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A força da Capitã Marvel e Mulher-Maravilha

A força da Capitã Marvel e Mulher-Maravilha

Bastou o filme da Capitã Marvel ser lançado para que as comparações com Mulher-Maravilha tivessem início. De um lado há aqueles que enaltecem o filme da amazona e do outro os que defendem a piloto da força aérea. Mas será que cabe mesmo uma comparação quando ambas possuem forças similares em seu protagonismo?

Quando o longa da Mulher-Maravilha, dirigido por Patty Jenkins estreou, muitos não acreditaram que daria certo. Afinal, a DC/WB vinha de uma longa série de fracassos perante os fãs, então, qualquer coisa que viesse depois disso era lucro. E o sucesso de Diana surpreendeu a todos, rendendo prêmios honorários e um sopro de alívio tanto para os fãs quanto para o estúdio. Quem diria que o primeiro filme a dar lucro para a Warner Bros. Pictures (dentro desse segmento) seria o filme solo da amazona?

Diana tinha ainda uma vantagem que Carol Danvers não tem, o reconhecimento do grande público. A personagem é mais antiga, suas revistas nunca saíram de circulação e de uma certa forma, se manteve estável nos quadrinhos. Não dá para esquecer a famosa série com Linda Carter, as inúmeras animações da DC como também ter seu rosto estampado em diversos produtos ao longo dos anos. Além de possuir uma legião de fãs e admiradores. Logo, é meio óbvio porque houve uma aceitação maior por parte do público. Mesmo que a atriz tenha sofrido ataques quando foi escalada. No final, o resultado foi mais do que positivo. Diferente da colega Carol Danvers.

Sua origem vem de um personagem que não foi bem aproveitado. Ela não é a primeira e nem a segunda versão do herói e só obteve reconhecimento de uns anos para cá. Antes disso, desfilou em outros uniformes até encontrar o seu lugar. Só mesmo os leitores de quadrinhos Marvel Comics conhecem a personagem e seu passado. Todavia, a sua recente introdução no universo de filme da Marvel Studios acabou arrancando da terra aquele pior tipo de pessoa: o nerd tóxico.

O que essas pessoas falham em entender é que eles, homens (no geral), não são o público alvo de ambos os filmes. Não importa se são leitores ávidos de quadrinhos ou grandes fãs e admiradores das personagens. O intuito não é nem de longe agradá-los. A ideia aqui é ir além. E talvez pela primeira vez em anos os homens estão entendendo de verdade (ou não) o conceito da palavra privilégio. Palavra essa que explica muita coisa de uma forma simples e objetiva. Ter inúmeros filmes com heróis como protagonista é sim um privilégio. Com esses dois títulos entenderam um pouco o que é não se ver representado. Mesmo que essa representação para muitos signifique uma hiper-sexualização das personagens. Algo que se acostumaram a ter nas páginas dos quadrinhos.

O alvo de Capitã Marvel e Mulher-Maravilha são as mulheres. Sejam elas crianças, adolescentes ou adultas. Sejam elas nerds ou não. Uma fatia que por anos a fio não se sentiu representada no cinema de super heróis. Tendo que se contentar com pequenas aparições de heroínas fadadas a dividir à tela com outros heróis. O que torna ainda mais a comparação com os filmes sem sentido. Pois, de uma forma curiosa, elas meio que possuem uma trajetória similar. Ambas estão em busca de algo a mais e se sentem deslocadas.

Seja Diana em Themyscira tentando provar seu valor a mãe e as demais amazonas ou Carol tanto na Terra, lutando para conseguir ser uma piloto da força área ou ter seu potencial reconhecido pelos Kree. As duas querem a mesma coisa: ter o respeito de terceiros. Então qual é a razão de apontar uma ou outra como sendo melhor? Como é possível entender que a Mulher-Maravilha é tão ou mais poderosa que o Homem de Aço, mas não conseguir admitir que a Capitã Marvel é a mais poderosa do universo cinematográfico da Marvel? Mais poderosa do que o próprio Thor. Sim, porque não cabe nem comparar ao Homem de Ferro, por favor. É isso ou não faria sentido usarem-na para derrotar o Thanos.

Tal birra não se justifica a não ser pelo o que foi mencionado acima: os privilégios masculinos. Ter homens, mesmo fictícios, poderosos, lutando juntos para derrotar um vilão muito forte. As mulheres podem ajudar, mas não podem se destacar. Por isso que é muito importante a força de ambas. A força que mostra o quão importantes e necessárias elas são para ajudar a quebrar um molde cinematográfico de mais de dez anos.

E homens não se preocupem. Os filmes com heróis como protagonistas não vão acabar. As mulheres não vão dominar essa fatia do mercado. Até porque, mesmo usando a palavra ‘fatia’, não é igual bolo que quanto mais corta acaba. Na verdade, todos vão se beneficiar. Pois esse universo está se expandindo e quanto mais filmes do gênero, melhor para todos.