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“Heróis em Crise” – A saga existencial dos poderosos

“Heróis em Crise” – A saga existencial dos poderosos

Quando falamos das histórias dos poderosos, elas raramente tratam deles mesmos. Giram em torno de super vilões atacando o planeta, guerras, espiões, governo corrupto e tantos outros temas. Mas como fica a saúde mental dessas pessoas? De que maneira eles lidam com perdas e questões pessoais? É dentro dessa premissa que Heróis em Crise lança a sua primeira de sete edições.

A história gira em torno de um lugar chamado Santuário o qual os heróis – e também vilões – vão para expurgar seus problemas e se tratar de traumas psicológicos. Logo nas primeiras páginas descobrimos que o local sofreu um ataque e diversas pessoas, nomes conhecidos, estão mortos. Resta ao Batman, Superman e Mulher-Maravilha lidar com a investigação enquanto também aprendem a lidar com a perda de amigos e aliados. Mas o pior é descobrir que o responsável por tal barbárie é um dos seus.

Em pouco menos de 40 páginas não é possível determinar muita coisa do conteúdo da história. As páginas do acontecido se misturam com os depoimentos de alguns nomes como Arsenal, Wally West, Arlequina e Gladiador Dourado. Confissões que muitos de nós, leitores, nem imaginamos que acontecem. Sabemos que o Arsenal teve problemas com drogas e que isso foi apontado dentro de uma HQ do Arqueiro Verde, mas não vemos o lado dele da história. Pouco sabemos do que a Arlequina pensa também. Apenas recentemente a personagem sofreu uma reviravolta e deixou de ser uma assecla do Coringa. Passou a ter voz própria e se livrou do relacionamento abusivo.

Aliás, ela e o Gladiador Dourado são duas figuras de interesse de Heróis em Crise. Deixam no ar a questão de que um deles foi o responsável pelo ataque ao Santuário. Local secreto em Nebraska e comandado por AI (inteligências artificiais) que tem partes importantes tanto do Superman, quanto da Mulher-Maravilha e do Batman. Por isso é tão duro para a trindade encontrar uma cena como aquela.

Heróis em Crise apresenta um lado dos poderosos que quase não é mostrado nas histórias em quadrinhos. O lado sentimental dos heróis e vilões. A consciência deles em relação aos próprios atos e outros problemas. Tal abordagem é restrita a certos personagens como Batman, Demolidor e Homem de Ferro, por exemplo. Histórias as quais os próprios costumam expor seus sentimentos seja em voz alta ou através de pensamentos. Todavia, quase nada é mencionado quando ligado a grandes eventos.

Nem todos os leitores vão demonstrar interesse em consumir essa edição. Afinal, a batalha travada aqui é interna e não galáctica como costuma ser as sagas da DC Comics. Parece uma tentativa de alertar os leitores para tais sintomas ao passo que humaniza personagens conhecidos e expõe seus receios e angústias. Ainda mais com uma questão em aberto que não desperta tanta curiosidade: Quem atacou o Santuário? O jeito é esperar as próximas seis edições.