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“Jumanji: Bem-Vindo à Selva” diverte mesmo com falhas

“Jumanji: Bem-Vindo à Selva” diverte mesmo com falhas

Alguns filmes vão para sempre morar em nossa memória afetiva. Jumanji é um desses títulos. Não apenas porque a atuação de Robin Williams foi marcante, mas também pela história em si. Há toda uma atmosfera de aventura que se faz valer através de um mero jogo de tabuleiro.

E numa época em que quase ninguém dá importância a esse tipo de entretenimento, como reviver o filme? Bem, aparentemente acrescentando boas doses de humor e o transformando num cartucho de Atari. Assim dá-se início a aventura de quatro adolescentes que acabam sendo sugados para dentro dessa versão hard de Jumanji.

Os personagens vividos por The Rock, Jack Black, Karen Gillan e Kevin Hart vão parar na famigerada floresta a qual Allan Parrish esteve preso. Lá aprendem através de um NPC bem articulado que só vão sair do jogo ao devolver a esmeralda ao olho da estátua. Para tal vão precisar trabalhar em equipe a fim de sobreviver a diversos obstáculos. Só que estamos falando de adolescentes da nova geração. Sem muita paciência para um mundo analógico. Além do mais, entram em Jumanji na pele dos personagens que escolheram. Com habilidades e fraquezas que precisam controlar se quiserem chegar ao fim do jogo e voltar para casa.

Só que ironicamente tais personagens acabam sendo o oposto do que são na vida real. Dando assim uma clara chance deles aprenderem outra perspectiva. Mas essa nunca é uma tarefa fácil. Quem reconhece que precisa mudar? Ainda mais adolescentes?

Enquanto tentam navegar por esse estranho mundo se deparam com os obstáculos mais inusitados. Como quando Bethany, personagem de Jack Black, é comido por um hipopótamo. Aliás, com Black em cena, não teve vez para a dupla The Rock e Kevin Hart. Ele rouba a cena no papel de uma adolescente fútil e ganha de cara a simpatia do espectador. A dupla é até divertida e repetem o bom trabalho de comédia e timing como no filme Um Espião e Meio. Só que a cada fala do Jack Black, os dois ficam cada vez mais para trás. Karen Gillan briga por uma fatia desse holofote e tem cenas muito boas com alguns elementos surpresa, consegue fazer humor e assim os quatro tiram a atenção do espectador para falhas em Jumanji: Bem-Vindo à Selva.

O filme está dentro da mecânica estabelecida pelo longa de 1995. Quando o jogo tem início é preciso ir até o final para desfazer todos os eventos e voltar ao mundo real. Aqui não é diferente. Só que a urgência é outra. Como se trata de um jogo de videogame, o número de vidas é limitado a três para cada jogador. Acabando as vidas, nada de retorno para casa. Logo, os acontecimentos são rápidos e respeitam interações de qualquer outro jogo. Como também a dificuldade dos mesmos. Em alguns momentos é possível até lembrar de outros títulos que possuem essa mesma dinâmica de quest e trabalho em equipe.

Todavia, a forma escolhida para construir a narrativa, dando mais enfoque nos quatro adolescentes acaba por infringir regras e bagunçar a linha temporal. Afinal, quando o último jogador a Jumanji chegar, a linha do tempo volta para quem deu início ao jogo. E não é bem isso que acontece por aqui. Tal erro não chega a prejudicar o filme e nem a experiência por completo, que até então tinha sido divertida. Porém, como é algo evidente, levanta questões acerca da produção e outras possibilidades de um final melhor.

Jumanji: Bem-Vindo à Selva é o típico filme família que estreou na época certa: as férias escolares. Essa geração vai poder ter a mesma experiência que outras crianças tiveram ao ver a versão original do filme nos cinemas lá em 1995. The Rock não é Robin Williams e nem tenta ser. Ele é ele. O novo chamariz dessa geração.

Ficha Técnica
Diretor: Jake Kasdan 
Roteiro: Chris McKenna, Erik Sommers, Scott Rosenberg, Jeff Pinkner
Elenco: Dwayne Johnson, Jack Black, Karen Gillan, Kevin Hart, Rhys Darb, Bobby Cannavale, Nick Jonas, Alex Wolff, Ser'Darius Blain, Madison Iseman, Morgan Turner
Duração: 1h59min