Share
“Mulheres do Século 20” aborda conflito entre gerações

“Mulheres do Século 20” aborda conflito entre gerações

Não lembro em qual lugar aprendi o ditado “é preciso uma aldeia para educar uma criança” mas se aplica perfeitamente nesse longa onde a personagem de Annette Bening pede ajuda de outras mulheres para ajudar na criação de seu único filho.

Mulheres do Século 20 foi escrito e dirigido por Mike Mills que decidiu retratar boa parte da sua adolescência na tela usando como figura central sua mãe a quem Bening dá vida. No final da década de 70, num bairro bucólico em Santa Bárbara nos Estados Unidos, o jovem Jamie de 15 anos se vê em meio a três fortes e conturbadas personagens femininas enquanto tenta entender qual é seu papel nesse meio e o que elas querem dele. Tudo isso regado a muito Punk Rock, skateboard, aulas sobre feminismo e uma crise de confiança que assolava o país.

Mills recriou quase que a perfeição o que foi crescer nessa época, principalmente com as três figuras femininas principais que se baseiam em sua mãe Janet, sua irmã mais velha e Julie uma amiga e paquera da escola. O filme dialoga sobre o conflito de gerações quando a pedido de Dorothea (Bening) essas três mulheres tão diferentes decidem se unir para ajudar na criação de Jamie. A própria transita entre os papéis de mãe e mulher sem saber como lidar com ambos, sobretudo o papel de mãe. Fugindo sempre da educação convencional e dando total liberdade ao filho de escolher o que é o melhor para si, desenvolve assim um conflito interno quando o garoto parece se identificar muito mais com Abbie e Julie do que com ela. Em especial quando Jamie demonstra bastante interesse sobre a psique feminina ao ganhar de Abbie livros sobre o assunto que era pouco debatido dentro ou fora de casa naquela época e considerado transgressor demais até mesmo para os padrões de alguém como Dorothea. Criando assim um enorme conflito de gerações que mesmo tentando muito, possuem dificuldade em dialogar uns com os outros, principalmente por estarem passando por problemas bem distintos no momento.

Abbie é a fotógrafa transgressora, que é vivida pela atriz Greta Gerwig, e que vê uma oportunidade única de passar conhecimentos a Jamie que não teria por interesse próprio, em especial pelo fato de ser homem, mas acaba se surpreendendo com o interesse do garoto pelo assunto e como isso afeta sua relação com a mãe. A fotógrafa esconde uma dor profunda após ter passado por uma doença séria e também pela estranha relação que tem com a mãe e se envolve demais nesse meio familiar. E na outra ponta temos Julie que é interpretada por Elle Fanning e apesar de ter uma idade próxima a de Jamie, possui uma postura mais madura que o garoto o que influência diretamente a relação de amizade entre eles.

Ao passo que Mulheres do Século 20 se desenrola através de narrativas melancólicas e flashbacks, o espectador vai conseguindo ter uma noção de qual é a premissa imposta pelo diretor, porém, reside numa trama tão intimista e pessoal que não chega a criar uma conexão direta com quem assiste.