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“Kimi no Na Wa” prova a seriedade do anime como cinema

“Kimi no Na Wa” prova a seriedade do anime como cinema

Muito tempo atrás animações no geral não eram vistas como entretenimento digno de cinema ainda que muitos títulos fossem exibidos nas salas mundo afora e ganhadores de prêmios. A Walt Disney Pictures conseguiu estabelecer um parâmetro e outros estúdios americanos a seguiram. Contudo, as animações orientais conhecidas como anime nunca tiveram tanto prestígio quanto o estilo ocidental o que parece ter mudado com Kimi no Na Wa (Your Name traduzido para o inglês).

Ainda que existam estúdios como Ghibli encabeçado pelo brilhante Hayao Miyazaki e responsável por produzir grandes jóias em formato de animação como Meu Vizinho Totoro, Nausicaa, A Viagem de Chihiro e Ponyo, para citar alguns, tais títulos são consumidos por uma fatia bem pequena da população mundial e quase nunca chegam as salas de cinema fora do eixo Japão, China e Estados Unidos. Apenas recentemente as redes de cinema brasileiro decidiram apostar nesses títulos abrindo poucas e limitadas sessões em cidades selecionadas e não a nível nacional. Um passo pequeno, porém importante. Entretanto, isso deve mudar graças ao assombroso sucesso de Kimi no Na Wa que tornou-se o anime mais visto nos cinemas em 2016 e, consequentemente, de todos os tempos, ultrapassando os recordes de bilheteria de A Viagem de Chihiro que faturou $275 milhões enquanto Kimi no Na Wa passou de $280 milhões.

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O longa que é baseado numa obra de Makoto Shinkai conta a história dos adolescentes Taki e Mitsuha que após a passagem de um meteoro pelo Japão começam a habitar um o corpo do outro em dias alternados. A confusão gera situações divertidas e corriqueiras da vida de um colegial japonês, com a diferença de que ambos habitam não apenas cidades diferentes, mas também estão em tempos diferentes. Só que eles ainda não sabem disso. E a medida que a aproximação dos dois aumenta, a vontade de se encontrarem também e aí que as coisas começam a desandar na história e uma tragédia acontece.

A trama apresenta muitos elementos do folclore japonês num curto espaço de tempo além de possuir um ritmo imediatista. Os personagens principais são sumamente desenvolvidos e é fácil criar uma empatia por eles e pela história ao inserir momentos descontraídos e criar essa aura de mistério em torno do fenômeno que os faz trocar de corpo. Todavia, a rapidez com a qual algumas cenas se desenrolam, especialmente na segunda metade do longa, deixam Kimi no Na Wa com um tom levemente superficial e que parece apostar muito mais no conceito estético, detalhando paisagens deslumbrantes e abusando de recursos visuais, do que num desenvolvimento melhor do roteiro. A ligação entre Taki e Mitsuha que deveria ser o mote principal de conexão com o espectador fica um pouco em segundo plano o que felizmente não atrapalha a história como um todo, mas denota uma falta de cuidado na montagem e edição do filme que também possui uma trilha sonora primorosa.

Não a toa, essa abordagem dita mais mística acabou conquistando o público e agora o filme se prepara para ser lançado nos Estados Unidos e, quem sabe não apareça por aqui também?