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“Motorrad” é um filme surpreendente!

“Motorrad” é um filme surpreendente!

Acostumados com um cenário de filmes brasileiros recheados de comédias besteirol e dramas com grande apelo sentimental, e muitas vezes com bases históricas, a aposta em um filme diferente desses moldes nas telonas nacionais, mostra que a Warner Bros. Pictures tem coragem ao querer arrebatar um público mais específico para os cinemas.

Motorrad é uma grande mistura que funciona, tanto em gênero quanto em sua produção. A trama que é uma amalgama de suspense e ação, traz para o circuito atual um slasher convincente regado a mistério que deixa você apreensivo em boa parte do longa.

Acompanhamos Hugo (Guilherme Prates) um jovem mecânico apaixonado por motos que está em busca de uma peça específica para consertar a companheira de duas rodas. Após conseguir a peça, de uma mulher completamente misteriosa, ele se junta a um grupo de motoqueiros que tem como objetivo principal se divertir pela vasta região, aparentemente deserta.

O visual inicial e muito da abordagem dos momentos em que se passa na estrada, bebe muito da fonte da franquia Mad Max. Mas ao contrário desse, não convence quando cenas são impulsionadas pela edição de som, para nos fazer acreditar que é muito mais tensa, do que realmente é. Todavia, não é nada que chegue a afetar a estrutura da trama a ponto de prejudicar o resto. Foi algo que incomodou, mas percebi que muitos nem notaram.

O enredo segue explorando o grupo de motoqueiros indo conhecer um local paradisíaco, indicado pela mesma mulher que Hugo tinha conhecido horas atrás. Assim como um bom filme de slasher, a desgraça começa a acontecer logo quando tudo parece estar muito bem. Quatro outros motoqueiros surgem e começam a perseguir Hugo e seus companheiros, que inclui Ricardo (Emílio de Mello), Bia (Juliana Lohmann), Gustavo, Tomás e a garota que recém se integra ao grupo.

O filme é violento e não tem medo de utilizar isso como forma de narrativa. A fotografia é impecável e muito disso é favorecida pela locação escolhida para as filmagens, realizada na Serra da Canastra em Minas Gerais. Prendendo a sua atenção do início ao fim, a trama cumpre o que promete e te deixa aflito em muitas cenas.

Segundo o próprio diretor Vicente Amorim, o filme foi baseado na estética das histórias em quadrinhos. Tanto que toda parte gráfica e de narrativa foi feita pelo consagrado artista Danilo Beyruth, mais conhecido por seu trabalho na Graphic MSP, onde revisita com sua visão o personagem Astronauta da Turma da Mônica.

Seguindo esse conceito, o diretor quis abordar o silêncio como se fosse um personagem a parte, guiando a tensão e o mistério com poucas palavras:

“Cada vez que contávamos a história de um personagem em diálogos, perdíamos muito tempo de tela e nos afastávamos cada vez mais do terror. Assim, optamos em não revelar tanto assim de cada um para que a imersão fosse completa.”

A equipe complementa [durante a coletiva] dizendo que o filme foi feito especificamente para o cinema. Provavelmente, assisti-lo em outra plataforma, vai te trazer sensações completamente diferentes do que sentir toda a carga dramática e visual pelas telonas.

Motorrad é um filme que vale a experiência de ver no cinema. É surpreendente e que deixa bem claro que o Brasil tem capacidade de produzir conteúdo não apenas de qualidade, mas também de qualquer gênero que possa ser abordado. Só precisamos de mais distribuidoras que estejam dispostas a bancar e acreditar em projetos como esse. Seguimos torcendo para que isso seja uma realidade próxima.

Ficha Técnica
Diretor: Vicente Amorim 
Roteiro: L.G. Bayão
Elenco: Guilherme Prates, Carla Salle, Emilio Dantas, Juliana Lohmann, Pablo Sanábio, Rodrigo Vidigal, Alex Nader, Jayme Del Cueto
Duração: 1h32min