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HQ: “Paper Girls” de Brian K. Vaughan

HQ: “Paper Girls” de Brian K. Vaughan

Desde que a série original da Netflix Stranger Things estreou e deixou o gosto por mais histórias do gênero decidi buscar outros exemplos e me deparei com a indicação desse quadrinho que é escrito por Brian K. Vaughan e tem arte de Cliff Chiang, o mesmo responsável pelas capas da HQ da Mulher Maravilha nos Novos 52.

PaperGirls_Vol01Se o artista, que considero talentoso, já não fosse uma boa pedida, o fato de ter quatro meninas protagonistas certamente solidificou a vontade de ler esse quadrinho e olha, que aventura.

KJ, Mac e Tiff são as entregadoras de jornal do bairro e que protegem uma a outra em suas rotas. Erin é a novata que acaba se unindo as meninas depois que elas a defendem de três garotos fantasiados, já que é manhã de Halloween e os malucos continuam à solta. As quatro decidem se dividir em rotas diferentes e não esperavam por mais nenhum incidente quando descobrem que KJ e Tiff foram assaltadas por tipos estranhos. As meninas partem com suas bicicletas atrás dos suspeitos e acabam descobrindo um artefato bem peculiar no porão de uma casa abandonada. É o pontapé inicial para muita confusão e seres de outro planeta e tempo. Juntas vão precisar sobreviver à noite e tentar desvendar o mistério do sumiço dos moradores do bairro, suas famílias e a razão de tudo isso estar acontecendo. Quem são as pessoas montadas nas aves aladas? O que elas querem de verdade? Por que elas não sumiram também?

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Paper Girls volume 1 é uma compilação dos cinco volumes individuais lançados até agora pelo selo da Image. A arte de Chiang e as cores de Matt Wilson são simplesmente incríveis e ajudam a ambientar a trama no final da década de 80 com tantas cores fortes para contrastar com personagens sombrios e mesmo a evolução das personagens principais.

As meninas tem 12 anos e cada qual possui um tipo de personalidade diferente, mas que ao longo das páginas vão modificando e amadurecendo conforme os problemas e obstáculos surgem. Mesmo abordando temas como arrebatamento, viagens no tempo, seres de outro planeta, todos esses elementos não passam de pontes para apontar o fato de que é uma época marcante na vida de qualquer garota. O momento de transição, a hora de deixar a infância para trás e lidar de frente com questões de adulto, tendo em vista que não há nenhum por perto para auxilia-las. Vão precisar analisar o caráter de terceiros, confiar mais em seus instintos e em especial nelas mesmas. O que é difícil quando se está fugindo de pássaro gigantes e pessoas que não falam o seu idioma ou mesmo qualquer um que pareça terrestre.

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Em cinco volumes não é possível determinar as consequências do evento estranho que tomou conta do bairro ou mesmo se as garotas vão conseguir resolve-lo tendo em vista que na última página elas claramente foram parar numa outra época. Entretanto, a forma como Vaughan descreve as relações entre elas e esse amadurecimento repentino faz com que Paper Girls se torne uma história a ser acompanhada com afinco.