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Especial MCU 10 Anos: “Homem de Ferro”

Especial MCU 10 Anos: “Homem de Ferro”

Peguei carona na ideia do pessoal do Matéria Acumulada e criei esse Especial MCU 10 Anos. Com isso irei rever todos os filmes e escrever as críticas dos títulos que ainda não existem aqui no site. Além de outro material que deve sair em vídeo.

De cara a tarefa me pareceu complicada. Rever tantos filmes e conseguir criar um distanciamento de forma que cada crítica seja única e passe longe do contexto maior que é esse universo. Porém, difícil não quer dizer impossível, e após rever Homem de Ferro, percebi que a tarefa vai ser prazerosa.

Homem de Ferro começa com um retrato de quem é Tony Stark; o personagem está absorto em seu mundo, segurando um copo de uísque e fazendo piadas de cunho duvidoso. Faz pouco caso, de modo contido, dos soldados que estão dentro do comboio e brinca com o seu status na área militar. Em pouco minutos fica claro para o espectador – em especial quem desconhece o personagem – quem é Tony Stark. Um fanfarrão como diria Capitão Nascimento.

Nascido em berço de ouro e dotado de um intelecto surpreendente, Tony Stark cresceu à sombra do pai e fez de tudo para se distanciar do seu legado. Só que o esforço foi em vão e ele acaba perpetuando a linha de produção bélica das Indústrias Stark. Cercado de todo o luxo e regalias nunca teve que lutar por algo que não conseguisse com um estalar de dedos. Não entende as dificuldades que outras pessoas passam até que aquele mesmo comboio é atacado e ele sequestrado. Ali, naquele momento, Tony entende o quão frágil é a própria vida e como ele não tem propósito algum. Palavra essa que permeia grande parte do longa.

Quem é Tony Stark? Qual é o seu legado? Até quando pretende viver à sombra do pai? Nós sabemos o quê ele é: Milionário, Playboy, mulherengo, mas isso são apenas rótulos.

De todo modo, é ali dentro daquela caverna, convivendo por três meses coberto de poeira e ao lado de um homem simples que Tony entende o que deve ser feito. É quando ele desperta para a vida pela primeira vez e o que o impulsiona a se tornar o Homem de Ferro.

Logo, a inserção de um vilão que habite esse mesmo mundo não poderia ter sido mais acertada. Obadiah Stane vivido pelo veterano Jeff Bridges é o contraponto que o personagem precisa para enxergar além do dinheiro e dos contratos a assinar. Obadiah é uma versão do próprio Tony e a maneira que ele encarava a vida. Quer melhor forma de mudar do que se enxergar em outra pessoa? E Obadiah é o típico vilão-amigo. Aquele que esteve sempre por perto, mas que arquiteta planos maléficos para se dar bem as suas custas. Quando Tony iria desconfiar que o homem que lhe estendeu a mão após a morte de seus pais iria se tornar um traidor inescrupuloso? Além do mais, a trama te guia numa outra direção, mostrando uma organização terrorista chamada Ten Rings. Organização essa que está interessada em se apossar da tecnologia bélica das Indústrias Stark. Nada mais natural do que Tony voltar sua atenção para esse grupo e esquecer de olhar ao redor.

E nada disso chega a mudar a essência do personagem. Não se torna inteiramente altruísta da noite para o dia. Continua se vangloriando de seus feitos e intelecto. Continua com a mesma postura de playboy do início. Até a construção de seus trajes reflete quem ele é. Não teria mesmo porquê mudar e isso acaba acrescentando mais peso a atuação de Robert Downey Jr. ao conseguir nos mostrar essa transição de forma fluída e clara. Já Terrence Howard destoa um bocado e não parece confortável no papel. A amizade que deveria existir entre os dois é sustentada apenas no interesse de Rhodes pelo trabalho do amigo e como isso contribui na sua carreira. Mesmo nos momentos de crise, não demonstra de fato uma preocupação para com o amigo. Diferente de Pepper Potts. A princípio a atuação de Gwenyth Paltrow parece rasa, mas conforme a trama evolui ela ganha o destaque necessário, além de possuir química com Robert. De convencer enquanto casal.

É ela quem faz a ponte com o agente Coulson (Clark Gregg) que é outro personagem que poucas pessoas conheciam. Ao entoar o nome de uma famosa agência muitos devem ter entendido a referência, todavia, somente após falar S.H.I.E.L.D. que foi possível entender a procedência e importância de Coulson. Não teve um grande destaque, mas estava ali para mostrar talvez os outros planos desse universo. Aqueles que esperavam iria se concluir no futuro próximo.

Quanto as cenas de ação, se levarmos em consideração que se trata de um filme independente, elas são bem acabadas. E mesmo após quase 10 anos de lançamento, seus efeitos não estão datados. Na verdade é o contrário. A tecnologia que envolve o personagem continua tão atual quanto antes. Todos os gadgets que utiliza, os dummies e a evolução das armaduras é o que torna esse universo crível. A única coisa que melhorou com o tempo foi o cavanhaque do ator. Esse parece artificial demais e talvez seja um dos poucos erros do filme. Quiçá o único.

Por fim, Homem de Ferro soube estabelecer bem o terreno para a criação de um universo que o público sequer poderia imaginar. E a evolução do personagem continuou, mas esse assunto fica para as outras críticas.

Ficha Técnica
Diretor: Jon Favreau
Roteiro: Mark Fergus e Hawk Otsby
Elenco: Robert Downey Jr., Jeff Bridges, Gwyneth Paltrow, Terrence Howard, Leslie Bibb, Shaun Tobb, Faran Tahir, Clark Gregg, Bill Smitrovich, Sayed Badreya, Paul Bettany, Jon Favreau
Duração: 2h06min