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Life is Strange: Uma verdadeira obra de arte!

Life is Strange: Uma verdadeira obra de arte!

Quando a Dontnod Entertainment anunciou um novo jogo com formato episódico em parceria com a Square Enix, ninguém sabia exatamente o que esperar.

A empresa havia lançado a alguns anos atrás o jogo Remember Me, que teve recepção morna tanto pela crítica, quanto pelo público, no entanto, os jogos baseados em episódios estavam em pleno vapor com os sucessos de The Walking Dead e The Wolf Among Us da Telltale Games. Era fácil presumir que a empresa estava apenas tentando entrar nesse bonde pra ganhar uma grana, mas para a surpresa de todos, o que recebemos foi uma das maiores surpresas recentes no mundo dos games.

Life is Strange é um jogo em terceira pessoa onde você assume o papel de Maxine Caulfield, uma adolescente de 18 anos que retorna a sua cidade natal de Arcadia Bay. Max é uma estudante de fotografia que vê toda sua vida virar de cabeça para baixo ao descobrir que possui a habilidade de manipular o tempo ao ter uma visão onde um grande furacão devasta toda a cidade.

História

Em Life is Strange o jogador é confrontado durante todo o tempo com decisões que afetam o decorrer da trama, algumas são escolhas que parecem triviais como presenciar alguém ser atingido por uma bolinha de papel por outros colegas de classe e decidir se volta ou não no tempo para avisá-la antes que o fato ocorra. Outras são completamente devastadoras e que envolvem até mesmo situações de vida ou morte.

O aspecto que mais chama atenção nessas escolhas é que muitas delas não são exatamente situações entre decidir sobre ser uma pessoa boa ou ruim. Não. Existem outros jogos com esse tipo de mecânica como na franquia de Mass Effect por exemplo, onde só é possível ser a pessoa mais altruísta do mundo ou um completo babaca, sem meio termo. Já aqui, há diversos momentos onde não há um caminho claro a seguir, e as consequências de suas ações aparecem quando menos se espera.

O jogo se estende por 5 episódios no total, e ao longo deles vemos Max passar por situações do cotidiano da vida escolar, sua relação com os colegas de classe e os professores, em especial sua relação com a amiga de infância Chloe Price, com quem Max não tem contato a pelos menos 5 anos e o impacto que a ausência de uma na vida da outra causa é tratado de forma muito natural e em nenhum momento parece forçado ou apelativo. Além disso, há todo um mistério rondando o colégio de Blackwell Academy acerca do desaparecimento da aluna Rachel Amber.

No início a trama começa de maneira simples e aborda temas que se espera de um estudante adolescente, tais como a relação entre os colegas de classe, a pressão para entregar projetos e como lidar com o bullying que infelizmente é tão comum nesse meio. Tudo isso seria até chato para a maioria dos jogadores, no entanto, a manipulação do tempo faz toda a diferença para tornar mais interessante tais situações, afinal de contas quem é que nunca desejou poder voltar no tempo para refazer um prova em que se deu mal não é mesmo?

A medida que a história avança, Max é posta de frente a questões cada vez mais complexas e o jogo aborda temas considerados polêmicos de forma muito respeitosa e humana, tais como estupro, suicídio, porte de armas e muitos outros. Todos esses temas são lidados de forma adulta e de uma maneira que não seja superficial, a intenção é fazer com que o jogador reflita sobre eles. Geralmente quando ouvimos dizer que um jogo possui temas adultos tudo se resume a apenas duas coisas: sexo e violência. Mas aqui a Dontnod realmente faz um trabalho sublime ao apresentar questões reais e maduras.

Gameplay

Em termos de gameplay o destaque fica por conta da mecânica de manipulação do tempo, tudo muda a partir do momento em que você tem acesso a esse recurso, é muito divertido brincar com os resultados de suas escolhas e voltar no tempo para tentar fazer algo diferente com o conhecimento recentemente adquirido.

Fora isso os controles são padrões para games do gênero point and click modernos. Quem jogou algum titulo da Telltale Games irá se sentir em casa aqui, no entanto, vale destacar que diferente de The Walking Dead onde o controle é removido das mãos do jogador constantemente, aqui em Life is Strange você é capaz de explorar diferentes cenários sem muitas interrupções.

Gráficos

Assim como outros jogos do mesmo gênero, a palavra da vez aqui é simplicidade. Os gráficos ultra realistas que são cada vez mais comuns hoje em dia, aqui dão vez a traços mais simples e a escolha de cores em tons pastéis para os cenários deixa o jogo com uma cara de filme indie.

Mas nem tudo são flores, por vezes a expressão facial dos personagens deixou a desejar em alguns momentos e quando falamos de uma história que aposta forte no fator emocional isso acaba prejudicando um pouco o jogo.

Trilha Sonora

É possível perceber que cada música foi escolhida a dedo para transmitir exatamente o que a cena quer necessita. No repertório estão artistas como José González, que já proporcionou momentos marcantes em outros jogos famosos como Red Dead Redemption.

Essa com certeza é uma daquelas trilhas sonoras que vão te acompanhar depois do jogo terminar e farão parte da sua playlist.

Considerações Finais

Se você é fã de uma boa história, curte temas como viagem no tempo e suas consequências, com certeza este jogo irá te agradar. É claro que o gênero de point and click pode afastar algumas pessoas, mas vale no minimo experimentar o primeiro episódio. E nesse quesito a Square Enix ajuda oferecendo-o gratuitamente para todas as plataformas, além disso até o final de Junho de 2017 o jogo estará disponível de forma completa para os assinantes da Playstation Plus.

Life is Strange está disponível para Linux, Microsoft Windows, OS X, PlayStation 3, PlayStation 4, Xbox 360 e Xbox One. Os preços variam de acordo com a plataforma.