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HQ: “The Defenders” (2017) de Brian Michael Bendis

HQ: “The Defenders” (2017) de Brian Michael Bendis

Tirando o fato de que daqui 32 dias vai começar a série na Netflix. Essa atual equipe de Os Defensores (The Defenders no original) nunca trabalhou junta antes. Por isso mesmo a Marvel Comics decidiu lançar um quadrinho com eles.

Entretanto, não vá achando que é um quadrinho oriundo da série, porque tirando a formação dos Defensores, não tem nada remotamente similar ao seriado. Pelo menos o que foi apresentado até agora. É um outro vilão, são outras participações especiais e com uma atmosfera mais soturna. Sem contar que a série já havia encerrado as gravações quando a primeira edição foi lançada.

Só que esta história começa bem antes, lá atrás em 1972 com a morte do Diamondback. O meio-irmão do Carl Lucas, vulgo Luke Cage que foi ressuscitado tanto na série solo do herói quanto aqui no quadrinho. Na edição #0 que foi lançada no dia do quadrinho grátis nos Estados Unidos, seu negócio foi destruído por Luke Cage e Demolidor. Não querendo deixar essa afronta passar em branco, decidiu se vingar indo atrás da Jessica Jones. Atira na investigadora e deixa alguns diamantes no chão, que são uma conexão direta com o nome Diamondback.

Era óbvio que esse inusitado cartão de visitas chamaria a atenção de Luke Cage. O herói também foi alvo de um ataque. Tal qual Matt Murdock e Danny Rand em suas vidas normais e não como seus alter egos. Logo, o vilão estava deixando clara a intenção de retaliação por terem interferido em seus negócios. Depois que Wilson Fisk desistiu de ser o senhor do crime, o caminho está livre para outra pessoa reinar em Hell’s Kitchen. E essa pessoa é Diamondback.

Com os Defensores na área, prometendo interromper mais uma vez seus planos, vai precisar tirá-los rápido do caminho. E depois da primeira luta, a qual Luke Cage é envenenado, e na segunda que todos são alvos do Justiceiro, vão precisar de uma estratégia nova para derrubar Diamondback. Que não parece ser o mesmo de antes.

O mote principal aqui é aprender a trabalhar em equipe e isso parece também ser um ponto que o seriado vai abordar. Sabemos que é mais fácil lutar em dupla, estão acostumados a fazer isso. Porém, coordenar quatro pessoas com vontades, instintos e pensamentos bem diferentes é um tanto complicado. Em apenas três edições publicadas, foram derrotados esta mesma quantidade de vezes e parecem longe de ser uma equipe. A questão principal é que eles não se escutam e os egos são enormes. Querem lidar com o problema como acham melhor e não param para conversar e determinar uma linha de ação. Até serem obrigados a fazer isso.

Sem mencionar o fato de que não sabemos exatamente quais as intenções do Diamondback como vilão. Não parece ser apenas uma questão de vingança contra o Luke. Tem algo ou alguém por trás dele que não descobrimos ainda.

Brian Michael Bendis é o autor responsável por conduzir essa turma, além de ser o criador de Jessica Jones. Junto com a arte de David Marquez que é limpa e possui enfoque nos personagens e em suas expressões. Isso somado as cores de Justin Sponsor faz com que o quadrinho tenha um visual moderno e atual. Os dois oferecem a visão de como seria a relação entre essas pessoas fora das telas. Um caminho contrário ao que normalmente ocorre. Creio ser até mais difícil. Por outro lado, o ponto positivo é poder utilizar certos personagens que sabemos não vão aparecer na série como Gata Negra e o Blade. Ambos deram o ar da graça, além da Night Nurse. Não, não é a Claire. E isso acaba agregando um valor que só o quadrinho pode proporcionar.

Afinal, estamos lidando com quatro heróis diferentes, que habitam universos distintos ainda que interligados, logo, nada mais natural que um personagem ou outro pertencente a esses universos apareçam para ajudar a construir a trama.

Por enquanto a história em The Defenders está superficial e não apresentou nada de muito relevante a não ser a aparição de outros personagens e o retorno do Diamondback. Todavia, após os acontecimentos da última edição – com direito a uma cena clássica do Batman – parece que as coisas vão tomar um rumo mais sombrio.