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“Fugitiva” vai além de uma trama policial

“Fugitiva” vai além de uma trama policial

A mais nova aquisição da onda hispânica que invadiu a Netflix, a série Fugitiva, estreou no serviço de streaming na última sexta (23) e conta a saga de Magda Escudero (Paz Vega).

A série criada por Joaquín Oristrell, mescla ação e drama e nos envolve com os eventos que levaram, a ex-modelo mexicana a orquestrar um plano de fuga para se libertar do relacionamento abusivo com o marido Alejandro (Julio Bracho), através de um sequestro forjado. Com uma trama complexa, abordando assuntos extremamente pontuais na atualidade, o roteiro peca em alguns momentos, mas cumpre sua função sem banalizar a violência e levanta questões sobre machismo, feminicídio e o empoderamento da mulher. O ator Julio Bracho, declarou que muito além de uma trama policial, a série foca na violência de gênero e aborda o terrorismo familiar.

O piloto se inicia com uma reflexão sobre o medo e a necessidade de liberdade. Logo, temos Magda e os três filhos: Paulina, Claudia e Ruben no carro, sendo escoltados até o momento da interceptação. A partir daí a ação se desenrola com um grupo encapuzado os sequestrando e ao mesmo tempo flashbacks são mostrados paralelamente. Neles temos a chance de entender o porquê de toda segurança em torno da família e o principal, a motivação de Magda para planejar a fuga. A violência doméstica citada na sinopse da série, serve como pano de fundo do episódio, se firmando como o tema central que será abordado ao longo de toda temporada juntamente com a briga pelo poder em uma sociedade predominantemente patriarcal.

O roteiro peca pela superficialidade com a qual apresenta personagens centrais, como os filhos de Magda, por exemplo. O que torna praticamente impossível se criar algum tipo de empatia por algum deles. Mas por outro lado a maneira que Magda é apresentada e os tranquiliza durante o sequestro, faz com que o inverso aconteça e muito além de todo apelo por trás de sua história a empatia criada por ela é algo natural. Outro destaque é o marido Alejandro, defendido brilhantemente por Julio Bracho, que consegue provocar repulsa e revolta à medida que vamos nos familiarizando com a história da família.

Todo desenrolar da trama ocorre ao longo de 90 horas e podemos acompanhar paralelamente, Magda e os filhos fugindo do México para Espanha, assumindo novas identidades e sendo perseguidos por criminosos. Ao mesmo tempo em que temos Alejandro lidando com os reflexos do sequestro. Também vale destacar outro personagem, o investigador José K (Roberto Álamo), que termina se tornando crucial na busca pelo paradeiro de Magda.

Embora a série não empolgue de imediato como as outras produções castelhanas, disponíveis no catálogo da Netflix, Fugitiva vai além do entretenimento em sua abordagem, retrata assuntos amplamente discutidos no cenário atual, mas que ainda são tidos como tabu pela grande maioria ao serem inseridos no cotidiano. Não espere por uma nova The Handmaid’s Tale, mas deixe-se envolver pela saga de Magda que vale a pena ser conferida de perto.

Ficha Técnica
Criador: Joaquín Oristrell
Roteiro: Joaquín Oristrell, Yolanda Garcia Serrano, Carlos Molinero, Laura León
Elenco: Paz Vega, Julio Bracho, Arantza Ruiz, Luisa Rubino, Lander Otaola, Iván Pellicer, José Manuel Poga, Mercedes Sampietro, Sebastian Montecino, Charo López, Roberto Álamo, Odiseo Bichir, Matt Fowler, Felipe Garcia Vélez, Mireia Pérez, José Lamuño, Roberto Peralta, Raúl Merida
Duração: 9 episódios