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“Jogador Nº1” faz ode à cultura pop

“Jogador Nº1” faz ode à cultura pop

Adaptações literárias são sempre complicadas. Em especial quando se trata de um livro como Jogador Nº1 que bebe diretamente da grande fonte que é a cultura pop. Mas, claro que Steven Spielberg teria sabedoria para usar isso a seu favor.

No ano de 2045 o mundo enfrenta sérios problemas econômicos e sociais. Wade (Ty Sheridan) faz parte da população que usa o OASIS para conseguir dinheiro virtual a fim de sobreviver no mundo real. Após a crise que assolou o mundo, perdeu os pais e agora vive com sua Tia Alice (Susan Lynch) nos Stacks – uma espécie de favela. Onde a moradia das pessoas são containers empilhados de forma vertical. O garoto passa a maior parte do tempo conectado em OASIS com seus 3 melhores amigos: Aech (Lena Waithe), Sho (Philip Zhao) e Daito (Win Morisaki). São conhecidos como gunters, aqueles que estão em busca do easter egg deixado por Halliday (Mark Rylance), o criador do OASIS, que antes de morrer escondeu 3 chaves em diferentes portais. Quem encontrar todas vai herdar não apenas a sua fortuna, mas também virar dono desse vasto mundo virtual.

O longa que foi dirigido por Steven Spielberg e roteirizado por Zak Penn (Os Vingadoresfaz uma clara ode à cultura pop ao misturar referências com a trama.

Jogador Nº1 possui roteiro simples e até um pouco frágil que se sustenta graças a esses elementos diversos da cultura pop. Seja o delorean (De Volta Para o Futuro) que é pilotado por Parzival, indo para a Rexy de Jurassic Park, o King Kong ou mesmo tropas de Halo. O espectador fica perdido e maravilhado ao mesmo tempo diante de tanta coisa. Em especial aquele que é fã e consumidor assíduo desses filmes, séries e games. Mas nada disso atrapalha o caminhar da trama. Na verdade, só contribui, pois como dito acima o roteiro em si é fraco. E essas referências não ficam jogadas a esmo. Não. São inseridas de forma lógica a cada cena de modo a fazer sentido estarem ali. Afinal, não podemos esquecer que os personagens estão num mundo virtual. Visitado por bilhões de pessoas. É mais do que normal encontrar diferentes avatares por aí.

E ao passo que cada uma dessas referências aparecia em cena, a história ia se moldando e ganhando forma. Pois, como não poderia deixar de ser, há uma grande corporação querendo atrapalhar a diversão da população. O que abre espaço para Spielberg apontar de leve suas críticas como exclusão social, dependência virtual, ganância corporativa, tal qual o autor faz no livro Ernest Cline.

A corporação é a IOI dirigida por Nolan Sorrento (Ben Mendelsohn) e que pretende transformar o OASIS em algo lucrativo. Entupir de anúncios e fazer com que os usuários contraiam ainda mais dívidas. Como se as cápsulas de lealdade já não estivessem cheias dessas pessoas. As quais são forçadas a um trabalho escravo a fim de quem sabe quitar as dívidas. O que quase nunca acontece. Por isso Art3mis (Olivia Cooke) acaba se unindo a Parzival e seus amigos para vencer a competição de Halliday e salvar o OASIS das garras de Sorrento.

Mesmo com um roteiro simples Jogador Nº1 entrega um filme de aventura clássico, bem divertido, onde mocinhos e mocinhas lutam contra o vilão. E por estar mergulhado na cultura pop, vai ser necessário assistir outras vezes a fim de identificar todas as referências. Mas, quem é que não curte rever várias vezes o filme favorito?

Ficha Técnica
Diretor: Steven Spielberg
Roteirista: Zak Penn, Ernest Cline
Elenco: Ty Sheridan, Olivia Cooker, Ben Mendelsohn, Lena Waithe, T.J. Miller, Simon Pegg, Mark Rylance, Philip Zhao, Win Morisaki, Hannah John-Kamen, Ralph Ineson, Susan Lynch, Clare Higgins, Laurence Spellman, Perdita Weeks
Duração: 2h20min
Estreia: 29 de março