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“A Favorita” – Um retrato histórico do séc XVIII

“A Favorita” – Um retrato histórico do séc XVIII

Uma das Rainhas da Inglaterra menos favorecidas finalmente teve a chance de ser conhecida fora do âmbito de quem estuda a História das casas monárquicas.

A Rainha Anne (Olivia Colman) ascendeu ao trono deixado por sua irmã e cunhado sem herdeiros. Cada vez mais doente, visto que sofria de gota, uma doença inflamatória reumatológica que causa muita dor, e ainda assim preocupada em fazer um bom reinado, acabou sendo facilmente manipulada por sua melhor amiga Sarah Churchill, Duquesa de Marlborough.

Amiga de infância da Rainha, Sarah (Rachel Weiss) possuía grande conhecimento político, e se aproveitava de sua proximidade e da condição de Anne para garantir os interesses de seu Partido, o Conservador. Mas a chegada de Abigail (Emma Stone) começa a atrapalhar os planos de Sarah, quando “as favoritas” da Rainha entram em embate por seus próprios interesses.

Uma curta aula de história

O filme não vai agradar a todos. Mesmo com um contexto histórico sendo bem mostrado, quem conhecer um pouco mais a fundo vai tirar mais proveito do filme do que aqueles completamente leigos.

Para todos os que amam filmes de época, A Favorita traz um perfeito retrato politico e social da Inglaterra do início do século XVIII. Mas apesar de demonstrar bem os embates e as frivolidades da corte, o filme deixa a desejar no ponto de mostrar o que a Rainha Anne conquistou, como por exemplo a unificação da Inglaterra e Escócia sendo assim a primeira Rainha da Grã-Bretanha.

O filme foca em especial no relacionamento da Rainha com suas duas favoritas: Sarah e Abigail. E do poder politico que ambas tiveram em cima de uma regente debilitada. Cabe ressaltar que o filme trata as duas como amantes da Rainha, embora historicamente nunca tenha sido comprovado por documentos oficiais. Mas para qualquer pessoa acostumada com estudos dessas épocas, sabemos que não é impossível.

Outro ponto é que não existe registro confirmando que a Rainha Anne possuísse os 17 coelhos representando os filhos que perdeu. Para aqueles que se interessarem realmente em conhecer mais sobre a Rainha Anne e suas Favoritas, recomendo esta matéria do site da BBC, que inclusive, foi através dela que me interessei em ver o filme.

O filme merece cada indicação ao Oscar

Não sei se vai ter força em todas as categorias contra os concorrentes. Em questão de figurino, acredito que tenha grandes possibilidades de levar.

Olivia Colman já levou o Globo de Ouro pelo papel e agora concorre também ao Oscar. E se puder apostar meus centavos, acredito que ela ou a Glenn Close leva o prêmio de Melhor Atriz. Tanto Emma Stone como Rachel Weiss concorrem como Atriz Coadjuvante, e não saberia escolher entre elas. As duas deram um show de interpretação em seus papeis.

Achei alguns pontos da edição do filme um pouco incômodos, com cenas sobrepostas. Em alguns momentos a câmera se alterava para uma olho de peixe deixando o aspecto arredondado, mas em questão de fotografia, é um concorrente forte. Agora o que mais me incomodou foram certos pontos com ruídos repetitivos. A mixagem do som justifica claramente porque não foi indicado nessa categoria.

Indicações recebidas:

  • Melhor Filme
  • Melhor Atriz
  • Melhor Diretor
  • Melhor Atriz Coadjuvante (2 indicações)
  • Melhor Roteiro Original
  • Melhor Edição, Fotografia
  • Melhor Figurino
  • Melhor Direção de Arte
Ficha Tecnica
Direção: Yorgos Lanthimos
Roteiro: Deborah Davis, Tony McNamara
Elenco: Emma Stone, Joe Alwyn, Nicholas Hoult, Olivia Colman, Rachel Weisz, Basil Eidenbenz, Carolyn Saint-Pé, Denise Mack, Everal Walsh, Faye Daveney, James Melville, James Smith, Jennifer White, Jenny Rainsford, John Locke, Mark Gatiss, Timothy Innes, Willem Dalby, Wilson Radjou-Pujalte
Duração: 1h59min
Estreia: 24 de janeiro