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“Mentes Sombrias” é fraco para uma distopia

“Mentes Sombrias” é fraco para uma distopia

No momento em que os fãs de Harry Potter se viram órfãos, outras franquias decidiram tomar o lugar. Divergente e Jogos Vorazes foram os primeiros. Essa ideia de adaptar as séries de livros YA (Young Adults) distópicos para as telonas parecia promissora. Uns obtiveram sucesso. Outros nem final vão ter. E alguns ficam ou vão ficar pelo meio do caminho, como é o caso de Mentes Sombrias.

O longa que é baseado no livro homônimo de Alexandra Bracken e conta a história de um Estados Unidos que se vê assolado por uma estranha epidemia onde crianças morrem de repente ou ganham habilidades. Ninguém tem noção de como isso acontece e mesmo porque só crianças são as atingidas. Elas podem desenvolver telecinese, raciocínio sobre humano, manipular a eletricidade, poderes pirotécnicos ou controlar a mente alheia. Dessa forma, elas são divididas em cores: verde (raciocínio sobre humano, os mais inofensivos), azul (telecinéticos), amarelo (os que mexem com eletricidade), vermelho (os pirotécnicos) e laranja (os que controlam mentes). Ruby, a protagonista, se encontra nessa última categoria. No dia seguinte ao seu décimo aniversário ela adquire os poderes, sem querer apaga a mente dos pais e se vê sendo carregada para uma espécie de campo de refugiados.

Toda essa explicação toma os primeiros minutos de Mentes Sombrias. E num piscar de olhos as cenas se tornam rápidas e as informações são jogadas para o espectador. Não dando tempo de criar uma relação com Ruby e muito menos com os demais personagens adolescentes. Tem romance, intriga, desconfiança, mistérios falhos e outros elementos de um YA distópico. Por fim, no meio desse turbilhão confuso de sentimentos, sabe-se apenas que eles querem se proteger. Viver em paz num local que virou uma lenda entre eles e que muito se assemelha a noção de paraíso.

Essa rapidez atrapalha tanto no desenvolvimento da trama, que fica com alguns buracos, como na evolução dos personagens. Eles não possuem um tempo significativo para contar suas histórias ficando à mercê dos acontecimentos externos para que isso aconteça. Partes cruciais da história original (sei porque li o livro) foram retiradas. Transformando assim Mentes Sombrias nessa enorme colcha de retalhos, onde as peças até se conectam, mas não formam uma bela imagem.

Talvez o único ponto a favor, se comparado a outros filmes distópicos, seja o pouco uso de efeitos especiais. Há uma clara predileção pelo uso de efeitos práticos como luzes piscando ou cabos de energia faiscando. É um bom recurso, todavia, não consegue salvar Mentes Sombrias de ser um filme bem fraco para o gênero distópico adolescente.

Ficha Técnica
Diretor: Jennifer Yuh Nelson 
Roteiro: Chad Hodge
Elenco: Amandla Stenberg, Mandy Moore, Bradley Whitford, Harris Dickinson, Patrick Gibson, Skylan Brooks, Miya Cech, Gwendoline Christie, Wade Williams, Mark O' Brien, Wallace Langham, Golden Brooks, Sammi Rotibi, Lidya Jewett, McCarrie McCausland
Duração: 1h44min 
Serviço: NOW (on demand)