamente nada na história narrada. A química entre os personagens funciona até certo ponto. O suficiente para que o público sinta empatia por eles. Em grande parte, isso é resultado do carisma do bom elenco, sobretudo o infantil. Sem dúvidas, quem mais se sobressai é Aarnaa Sharma, que está ótima como a sagaz e incansável Sam.

Quanto aos aspectos visuais e técnicos, Typewriter se sai bem quando as soluções são práticas. Porém, na mesma medida, erra bastante quando recorre a efeitos visuais digitais. O design de som é surpreendente, há um aproveitamento sonoro muito interessante que combina perfeitamente com o principal elemento da série: a máquina de escrever.

Dentro de possibilidades e limitações, Typewriter é uma boa surpresa para quem se interessa por uma boa história de aventura com elementos de terror. É uma série pouco memorável, mas bastante eficiente em entreter. Além disso, essa pode ser uma ótima maneira de introduzir uma série indiana a diferentes públicos que ainda não tiveram acesso a produções do gênero.

FICHA TÉCNICA
Criador: Sujoy Gosh
Roteiro: Sujoy Gosh, Suresh Nair
Elenco: Mikhail Gandhi, Sara Gesawat, Palomi Gosh, Palash Kamble, Harish Khanna, Sameer Kochhar, Aaryansh Malviya, Jishu Sengupta, Aarnaa Sharma, Masood Akhtar, Purab Kohli, K.C. Shankar, Rammakant Daayama, Tvisha Jain, Meenacshi Martins, Sruthi Menon
Duração: 5 episódios