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Jackie Chan mostra outro lado em “O Estrangeiro”

Jackie Chan mostra outro lado em “O Estrangeiro”

Quem assiste aos filmes do Jackie Chan pode se impressionar com sua atuação em O Estrangeiro. O ator que é sempre conhecido por trazer um sorriso no rosto, está taciturno e sombrio nesta produção. E sem sorrisos.

Por vezes alguns atores fazem tanto sucesso em certos papéis que acabam estagnando. Não recebem outras oportunidades e continuam nessa zona de segurança. Jackie Chan é um desses exemplos. O ator se acostumou a fazer filmes de comédia e inserir nela suas habilidades em artes marciais. Entretanto, nunca foi além disso. Na verdade começou a escolher títulos duvidosos (como aquele filme com o Johnny Knoxville) e alguns diziam que a carreira de Jackie Chan estava próxima do fim.

Bem, seu papel como Quan em O Estrangeiro mostra o contrário. Que como dito acima, tudo o que Chan precisava era de uma oportunidade e não a desperdiça. Ele surpreende.

No longa dirigido por Martin Campbell e com roteiro de David Marconi – e baseado num livro – Quan é um pai determinado a encontrar os culpados pela morte de sua filha, vítima de um atentado terrorista. Tudo indica que os autores da bomba tem conexão com o IRA [Irish Republican Army um movimento paramilitar Irlandês que acredita que a Irlanda deve ser uma república independente]. Tal grupo é conhecido por ter sido bastante violento no passado, porém, graças ao seu vice-ministro Liam Hennessy vivido por Pierce Brosnan, eles agora gozam de uma boa aliança com o governo britânico.

Acontece que nem todos dentro do IRA concordam com essa aliança. O que coloca o Hennessy numa posição delicada, em especial quando Quan decide que ele sabe mais do que alega.

O Estrangeiro é um filme de ação que também mistura drama e se sustenta na atuação de Jackie Chan. Suas expressões de amargura e desgosto é o que prende o espectador para acompanhar o desenrolar da trama que tem pequenos problemas. Fato que a ação em si demora para acontecer, pois é preciso desenvolver primeiro a motivação e parte do passado de Quan para tal. Mas quando acontece, não desaponta. E em nada se parece com os outros filmes do ator no qual ele luta.

Aqui Jackie faz uso de sua idade avançada como recurso inteligente. Não quer lutar. Não quer correr atrás desses homens. Mas é necessário para obter respostas. E como isso não é algo que ele quer, mas sente obrigado a agir, suas lutas são de pura defesa e nada planejadas. Há tropeços, manobras que não dão certo e um constante olhar por cima do ombro. Se machuca inúmeras vezes, precisa fugir outras, mas continua sempre em frente. Entra em modo invisível e coloca todas suas habilidades na mesa. E é quando a trama começa a tropeçar também.

Salvo a atuação de Jackie Chan e o seu arco, o resto da trama meio que anda na corda bamba. Brosnan tem uma atuação pontual como ex-líder de uma organização violenta mas que ainda detém os costumes da época; só que toda a história que o envolve parece construída de qualquer jeito. O desfecho é dado sem um desenvolvimento maior e fica por isso mesmo. Quando nos damos conta, os créditos estão subindo na tela.

O Estrangeiro veio para mostrar que tudo o que alguns atores precisam é de uma oportunidade. Isso já aconteceu com Liam Neeson, Keanu Reeves e até mesmo Arnold Schwarzenegger. Era mais do que hora de Jackie Chan mostrar um outro lado como ator: o dramático. E não decepciona.

Ficha Técnica
Diretor: Martin Campbell 
Roteiro: David Marconi
Elenco: Jackie Chan, Katie Leung, Rufus Jones, Mark Tandy, Caolan Byrne, Aaron Monaghan, Niall McNamee, Pierce Brosnan, Charlie Murphy, Orla Brady, Lia Williams, Michael Elhatton, David Pearse 
Duração: 1h53min