Share
“Liga da Justiça” não DCepciona!

“Liga da Justiça” não DCepciona!

O título é curto, objetivo e a piada é intencional. Liga da Justiça vai atender aos fãs, mesmo com algumas falhas. *tem alguns spoilers*

É fato que a Warner Bros finalmente entendeu como fazer um filme de super heróis. O que era de se esperar após o grande sucesso de Mulher-Maravilha. Só que dessa vez, resolveram apostar num terreno mais seguro. Depois da saída de Zack Snyder da pós-produção, convidaram ninguém menos que Joss Whedon para finalizar o projeto. Como todos sabem, Whedon foi o responsável por levar Vingadores para os cinemas. Outro filme que reúne um grupo de heróis. Daquele estúdio lá. Supostamente rival.

Aquela fórmula deu certo. Continua dando, ainda que alguns reclamem. Logo, por que não tentar aqui também? Por que não entregar aos fãs aquilo que eles querem ver?

Dando assim o pontapé inicial em Liga da Justiça que começa com uma cena do Superman, mais cômico, falando numa entrevista para duas crianças. E de cara vemos que o CGI vai ser um problema. A tentativa de remover o bigode do ator Henry Cavill (que virou notícia no mundo todo) lhe garantiu uma boca similar a do Annoying Orange. Daí para frente, os erros só aumentam. E a maioria das cenas envolvem o personagem do Superman.

O CGI também não foi um bom recurso para construir o pseudo-vilão SteppenWolf (Lobo de Estepe). Suas ameaças de destruir meio mundo ao reunir as caixas maternas é o que motiva Bruce a contactar os membros faltosos da Liga da Justiça (que não possui esse nome durante o filme), mas essa motivação acaba mudando no meio do caminho quando eles veem que não são páreos para o vilão.

Ainda assim, Bruce e Diana, que estão dividindo a liderança da equipe, reúnem Flash, Aquaman e Cyborg. Os três são ótimas adições à equipe, mas Flash e Cyborg acabam se destacando mais do que os outros. Para começar, o ator Ezra Miller possui carisma para dar, vender e leiloar e com isso entrega um Flash divertido e atrapalhado e que nada lembra aquele interpretado por Grant Gustin na série. O que é um ponto a favor para o ator, evitando assim futuras comparações. Entretanto, não possui (ainda) a mesma química com seu pai Henry Allen interpretado aqui por Billy Crudup. As cenas nas quais os dois interagem são curtas, porém, faltou aquela emoção característica do personagem do Henry em relação ao filho. Pareceu-me mais distante e não tão amoroso. Algo que espero mude no filme solo do herói.

Já o Cyborg – que também sofre com o CGI – foi uma grata surpresa. O novato Ray Fisher surpreende com uma atuação mais contida e honesta tendo em vista que o personagem ainda está aprendendo a lidar com os efeitos de ser metade humano e metade máquina. Suas interações com os demais membros da equipe são ótimas e é nítida a evolução de personalidade em pouco tempo. Um trabalho de atuação sutil, mas muito bem feito.

O terceiro novato, muito aguardado por alguns, teve uma performance diferente do que é retratado nos quadrinhos. O Aquaman de Jason Momoa é mais brucutu, diria até um tanto selvagem. As canções de rock que o embalam deixam isso bem claro. Como também a pouca interação que tem com o povo de Atlantis, que deve ser mais elaborada em seu filme solo, tal qual sua história com Mera (Amber Heard).

Ben Affleck assume uma versão mais light do homem morcego, adotando até um pouco de humor e Gal Gadot está visivelmente mais confortável na pele da Amazona.

Quando eles finalmente se unem é que fica claro o real propósito de Liga da Justiça. Não digo da Liga em si, mas do filme. E não. Não é defender o planeta Terra da ameaça iminente do SteppenWolf (Ciarán Hinds). Mas sim, trazer o Superman de volta. Tornando esse pseudo-vilão (como mencionado anteriormente) um artifício falho, já que todas as suas ações levam a crer que teremos ao menos um vislumbre do Darkseid e no final, temos apenas a menção ao seu nome. Nem mesmo uma silhueta aparecendo no portal. Nada. Zero.

Dessa maneira, fica claro que Liga da Justiça tinha três pontos importantes a desenvolver e nenhum deles girava em torno de um grande vilão como foi feito no outro estúdio. Esses pontos eram: ressuscitar o Homem de Aço, apresentar de forma rápida os outros três membros e, por fim, reuni-los de modo a criar a liga. O que funciona bem para aqueles que são fãs dos heróis e desse universo. Porém, acaba sendo um ponto fraco para o espectador que desconhece esses personagens, pois não vai ter a mesma experiência divertida que um fã.

No mais Liga da Justiça entrega ao público aquilo que era o mínimo esperado: boas cenas de luta, os costumeiros slow motions característicos do diretor, piadas bem colocadas e a reunião do grupo que é considerado por muitos o melhor dos quadrinhos. Ainda que esteja faltando um membro clássico. Ou alguns.

P.S.: Tem 2 cenas pós-créditos! A última vale a pena esperar!
Ficha Técnica
Diretor: Zack Snyder
Roteiro: Chris Terrio e Joss Whedon
Elenco: Ben Affleck, Gal Gadot, Ezra Miller, Henry Cavill, Ray Fisher, Jason Momoa, Ciarán Hinds, J.K. Simmons, Amber Heard, Jeremy Irons, Connie Nielsen, Amy Adams, Diane Lane e Billy Crudup. 
Duração: 2h.