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“Kingsman: O Círculo Dourado” é absurdo do início ao fim!

“Kingsman: O Círculo Dourado” é absurdo do início ao fim!

Quando se esgota o fator novidade, o jeito é apostar no absurdo em sua forma mais notável. E é o que acontece em Kingsman: O Círculo Dourado de Matthew Vaughn.

Se o primeiro possuía um roteiro acertado e cenas de ação de tirar o fôlego, a continuação apenas deixa o espectador sem ar e confuso. Ainda mais sendo uma sequência direta. Tudo acontece ao mesmo tempo desde os segundos iniciais do longa. A sede Kingsman é atacada, tal qual o quartel general (onde temos a primeira de outras mortes gratuitas). Sobra para Merlin (Mark Strong) e Eggsy (Taron Egerton) resolver a questão. É quando eles descobrem sobre seus ‘primos’ os Statesman nos Estados Unidos e partem para lá munidos apenas com bons ternos.

Esse núcleo inteiro é mal aproveitado e parecem estar apenas preenchendo um espaço qualquer. Na verdade, para fins de roteiro, tal qual a teoria de que o Indiana Jones é inútil em Os Caçadores da Arca Perdida. Pois a história iria funcionar da mesma forma, estando ele ali ou não. Aqui é mais ou menos isso. Não há qualquer serventia para os personagens novos, os Statesman, a não ser prover equipamento necessário a Eggsy e Merlin. Além de estarem cuidando do Harry (Colin Firth). Isso é outro ponto fora da curva.

O fato deles estarem com o Harry – que está com amnésia – é a ponte mais frágil que poderia ter sido criada para a ligação entre as agências. Afinal, da mesma maneira que foram ao seu resgate, os Kingsman também poderiam. Estavam acompanhando tudo em tempo real. Logo, torna-se um artifício fraco de roteiro. Para não dizer preguiçoso. O que nos leva a construção da vilã Poppy, vivida por Julianne Moore.

Todo o universo construído para ambientar essa personagem é válido, criativo e muito divertido. É de onde surgem as cenas mais engraçadas e inusitadas do longa, com direito a uma participação singular de Sir Elton John. A atriz cumpre bem o papel da vilã caricata ao qual se propôs, todavia, a sua história pessoal acaba sendo um tanto atrapalhada. Bem diferente de Valentine, vivido por Samuel L. Jackson. Moore confessou ter se inspirado no Gene Hackman quando viveu Lex Luthor no filme do Superman de 1978. Seus delírios megalomaníacos se assemelham a essa versão do Luthor, mas param por aí. Ela não consegue nos convencer de suas intenções. Nem quando decide se livrar de um traidor de maneira grotesca.

Resta a Kingsman: O Círculo Dourado contar com referências diretas ao antecessor e também no carisma da dupla Colin Firth e Taron Egerton para sustentar o longa. A química entre os dois permanece afiada e Eggsy evoluiu ao passo que Harry tornou-se dependente, afinal, ter um olho a menos atrapalha bastante a vida de um agente. As cenas de ação também evoluíram e transformaram-se absurdamente. O espectador corre o risco de piscar e perder alguma parte do longa. Tamanha a profusão de explosões, socos, chutes, perseguições e cachorros mecânicos (prestem atenção nos nomes).

Mesmo que Kingsman: O Círculo Dourado seja baseado em quadrinhos, não pode se valer disso para desequilibrar a balança que pende mais para o lado da ação e esquece do roteiro. Na certa os fãs e espectadores comuns vão se divertir, como deve ser. Embora a sequência esteja longe de se igualar ao filme lançado em 2015.