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“Mulher-Maravilha”: Justiça, amor, poder e emoção

“Mulher-Maravilha”: Justiça, amor, poder e emoção

Os fãs da DC Comics estavam mais do que curiosos sobre o que seria feito com o filme da amazona nos cinemas e o que Patty Jenkins nos entregou foi mais do que poderíamos desejar.

Acompanhamos Diana desde seus passos quando criança e a vontade de treinar e ser como as outras Amazonas até o momento em que Steve Trevor (Chris Pine) passa pela neblina mística que esconde a ilha de Themyscira e é salvo por ela de morrer afogado. Tanto a Rainha Hippolyta (Connie Nielsen), quanto as demais Amazonas não veem com bons olhos o fato de que Steve, um homem, conseguiu chegar na ilha, mas Diana enxerga além, em especial quando descobre sobre a guerra que está acontecendo no mundo. Após a batalha das Amazonas contra os alemães que seguiram Steve até Themyscira, um conselho se forma e indo contra as ordens de sua mãe, Diana decide ir com Steve para Londres e lutar contra Ares que, segundo ela, seria o responsável por desencadear a Primeira Guerra Mundial. Todavia, o mundo dos humanos é bem diferente das histórias que Diana ouviu quando criança.

Por se tratar de um filme de origem, o qual estamos conhecendo o passado da personagem, há alguns elementos essenciais que ajudam a construir essa trama como a ilha de Themyscira e as Amazonas. O lugar parece ter saído diretamente dos quadrinhos, em especial os do George Perez que é visto por muitos como o responsável por criar a origem definitiva de Diana. Todo o treinamento das Amazonas, seus princípios e comportamentos assemelham ao que lemos nas revistas e a cena de embate na praia contra os alemães, foi de tirar o fôlego.

Mulher-Maravilha possui algumas falhas técnicas relacionadas ao uso de computação gráfica e também ao excesso de slow motion nas cenas de ação, porém, não chegam a interferir na mensagem a qual o filme se propõe e que transcende a esses erros graças a performance da atriz principal.

Gal Gadot, com toda sua atuação limitada, obteve êxito ao exprimir toda a inocência e ingenuidade de Diana que lhe é tão característica assim que sai da ilha e parte para o mundo dos homens. Ela ainda está em formação, tanto como pessoa quanto Amazona, sem pleno conhecimento de seus poderes e ao abraçar a causa como sua, nesse caso a Primeira Guerra Mundial, entende que tem um dever para o qual parece ter se preparado a vida toda e baseia essa crença em uma história que ouviu algumas vezes quando criança. É essa força no poder das palavras de sua mãe que lhe guia por todo o campo minado que adentra com Steve ao seu lado fazendo as vezes de donzela em perigo, sidekick e também de alívio cômico.

Apesar da construção dos vilões ser um tanto superficial, o foco do longa se mantém no senso de justiça e amor que existe tão forte em Diana e a faz enfrentar os perigos da guerra para salvar pessoas indefesas para as quais ela não possui a menor obrigação. E claro, fazer com que Ares pague por ter desencadeado algo tão abominável na Terra. Sentimentos esses que despertam a admiração tanto de Steve quanto dos demais que a seguem e mesmo que possuam propósitos diferentes, optam por caminhar juntos dada a confiança que depositam um no outro e que vão conseguir pôr um fim no ataque iminente a Londres liderado pelo General Ludendorff (Danny Huston) e a Dra. Maru (Elena Anaya).

Mulher-Maravilha pode não ser o filme que todos esperavam, está longe de ser perfeito tecnicamente, mas entrega o necessário para se fazer valer como um ótimo filme de origem de uma super heroína que é importante em diversos aspectos. E embora tenhamos outros filmes solo com personagens femininas como Mulher-Gato e Elektra, elas não são nem nunca foram heroínas nos quadrinhos.

O fato é que nem todos vão conseguir se emocionar com o filme ou entender sua relevância. Todavia, Mulher-Maravilha trazido pela Warner Bros e dirigido por Patty Jenkins é apenas o início de uma longa estrada rumo a representatividade feminina dentro do cinema de super-heróis. Que venha a Capitã Marvel!