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Hollywood: Da magia ao assédio e abuso de poder!

Hollywood: Da magia ao assédio e abuso de poder!

*clique nos links em laranja E AZUL para saber mais de cada história*

Sabe aquela máxima de “um mágico nunca revela seus truques”? É bem isso que acontece com a magia em Hollywood. Alguns aspectos são tão obscuros que parecem mentira. Mas não são.

Venho tentando organizar minha cabeça com tantas notícias a fim de escrever algo condizente com tudo o que anda sendo publicado sobre o assunto. Mas, cada vez que paro e escrevo algo, borbulham mais e mais informações. Então, sou obrigada a reescrever e refletir mais uma vez. Dessa forma, optei por tentar me organizar a partir de perguntas soltas que li pelas redes sociais.

Essas acusações de assédio sexual e estupro não são originais de 2017. Não. Se quiséssemos mesmo saber, investigar a fundo, vamos descobrir podres de outros atores datando de mais de 100 anos atrás. A exemplo o próprio Charlie Chaplin que muitos tem como grande feitor do cinema. E de fato, ele é. O que não o exime de ter assediado e violentado uma atriz menor de idade que contracenou com ele em um de seus filmes. E, como a moça engravidou e ele não queria ser preso, obrigou-a a casar com ele. Não havia amor. Não se apaixonaram no set de filmagem e tudo virou um grande romance. Chaplin usou de seu poder como produtor do filme para se impor sexualmente à moça. E a prática tornou-se comum, quase um padrão em Hollywood.

Agora, pensem comigo, numa indústria que é preciso agradar a meio mundo para conseguir um lugar ao Sol, quantos casos similares a esse devem existir? E quantos nem vamos ficar sabendo?

Num meio que o poder está centrado nas mãos de 80% dos homens héteros e brancos, um tanto óbvio que a voz da mulher seja abafada. Ashley Judd e Asia Argento tentaram falar sobre o assédio que sofreram por parte do produtor Harvey Weinstein e o que aconteceu? Ambas tiveram as carreiras destroçadas, foram jogadas no limbo, descreditadas, pois, quem iria ficar contra um dos grandes produtores de Hollywood? Quem em sã consciência iria comprar essa briga? (Oi Tarantino! Estou olhando para você!)

Quentin Tarantino confirmou em uma recente entrevista que sabia sim dos abusos e assédios por parte do amigo Harvey Weinstein. De acordo com o mesmo, ele sabia o suficiente para se manifestar e nada fez para prevenir ou ajudar outras mulheres. Diferente do também diretor James Gunn que alertou diversas atrizes sobre o comportamento abusivo de James Toback ao longo de décadas.

Ora, então por que o Tarantino nunca falou nada? Bem, porque era conveniente para ele ficar quieto já que a companhia do Harvey Weinstein foi responsável por financiar todos os seus filmes.

Desde então, Ashley Judd tem sido pintada por aí como louca, doente, que ataca pessoas sem qualquer razão. Minando tanto a sua imagem de artista quanto de pessoa física. Tudo isso porque ela se atreveu, teve a coragem, de falar a verdade sobre Harvey Weinstein. E agora que ele possui mais de 60 acusações similares ou piores nas costas, as pessoas estão começando a pensar que talvez Ashley Judd e Asia Argento não estejam tão loucas assim.

Mas qual é o motivo disso continuar acontecendo? Por que será que tantos homens acham que tem o direito de assediar mulheres assim? De abusar de sua posição e status na indústria para conseguir favores sexuais?

A resposta mais simples para essas questões é: porque eles acham que podem. Ponto. Já, a resposta mais complexa, tem a ver com algo muito discutido hoje em dia chamado de patriarcado. E que também está associado à primeira resposta simples. A palavra, que alguns torcem o nariz só de pensar no movimento feminista, tem mais a ver com a maneira que uma sociedade é direcionada e, por isso, reflete parte do comportamento de muitos homens.

Patriarcado é um sistema social em que homens adultos mantêm o poder primário e predominam em funções de liderança política, autoridade moral, privilégio social e controle das propriedades. No domínio da família, o pai (ou figura paterna) mantém a autoridade sobre as mulheres e as crianças.

Logo, tendo em vista a forma como uma sociedade patriarcal é conduzida, seguindo a exemplificação acima, nada mais “natural” que isso explique o comportamento de Harvey Weinstein e companhia. Porque esses homens em posição de poder, sentem que podem e devem exigir favores sexuais. Seja de mulheres ou homens. Até mesmo crianças. Com a promessa garantida de ter tal papel numa produção. Ou cobrar um favor no futuro. O famoso “teste do sofá” como é conhecido em terras brasileiras.

Então, por que será que só agora estamos sabendo dessas histórias? E por que está tão em alta e mais e mais continua a aparecer novas acusações e novas vítimas?

Em suma porque a mentalidade das pessoas mudou. Graças a diversos movimentos, como o feminista, o público está mais propenso a acreditar na vítima e não tanto naquele que está sendo acusado. Ainda que alguns tentem, em vão, culpabilizar a vítima, a voz que se destaca é a dela e daqueles que estão ao seu lado. Porém, é preciso ter noção que não é uma caça às bruxas, como muitos querem pintar por aí (Oi Woody Allen!).

A expressão surgiu na época dos julgamentos em Salem, dentro de um cunho político e social, e que visava investigar e prender qualquer mulher que julgassem agir de forma estranha dentro daquela sociedade tradicional. Não havia qualquer indício de que elas praticavam bruxaria ou magia negra. Mas os inquisidores não se importavam com provas reais. Muitas mulheres foram capturadas e condenadas à fogueira.

O que o diretor Woody Allen teme – assim como a maioria dos homens – é que atos antes “aceitáveis” passem a ser condenados pela sociedade. Quais seriam esses atos?

  • Assoviar na rua para uma desconhecida.
  • Elogiar traços físicos sem possuir a menor intimidade com a pessoa (e aí gostosa?! Que bundão hein?!)
  • Invadir o espaço físico da pessoa. Chegar muito perto sem ter qualquer permissão. (como acontece em balada que é possível sentir o hálito da outra pessoa que está dando em cima de você)
  • Impor contato físico ao pegar/tocar no joelho, coxa, bunda, peito, pênis, sem qualquer aviso prévio e autorização. (como aconteceu com o Terry Crews e Hillarie Burton)
  • Segurar alguém a força a fim de que a pessoa te dê o que está querendo (beijo, abraço, sexo, o que seja)
  • Entre tantos outros…

Nenhuma dessas ações foi aceitável um dia. Entretanto, como vivemos numa sociedade patriarcal, o homem sempre achou que eram atitudes compreensíveis e que todo mundo concordava. Ledo engano.

E, como a mentalidade das pessoas tem mudado, ainda bem, vemos a corda não mais arrebentar para o lado mais fraco. E sim para prender aquele do lado errado. Que dirá Kevin Spacey que após sofrer acusações de assédio por parte do ator Anthony Rapp está vendo sua carreira antes meteórica afundar cada hora mais. Perdeu representação de agência, relações públicas e, a mais comentada, seu papel em House of Cards. A Netflix foi a primeira a se manifestar a respeito tirando da grade sua primeira série original. Em notícia recente, afirma estar estudando a possibilidade de uma última temporada, sem o Kevin Spacey.

Há quem diga que isso é exagero por parte da Netflix. Há quem diga que é muito pouco. Afirmo que é o começo. Só a ponta do iceberg e, dessa vez, o Titanic não afunda mais.