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Especial MCU 10 Anos: “Thor: O Mundo Sombrio”

Especial MCU 10 Anos: “Thor: O Mundo Sombrio”

Os filmes do Thor continuam me surpreendendo. Achava que era a versão mais madura do personagem e não me enganei.

Depois de sua temporada na terra com Jane Foster e ter que lutar contra o seu irmão em Vingadores, o deus nórdico se mostra mais centrado. Com a bifrost em pedaços, causando desgraça nos nove reinos, cabe a ele tentar levar a paz. Algo que nem cogitaria antes. O que deixa mais visível o quanto ele amadureceu. Conviver com outras pessoas, num outro planeta, lhe abriu os olhos. Até mesmo para as decisões de Odin, que não gosta dos humanos.

O allfather não entende a adoração do filho por uma humana, mas não nega que isso o mudou. Contudo, ainda é o todo poderoso e são as suas ordens que devem ser obedecidas. E mesmo estando numa posição mais centrada, Thor continua discordando do pai. Ainda mais quando Malekith entra na jogada. O elfo negro traz não apenas uma jóia do infinito consigo, como introduz uma outra versão de Odin. É ele quem fala sobre as relíquias (o aether no caso) e temos um vislumbre rápido de todas as outras jóias. Mas ele não conta toda a história. Aqui Thor começa a entender que o pai, apesar de um deus, é passível de falhas como qualquer outro. E que é perigoso para o povo de Asgard, já que ele se nega a enxergar a verdade.

Thor: O Mundo Sombrio faz jus ao próprio nome. Entrega ao espectador uma outra versão do deus do trovão. Como também ajuda a ampliar esse universo conectado de filmes ao introduzir mais uma joia do infinito. Já é a segunda oriunda desse mundo. A primeira foi trazida por Loki direto dos cofres de Asgard, o tessaract. Agora temos mais uma: o aether, ou seja, a joia da realidade. De acordo com o filme ela foi forjada pelo próprio Malekith que tem como missão destruir os planetas. Todos eles. E a tal convergência, estudada por Selvig e Jane é o que vai ajudá-lo. Assim temos a ligação planeta Terra e Asgard.

Mesmo sem manter contato direto com Jane, passaram-se dois anos desde o encontro, Thor fica de olho na cientista. Que está tentando dar um rumo na sua vida, mas sem esquecer do deus nórdico. O romance entre eles é estranho e dá a impressão de ser algo muito mais carnal que amor. Pura atração física mesmo. Ainda bem isso é deixado de lado um pouco, dando foco na relação entre Thor e Loki. De novo o deus da trapaça consegue se sobressair. Seus truques atingiram uma outra proporção e, por mais que ele tenha se aliado temporariamente ao irmão, seu plano final é o trono de asgard. Não importando o caminho a tomar até lá.

Essa relação contribui para evoluir ambos os personagens, mas Loki ainda tem mais destaque. Suas camadas de interpretação são mais visíveis que a de Thor. Até porque o deus do trovão tem uma trajetória mais linear do que o meio irmão. E é essa oscilação de Loki e também o carisma do personagem, que acabou conquistando os fãs. Inclusive as piadas. O humor é mais ácido e natural quando parte dele. O que não acontece com Thor. É o seu constrangimento ao fazê-las que nos faz rir. Não a piada em si.

Talvez o ponto mais fraco em Thor: O Mundo Sombrio seja o vilão. Dando a impressão de que a única razão dele estar ali foi para introduzir outra joia do infinito. Para nos mostrar a extensão de todo o seu poder e tal. Porque em termos de combate, presença e história, não acrescenta muito. Toda a construção do personagem, a língua deles, a maquiagem, é deveras elaborada. Mas, para por aí. Não fosse pela aparelhagem de Jane e Selvig, a luta final em Greenwich não teria tanta graça.

Ainda assim, esse longa acaba sendo superior ao anterior. Por apresentar mais uma jóia do infinito, se referir a ela pelo nome e na cena extra vermos o colecionador enumerando-as. Sem deixar de lado a evolução de personagens importante a esse universo.

Ficha Técnica
Diretor: Alan Taylor
Roteiro: Christopher Yost, Christopher Markus, Stephen McFeely
Elenco: Chris Hemsworth, Tom Hiddleston, Anthony Hopkins, Natalie Portman, Rene Russo, Christopher Eccleston, Jaimie Alexander, Zachary Levi, Ray Stevenson, Tadanobu Asano, Idris Elba, Adewale Akinnuoye-Agbaje, Kat Dennings, Stellan Skarsgard, Alice Krige 
Duração: 1h52min 
Estreia: 1 de novembro de 2013