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“Kong: A Ilha da Caveira” e o retorno da fera lendária

“Kong: A Ilha da Caveira” e o retorno da fera lendária

Os tempos áureos do chamado cinema trash foi feito por monstros gigantes, fossem eles oriundos dos pântanos, cavernas, céus ou mares. Oras, o cinema japonês, em especial, viveu dessa época e o Brasil acabou por importar as séries conhecidas como Tokusatsus nos moldes de Jaspion, Jiraya e similares. Todavia, nenhum desses monstros é tão popular por aqui quanto King Kong.

Há de se ter um certo desprendimento racional ao assistir filmes desse estilo. Para começar o foco principal é e sempre será o monstro, logo, mesmo que não seja a intenção, os personagens humanos vão ser usados como plano de fundo e ponte para conduzir o espectador pela trama e situar-nos sobre a existência do protagonista em questão. Em Kong: A Ilha da Caveira ambientado quase no final da década de 70 após a derrota dos Estados Unidos na Guerra do Vietnã, uma dupla de cientistas de uma empresa chamada Monarch consegue autorização do governo para ir explorar uma desconhecida ilha ao sul do Pacífico e com isso levam uma escolta do exército e outros civis a fim de ajudarem na expedição dita de cunho científico.

O que eles não sabem é que Bill Randa (John Goodman) a mente por trás da expedição no fundo quer provar a existência de monstros até então desconhecidos do mundo. Só que não se chega no território de um animal como se fosse o dono do lugar e, óbvio que o encontro inicial com Kong não é dos melhores, espalhando assim os membros da expedição pela estranha ilha com a missão de se encontrarem novamente e chegar ao ponto de extração na data estipulada pela equipe de resgate.

Ainda que seja um longa sobre monstros gigantes, Kong: A Ilha da Caveira aborda também a questão humana sobre o sentido da guerra, seja ela qual for e no papel que desempenha na vida de uma pessoa, transformando-a por completo. Além disso, tenta criar um debate sobre o que se entende por cultura e como um povo pensa ter superioridade sobre outro pelo simples fato de viver uma vida diferente e, com isso, tenta impor esse estilo, o que considera correto para o outro. Tais exemplos podem ser vistos nos papéis de Goodman e também no do Samuel L. Jackson que vive o conturbado oficial Preston Packard. Para eles a raça humana é superior a dos animais, logo ao Kong, e apenas por isso possuem direitos sobre aquela terra perdida no mundo. Um conceito que é bastante pontuado durante o filme, especialmente pelo fato de que os americanos haviam acabado de perder uma guerra e na cabeça bélica de Packard, não era algo aceitável.

É recheado de cenas de ação, seja do próprio Kong com os humanos, dele com outros animais da ilha e dos humanos com esses animais. A dedicação com a fotografia também é notável e muito similar ao que foi feito em Apocalypse Now, por conta da paleta de cores usadas e as cenas com helicópteros. O que não tira em nenhum momento o mérito do filme tendo em vista que isso costuma ocorrer com uma certa frequência em Hollywood.

Contudo, o longa possui alguns erros nítidos como problemas no CGI ao trabalhar com profundidade de campo, destacando demais os personagens do fundo ao qual estão inseridos, deixando claro que aquele lugar não é real. E por mais que a magia do cinema faça milagres, não queremos ser tirados desse mundo de fantasia enquanto estamos assistindo a um filme. Outra falha é a construção de alguns personagens que apesar de não serem o foco aqui, pereceram de um destaque melhor como no caso de John Goodman. O personagem é introduzido como elo de ligação de todos os outros, porém, assim que caem na ilha ele é rapidamente esquecido. Há uma repetição no enredo que se torna cansativa depois da segunda vez, mas que permanece até os últimos minutos do filme.

Tirando esses erros descritos acima, Kong: A Ilha da Caveira é um filme de puro entretenimento que conta com aventura e ação do começo ao fim, quase sem nos dar tempo para piscar. Tudo aquilo que um filme de monstro deve ser.

  • Mario Dias

    Muito legal sua visão de Kong. Acho que o maior erro do filme foi não ter feito do gorilão um personagem mais proeminente. TAlvez esta seja uma falha dos filmes de monstros gigantes; eles precisam dos personagens humanos para que a história evolua; diferente dos monstros antropomorfizados, que interagem e podem contar a própria história. Texto muito legal. Site genial