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“Invasão ao Serviço Secreto” – Hora de aposentar

“Invasão ao Serviço Secreto” – Hora de aposentar

A trilogia ‘invasão’ que teve início com Invasão a Casa Branca em 2013, chega ao final com Invasão ao Serviço Secreto (Angel Has Fallen), que estreia essa semana nos cinemas, o mais fraco entre os três filmes. Após lutar contra diferentes inimigos, tanto dentro quanto fora de casa, dessa vez Mike Banning vai ter que enfrentar uma acirrada perseguição atrás daquele que está sendo acusado de tentar matar o presidente americano: ele mesmo.

O longa começa com a explicação de que Mike Banning não está na sua melhor forma. O agente não quer trocar o cargo por outro mais burocrático. Então, duela internamente entre isso ou aceitar a posição de diretor do serviço secreto. Nesse meio tempo, vai ajudar Wade, um amigo do passado, a treinar ex-militares que fazem parte da empresa privada de Wade que oferece serviços de segurança militar. Caso Mike aceite o cargo de diretor, ele quer que o amigo considere contratar seus serviços. Algo que vai contra a política do Presidente Trumbull. E é a partir daqui que a trama de Invasão ao Serviço Secreto tropeça.

Desde o início é possível identificar os culpados e suas motivações. O roteiro não se preocupa em construir, tal qual nos outros filmes, um mínimo de suspense a fim de entreter o espectador. Os culpados estão ali, sabemos quem são, o protagonista também, então, qual é o problema? Bem, o erro reside na maneira como isso é apresentado ao público, como os demais personagens conduzem suas tramas em paralelo e na repetição dos vilões.

Mais uma vez, igual em Invasão a Casa Branca, temos um colega trocando sua lealdade por dinheiro. Mais uma vez temos um chefe de estado disposto a iniciar uma guerra. Não obstante, escalam atores os quais o público se acostumou a ver em papéis de antagonistas. Dando continuidade a um estereótipo. E de novo, querem pintar os russos como os grandes culpados. Tudo bem que o filme leva em consideração o atual cenário americano. Ainda assim, quantas vezes mais precisamos ver essa mesma combinação dentro desse gênero?

Um outro ponto explorado de maneira falha são os coadjuvantes. Uma equipe inteira do FBI, com Jada Pinkett Smith no comando, é utilizada de qualquer jeito apenas para existir uma alternância entre núcleos de personagens. Eles surgem e são retirados com rapidez e o espectador não tem nem tempo de se conectar a eles. Até mesmo as cenas de ação, quiçá o maior chamariz de Invasão ao Serviço Secreto, de toda essa trilogia na verdade, não conseguem sustentar a história. Isso se deve ao fato de ser notável o cansaço de Gerard Butler. Assim como o próprio Mike Banning, Butler não aguenta mais atuar em tantas cenas de ação. O esgotamento físico está estampado em seu rosto e a dor do personagem parece se misturar com a dele. Por isso que boa parte das cenas de ação se passam em ambientes muito escuros. Quando não, outros personagens, muitos extras até, são escalados para explodir, atirar, dirigir, lutar, etc.

Invasão ao Serviço Secreto é um desfecho fraco de uma trilogia que surgiu embasada em massivas cenas de ação e não consegue entregar nem isso ao espectador. Ainda bem Mike Banning vai se aposentar.

PS: Existe uma cena no meio dos créditos, caso queira assistir.

FICHA TÉCNICA
Direção: Ric Roman Waugh
Roteiro: Robert Mark Kamen, Mart Cook, Ric Roman Waugh 
Elenco: Gerard Butler, Frederick Schimidt, Danny Huston, Rocci Williams, Piper Perabo, Harry Ditson, Linda John-Pierre, Ori Pfeffer, Morgan Freeman, Jasmine Hyde, Ian Porter, Laurel Lefkow, Michael Landes, Mark Arnold, Kerry Shale, Jada Pinkett Smith
Duração: 2h01min
Estreia: 14 de novembro