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Especial MCU 10 Anos: “Capitão América: O Primeiro Vingador”

Especial MCU 10 Anos: “Capitão América: O Primeiro Vingador”

Capitão América: O Primeiro Vingador possui uma atmosfera diferente dos outros filmes. Além de ter a responsabilidade de introduzir um grande símbolo do universo.

Diferente dos anteriores a construção da narrativa aqui começa de trás para frente. Vemos uma expedição numa parte remota do planeta que descobriu uma nave escondida. Nela, além de gelo e neve, tem também um escudo característico. E então somos transportados para a década de 40, bem no meio da Segunda Guerra, com um franzino Steve Rogers (Chris Evans) tentando se alistar. O trabalho de CGI foi bem feito, mas tem alguns momentos que a perspectiva fica estranha. Parece que a cabeça não compõe tão bem o corpo como deveria. Mas isso só ocorre em poucas cenas.

A determinação de Rogers é o que chama a atenção do Dr. Erskine (Stanley Tucci) que vê além daquele corpo esquelético e inúmeras doenças. De alguma maneira, enxerga o que esse garoto poderia vir a ser. Para Steve é a oportunidade perfeita a fim de cumprir um desejo: se juntar ao exército.

A princípio é difícil saber como foi que Steve Rogers, antes do soro do super soldado, conseguiu sobreviver as ruas violentas do Brooklyn. Mas a resposta vem rápida e na forma de Bucky Barnes (Sebastian Stan). Que é a representação do que Steve gostaria de ser. A amizade deles não provém de interesse, mas é óbvio que sem saber tiram vantagem emocional um do outro. E parte disso foi o que impulsionou Steve a querer entrar para o exército. Indo parar no experimento do Dr. Erskine que já havia gerado um ser muito perigoso: o Caveira Vermelha (Hugo Weaving).

Essa fórmula de vilão e mini-vilão que vimos nos outros filmes é repetida em O Primeiro Vingador. Temos Caveira Vermelha e Arnim Zola (Toby Jones). O primeiro acredita que seu poder deriva dos Deuses, tendo em vista que está com o tessaract em mãos. Assim, passa a ser uma força dentro do exército alemão maior do que o próprio Fuhrer. Com planos que vão além daqueles pretendidos por Hitler. E ao seu lado, o cientista Arnim Zola que o segue mais por medo das consequências do que por acreditar nele. É possível criar algumas correlações com pessoas reais e que fizeram parte do nazismo, mas não farei isso.

A escolha do Caveira Vermelha foi mais do que acertada para ser o primeiro vilão do Capitão América. Não teria como ser outra. Ainda mais se levarmos em consideração que ambos foram criados na época da Segunda Guerra e justamente para fazer esse contraponto com o que acontecia no mundo. Com o tessaract em mãos, o Caveira Vermelha com o auxílio de Zola, sintetiza o poder até criar uma arma capaz de obliterar pessoas. Sua ideia é fazer o mesmo com alvos maiores, como cidades e países. Quer ser o único soberano do mundo. E onde está Capitão América nessa hora?

Nesse momento, depois de passar pelo teste do soro, sobreviver, perder o Erskine e sua chance de ingressar de vez no exército, virou garoto propaganda do governo americano. Enquanto soldados marcham em campos de batalha, Steve sobe aos palcos para vender o conceito da guerra e dar socos num Hitler de mentira. Também angaria fundos para comprar mais munição e meio que tirar a atenção do que anda acontecendo do lado de lá. Só que ele nunca quis isso. Mas não sabe como sair dessa enrascada. Até que Peggy (Hayley Atwell) vai ao seu encontro.

A agente Peggy Carter se destaca nesse cenário. Enquanto outras mulheres cumprem papéis cabidos a elas durante esse período como secretárias ou enfermeiras, Peggy é o braço direito do Coronel Phillips (Tommy Lee Jones). Uma agente com inteligência, sagacidade e estratégia de guerra. Desde o início, lá no treinamento, ficou claro que algo acendeu entre ela e o Steve. O romance não tem tempo de acontecer, mas é um sub-plot que motiva o espectador. E promove algumas cenas memoráveis. Mostrando que Peggy Carter não recua diante as adversidades e não deixa os homens lhe darem ordens. Nem mesmo o Coronel.

Mas Peggy acaba sendo a portadora de más notícias ao informar para Steve que a infantaria a qual Bucky fazia parte foi capturada. E é bem provável que seu amigo esteja morto. Surge assim, de fato, o Capitão América.

Ter essa informação em mãos é a motivação que Steve precisava para enfrentar os superiores e mostrar suas habilidades. Se despir da fantasia criada pelo governo e enfim tornar-se o símbolo que todos queriam que fosse desde o início. Demorou a entender o que deveria fazer, mas quando começou, não queria mais parar. Sozinho invade a base secreta do inimigo, liberta todos os soldados americanos e outros que haviam sido capturados, com o Bucky incluso e ainda fica de frente com o inimigo. Chega a hora da grande revelação por trás do rosto de Johann Schimdt.

Algo que foi bem elaborado e protegido atrás de uma cortina de mistério até o final desse segundo arco. Pois muito se comentou a respeito da aparência do Caveira Vermelha, homens foram mortos mas, até então, não o tínhamos visto. E que revelação. A maquiagem ficou bastante parecida com a dos quadrinhos, sendo preciso poucos ajustes em computação gráfica. Fora que a atuação de Hugo Weaving é um caso a parte. Seja usando o próprio rosto ou a maquiagem, a performance dele é incrível. Não poderia deixar de ser vindo de um ator com outros papéis tão icônicos.

Sua atuação contribui um bocado na hora de construir esse maniqueísmo em torno dos personagens, onde Steve seria a representação do bem e o Caveira Vermelha do mal. Bem simples e objetivo. Só que essa perspectiva vai se desfazendo conforme Steve passa mais tempo no mundo atual, e passa a lidar com outras situações que não são tão simples. Porém, isso é algo que só vamos ver bem mais para frente no universo cinematográfico da Marvel.

Capitão América: O Primeiro Vingador possui uma atmosfera que mistura guerra e espionagem, com elementos de mistério e um toque de noir. O que se torna essencial na hora de apresentar o Capitão América e também, outros personagens ao seu redor e que são fundamentais para o que estaria por vir. Como não poderia deixar de ser, o filme termina com uma ponte para Os Vingadores, com Nick Fury (Samuel L. Jackson) tentando recrutar Steve para sua iniciativa.

Ficha Técnica
Diretor: Joe Johnston 
Roteiro: Christopher Markus, Stephen McFeely 
Elenco: Chris Evans, Hayley Atwell, Sebastian Stan, Tommy Lee Jones, Hugo Weaving, Toby Jones, Stanley Tucci, Dominic Cooper, Richard Armitage, Samuel L. Jackson, Neal McDonough, Derek Luke, Kenneth Choi, JJ Feild, Bruno Ricci 
Duração: 2h04min